sexta-feira, 25 de maio de 2007

Peter Pan?

Ainda não compreendo bem como nos sentimos ofendidos quando alguém diz que não temos condições de sediar olimpíadas, copas do mundo ou jogos de dominó na praça da esquina. Talvez o que a comissão não queira dizer abertamente é que não somos incompetentes ou brutos, mas corruptos ao ponto de estragarmos qualquer festa, qualquer mesmo.

Os jogos Pan-Americanos estão sendo discutidos e traçados há pelo menos quatro anos, no entanto, algumas obras só ficarão prontas no final dos jogos (?). O valor estimado e o valor real de suas obras são de um contraste descomunal; até entendo quando o ministro dos esportes vai a um programa televisivo explicar que, quando se formou o projeto, muita coisa não tinha sido levada em conta e, por isso, as contas reais estavam avançando com tanto entusiasmo; mas não consigo, com minha mente limitada, entender como a conta real pode se distanciar tanto do orçamento primitivo. Ou as pessoas envolvidas no projeto não entendiam nada sobre compras e contabilidade (neste país muito se faz assim: se você é partidário e a favor do Chefe, será nomeado para alguma secretaria de assuntos surreais da qual você nada entende), ou... (respondam vocês, já lavei minhas mãos).

A questão que gostaria de levantar é a seguinte: com tanto dinheiro sendo “jogado” no Pan (estadual, federal, não importa, o dinheiro é sempre o nosso), será que jamais sobrará um pouquinho para melhorarmos os índices de violência no Estado? Não sobra nem um tiquinho para o aparelhamento e reciclagem da polícia? Talvez seja a hora de repensarmos se queremos competir (no Pan) na categoria tiro à distância: afinal, nossos projéteis só acham os alvos errados.

Querem apostar como o policiamento será de uma competência linda nos dias dos jogos? Querem apostar como, terminados os jogos, tudo voltará ao normal (normal? Desculpe), com todas as balas perdidas achando todos os alvos errados possíveis?

Em quanto está o orçamento das obras mesmo? Alguém poderia me dizer algo sobre responsabilidade fiscal ou algo que o valha? A tal lei não pode se aplicar a isso? Por quê?

Começo a entender a “aprovação automática” nos colégios municipais: para o mundo externo, nosso país não possui analfabetos, para o interno, ninguém sabe votar.

2 comentários:

Halem Souza (Quelemém) disse...

Marcelo, antes de mais nada, sou sempre favorável a realizção desse tipo de competição (e quanto mais ocorrerem no Brasil, tanto melhor). Agora - e certamente é meu imenso pessimismo que me leva a dizer isso - não tenho dúvida de que as malhas de corrupção são as principais responsáveis por esses atrasos e gastos (muito) além do inicialmente previsto.

Soluções para esse problema? Digo, não sem certo desconforto, que não vejo nenhuma.

Bola pra frente. Um abraço.

Marcelo F. Carvalho disse...

Halen, concordo plenamente,também acho que tais eventos deveriam ser uma constante neste país (fora que, se bem administrado, dá retorno financeiro à cidade), mas me preocupa o jeito como está se desenrolando tal evento, como "as coisas" em volta de tal acontecimento estão se formando. Uma pena estragarmos o que poderia ser lindo e "limpo".
Abraço forte!