terça-feira, 8 de maio de 2007

O Fato

De repente ele viu o inesperado, o que não fazia sentido algum. De repente tudo o que ele acreditava virou pó ou coisa parecida. Não havia em sua lógica explicação plausível para o que acabara de ocorrer, estava tudo tão confuso em sua mente que por um momento achou que estivesse louco. Fechou os olhos, apertou-os a fim de os ter limpos da brisa. Aquilo que se mostrara não poderia ser real... Fechou os olhos outra vez, estava com medo, sentia toda a sua pele arrepiar; deu as costas para o enigma e, como acontece com todos os humanos, teve a nítida impressão de haver alguém ou algo há poucos metros de distância. Não tinha outro jeito... Respirou fundo, encheu-se de uma coragem falsa e mutável, mas suficiente para fazê-lo virar a favor do estranho acontecimento. Queria falar qualquer coisa, a voz não saía, percebeu que tremia da cabeça aos pés; queria correr, mas os seus músculos estavam contraídos demais. Sentiu-se sufocado, angustiadamente impotente diante de tal situação. Foi nesse momento que começou a chorar compreendendo a sua pequenez, o niilismo. Chorou como uma criança, feito um ser virgem que é tocado pela primeira vez e corrompido com as dores do mundo profanamente humano; chorou como se chorar fosse a única coisa que fizesse sentido. Chorou porque isso era inevitável e porque ele era humano demais. Estava claro que seria impossível alguém acreditar naquilo, não adiantaria nada contar; sem dúvida que esse seria o seu segredo para sempre, seria o seu acontecimento secreto. Estava iniciado no reino do desconhecido e, talvez algum dia, pudesse refletir de maneira sóbria e científica, mas naquele momento, naquele derradeiro momento, nem ele e nem ninguém poderia explicar ceticamente o que estava diante dos seus olhos, e isso era um fato.



Um comentário:

Halem Souza (Quelemém) disse...

Mas quem irá chorar somos nós, leitores(rs); o que foi visto? Qual foi o fato? Montaste um bom suspense.

Vim para retribuir a visita que você fez ao "meu barraco" internético. Gostei do que li por aqui. Volto mais vezes. Um abraço.