quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O macaco tá certo?

Não posso deixar de reproduzir esta pérola achada pelo Meneau (O Insuportável) e postado no seu blogue.
É rir ou chorar... E viva o Bras(z)il!!!

"O senhor está dando um salto triplo carpado hermenêutico!"

Declaração do ministro Carlos Ayres Britto ao ouvir interpretação da chamada Lei da Ficha Limpa feita pelo presidente do STF, Cezar Peluso, interpretação esta relacionada a tempos e formas verbais. Na coluna Poder Online (Ig), disponível aqui.


Macaco disse: O STF incorporou a protelação da protelação da protelação da protelação... Com um tribunal "superior" desse, estamos bem...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Leonardo Boff

Leonardo Boff: A mídia comete sim abusos ao atacar Lula e Dilma

O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.


Por Leonardo Boff

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o "silêncio obsequioso" pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o "Brasil Nunca Mais", onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como "famiglia" mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de
O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revistaVeja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), "a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)".

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para "fazedores de cabeça" do povo. Quando Lula afirmou que "a opinião pública somos nós", frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

Fonte: Adital

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Por que Lula é Melhor (a prova irrefutável dos números)

Por Renato Couto - Economista
Editor do blogue Se 1 Ler Tá Bom

Sou economista, vivo de números. O site do FMI apresenta de forma irrefutável, o quanto o governo Lula foi melhor que o governo FHC:

1 – MÉDIAS BALANÇA COMERCIAL (bilhões de US$)
- FHC (PSDB) (1995/2002): -2,442
- Lula (PT) (2003/2005): +34,420 (recorde)

2 – SUPERÁVIT COMERCIAL (bilhões de US$)
- FHC (1995/2002): -8,7 (déficit)
- Lula (2003/2005): +103,0 (superávit)

3 – RISCO-PAÍS PTS
- FHC (Jan/2002): 1.445
- Lula (Jan/2006): 290 (recorde)

4 – JUROS
- FHC (Jan/2002): 25,00%
- Lula (Jan/2006): 18,00%

5 – INFLAÇÃO
- FHC(2002): 12,5%
- Lula(2005): 5,7%

6 – DÓLAR R$
- FHC (Jan/02): 3,53
- Lula (Jan/06): 2,30

7 – RANKING DO PIB MUNDIAL (PPP) (trilhões de US$)
- FHC (2002): 1,340 -> 10º
- Lula (2004): 1,492 -> 09º

8 – BOVESPA PTS
- FHC (Jan/02): 11.268
- Lula (Jan/06): 35.223 (recorde)

9 – DÍVIDA EXTERNA (bilhões de US$)
- FHC (2002): 210
- Lula (2005): 165

10 – DÍVIDA COM O FMI E COM O CLUBE DE PARIS EM DOLÁR
- FHC (2002): O governo não informou o valor da dívida.
- Lula (2005): 0,00

11 – SALÁRIO MÍNIMO (US$)
- FHC (2002): 56,50
- Lula (2005): 128,20

12 – DESEMPREGO
- FHC (2002): 12,2%
- Lula (2005): 9,6%

13 – TAXA ABAIXO DA LINHA DE PROBREZA
- FHC (2002): O governo não controlava este índice
- Lula (2004): 25,1%

Além destes, cuja fonte aos primeiros olhos não seria confiável, ledo engano, já que a banca internacional, no fim, somente quer receber sua parte, temos outros:

Transações correntes (em dólares):

Lula: 30,1 bilhões
FHC: – 186,2 bilhões

Investimento em desenvolvimento (em reais):

Lula: 47,1 bilhões
FHC: 38,2 bilhões

Empréstimo para habitação (em reais):
Lula: 4,5 bilhões
FHC: 1,7 bilhões

PIB:
Lula: 2,6% ao ano (até 2005)
FHC: 2,3% ao ano

Crescimento industrial:
Lula: 3,77%
* O lucro líquido das grandes empresas com ações em Bolsa quase triplicou nos três anos e meio de governo de Luiz Inácio Lula da Silva em relação ao período da segunda gestão de Fernando Henrique Cardoso, de 1999 a 2002. Folha de S. Paulo (20/08/2006)
FHC: 1,94%

Produção de bens duráveis:
Lula: 11,8%
FHC: 2,4%

Aumento na produção de veículos:
Lula: 2,4%
FHC: 1,8%

Crédito para a agricultura familiar:
Lula: 6,1%
FHC: 2,4%

Poder de compra do salário mínimo em relação à cesta básica:
Lula: 2,2 cestas básicas
FHC: 1,3 cesta básica

Aumento do custo da cesta básica:
Lula: 15,6%
FHC: 81,6%

Índice de Desigualdade social:
Lula: 0,559
FHC: 0,573

Participação dos mais pobres na renda:
Lula: 15,2%
FHC: 14,4%

Número de miseráveis:
Lula: 25,08%
FHC: 26,23%

Transferência de renda (em reais):
Lula: 7,1 bilhões
FHC: 2,3 bilhões

Média por família:
Lula: 70 reais
FHC: 25 reais

Atendidos pelo programa Saúde da Família:
Lula: 43,4%
FHC: 30,4%

Atendidos pelo programa Brasil Sorridente (atendimento odontológico):
Lula: 33,7%
FHC: 17,5%
* 15 milhões de brasileiros foram pela primeira vez ao dentista.

Mortalidade infantil indígena (por 1000 habitantes):
Lula: 21,6
FHC: 55,7

Número de turistas que vêm ao Brasil:
Lula: 4,6 milhões
FHC: 3,8 milhões

Pró-jovem – estudo subsidiado
Lula: 93 mil (18 a 24 anos)
FHC: …
* 100 reais por mês de subsídio a cada estudante

Bolsa Família
Lula: 11,1 milhões de famílias
FHC: …
* Educação e subsídio alimentar

Incremento no acesso a água no semi-árido nordestino
Lula: 762 mil pessoas e 152 mil cisternas
FHC: zero

Distribuição de leite no semi-árido (sistema pequeno produtor)
Lula: 3,3 milhões de brasileiros
FHC: zero

Áreas ambientais preservadas
Lula: incremento de 19,6 milhões de hectares (2003 a 2006)
Do ano de 1500 até 2002: 40 milhões de hectares

Apoio à agricultura familiar
Lula: 7,5 bilhões (safra 2005/2006)
FHC: 2,5 bilhões (último ano de governo)
* O governo Lula investirá 10 bilhões na safra 2006/2007

Compra de terras para Reforma Agrária
Lula: 2,7 bilhões (2003 a 2005)
FHC: 1,1 bilhão (1999 a 2002)

Investimento do BNDES em micro e pequenas empresas:
Lula: 14,99 bilhões
FHC: 8,3 bilhões

Investimentos em alimentação escolar:
Lula: 1 bilhão
FHC: 848 milhões

Investimento anual em saúde básica:
Lula: 1,5 bilhão
FHC: 155 milhões

Equipes do Programa Saúde da Família:
Lula: 21.609
FHC: 16.698

População atendida pelo Prog. Saúde da Família:
Lula: 70 milhões
FHC: 55 milhões

Porcentagem da população atendida pelo Programa Saúde da Família:
Lula: 39,7%
FHC: 31,9%

Pacientes com HIV positivo atendidos pela rede pública de saúde:
Lula: 151 mil
FHC: 119 mil

Desemprego no país:

Lula: 9,6%
FHC: 12,2%

Dívida/PIB:
Lula: 51%
FHC: 57,5%

Eletrificação Rural
Lula: 3.000.000 de pessoas
FHC: 2.700 pessoas

Livros gratuitos para o Ensino Médio
Lula: 7 milhões
FHC: zero

Geração de Energia Elétrica
Lula: 1.567 empreendimentos em operação, gerando 95.744.495 kW de potência. Está prevista para os próximos anos uma adição de 26.967.987 kW na capacidade de geração do País, proveniente dos 65 empreendimentos atualmente em construção e mais 516 outorgadas.
FHC: APAGÃO

* Entre os anos de 2000 a 2005, as ações da Polícia Federal no combate ao crime cresceram 815%. Durante o governo do presidente Lula, a Polícia
Federal realizou 183 operações e 2.961 prisões? Uma média de 987 presos por ano. Já nos dois últimos anos do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foram realizadas apenas 20 operações, com a prisão de 54 pessoas, ou seja, uma média de 27 capturas por ano.

Fontes: IBGE, IBGE/Pnad (Pesquisa Nacional de Amostragem Domiciliar – desde 1994); ANEEL; Bovespa; CNI; CIESP; Ministérios Federais e Agências Reg.; SUS; CES/FGV; jornais FSP, O Globo e O Estado

domingo, 19 de setembro de 2010

Tempo de seguir novas canções

Por Euza

Do (excelente) blogue Palimpnóia


Tudo me era estranho. Até o gato, espreguiçando no banco e olhando o desfile da vida, não me parecia gato. Queria mesmo era tomar um copo de cólera. Seria uma reação. Há tempos ando assim, como a deixar a vida passar por mim.
Naquele momento, não foi a vida quem passou. Foi um homem. Gordo e surpreendentemente ágil. Passou correndo e seu vento me deslocou. Tropecei nas pernas e nos pensamentos. O momento passou e tudo voltou ao que era antes. Eu, parada. Solidária às pedras. Solitária na falta de inspiração. É preciso inspiração pra seguir a canção. Talvez seja preciso o deslocamento do vento para nos dar a direção. Olhando os rostos mais ou menos conhecidos fui em busca do porto. O ponto.
É prazeroso estabelecer o ponto de partida, é sábio olhar de frente o ponto final. Quase sempre estendemos o momento de escrever o The End. Nos agarramos ao que sonhamos, ao que projetamos. E arrastamos as vírgulas, enfeitamos as reticências. Tudo para fechar as cortinas como nos contos de fadas. Mas nem todo final precisa ser feliz ou parecer feliz. Às vezes ele deve ser assim: lento e silencioso e sem importância. Às vezes ele apenas marca o fim de um tempo. E pendura as lembranças por cores, tamanhos, emoções. Lembranças que, em sépia, se tornarão preciosas e perfeitas e amadas. Palimpnóia
(este nome esquisito) será esta bela lembrança.

A volta pra casa foi rápida. Nem foi preciso o copo de cólera - a gente reage quando menos espera. E toma o curso da vida. E
apesar de ensaia os sorrisos. E lembra Clarice Lispector: “muitas vezes é o próprioapesar de que nos empurra para a frente.” É tempo de seguir novas canções



sábado, 18 de setembro de 2010

Recital da Primavera

Antes de começar minha malfadada opinião, devo lembrar algo importantíssimo: eu sou petista. Às vezes isso não é motivo para orgulho, é certo, ou, como escreveu uma banda chamada Maria Bacana: “tem dias que a vida parece coca-cola sem gás”. Porém, quando olho para o lado de fora e vejo a nossa sinistra oposição, não há como sentir uma vontade fodida de surfar na “onda vermelha” (confira aqui).

Não sei se a oposição já se tocou ou foi a mídia que tapou os olhos, mas há muito que denuncismo atabalhoado às portas de uma eleição não muda nada. Também não sei se a credibilidade de determinados setores midiáticos virou pó ou se a invasão da pluralidade midiática, seja com o acesso democrático da internet nas grandes metrópoles, seja com a explosão dos veículos de comunicação alternativos, foi fator determinante para que a voz discordante viesse à tona. A verdade é que, neste país, hoje, assim como em qualquer lugar civilizado, se há uma corrente a favor, há outra contra. Princípio básico da democracia (clique aqui).

É claro que, ao contrário de países mais “acostumados” com a Questão Democrática, o Brasil possui apenas um conglomerado de jornais objetivando um só ideal: o lucro gerado com a criação de presidentes fantoches que, como servos, apenas executam ações dos que realmente mandam na porra toda (interesse oligárquico). Os jornalões são assim e não poderia ser diferente. Com a crise em determinadas áreas da mídia (jornais e revistas de papel ou canais de televisão), ter um governo que socorra tais veículos é imprescindível. Governos que tapam os olhos para acordos ilegais e entrada de capital estrangeiro em área restrita aos investidores nacionais é de grande valia. Empresas de jornalismo precisam de lucro para continuarem existindo. Óbvio que um governo mais simpático aos seus interesses gera, necessariamente, uma amálgama ideal: deveriam estar separados para o bem da democracia e da notícia isenta, contudo...

Não há nada de errado em se noticiar escândalos, principalmente os ligados ao governo, mas os fazer de forma leviana às vésperas de uma eleição presidencial é nojento. Alguns escândalos, tratados como “saindo do forno” nada mais são do que notícia engavetada de dois anos, prontos para um momento como esse (leia-se: prontos para ajudar o candidato ideal). Os títulos das capas da Folha são uma prova cabal de que a grande mídia anda sedenta e não é por jornalismo (confira aqui).

O problema é que, hoje, para cada capa da Veja, da Folha, e etc., há uma página de blogue destoando, posicionando-se contra ou a favor. Para cada comentário do Sr. Homer Simpson, há um vídeo blogue contrário. E claro, o brasileiro parece ter, com o tempo, gostado mais de falar de política, mesmo quando diz besteira, diz política, isto é essencial.

Não sei se a minha candidata é a melhor. Será, ao que tudo indica, a presidenta do meu país e terá o meu voto. As questões mais importantes não foram colocadas pelos grandes veículos de comunicação. Este papel está nas mãos dos pequenos, mas inúmeros, zines, blogues, jornalecos, sítios, rádio pirata, etc. Está incomodando e rompendo uma barreira intransponível em 1989. Talvez estejamos vivendo um acontecimento histórico dentro das nossas mídias e, ainda, não tenhamos atentado para isso. É uma revolução gradativa, lenta. Mas uma revolução, sem dúvida. Estamos vendo as pessoas fazendo a leitura de escolher o próprio candidato. Isto significa que estamos lendo (não livros, mas lendo a trajetória e interpretando um caminho). Não significa que estejamos escolhendo o melhor para nossas vidas, mas estamos escolhendo. Repito: princípio básico da democracia.

E quando aprendemos a ler, evitamos que alguém leia no nosso lugar.

domingo, 12 de setembro de 2010

A Folha pela Folha

Está disponibilizado no blogue do Professor PC. Eu, obviamente, sequestrei.

A Folha e a Dilma

Deu hoje na Folha.

OMBUDSMAN

SUZANA SINGER - ombudsman@uol.com.br@folha_ombudsman
O ATAQUE DOS PÁSSAROS

A manchete de domingo desencadeou uma onda anti-Folha no Twitter, que o jornal ignorou


A
FOLHA VEM se dedicando a revirar vida e obra de Dilma Rousseff. Foi à Bulgária conversar com parentes que nem a candidata conhece, levantou a fase brizolista da ex-ministra, suas convicções teóricas e até uma loja do tipo R$ 1,99 que ela teve com uma parente no Sul. Tudo isso faz sentido, já que Dilma pode se tornar presidente do Brasil já no primeiro escrutínio que disputa.
Mas, no domingo passado, o jornal avançou o sinal ao colocar na manchete "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma". O problema nem era a reportagem, que questionava a falta de iniciativa do Ministério de Minas e Energia para mudar uma lei que acabava por beneficiar com isenção na conta de luz quem não precisava.
Colocar uma lupa nas gestões da candidata do governo é uma excelente iniciativa, mas dar tamanho destaque a um assunto como este não se justifica jornalisticamente.
Foi iniciativa de Dilma criar a tal Tarifa Social? Não, foi instituída no governo Fernando Henrique Cardoso. É fácil mexer com um benefício social? Não, o argumento de que faltava um cadastro de pobres que permitisse identificar apenas os que mereciam a benesse faz muito sentido. Existe alguma suspeita de desvio de verbas? Nada indica.
O lide da reportagem dava um peso indevido ao que se tinha apurado. Dizia que a propaganda eleitoral apresenta a candidata do PT como uma "eficiente gestora", mas que "um erro coloca em xeque essa imagem". Essa tem que ser uma conclusão do leitor, não do jornalista.
Uma manchete forçada como a da conta de luz, somada a todo o noticiário sobre o escândalo da Receita, desequilibrou a cobertura eleitoral. Dilma está bem à frente nas pesquisas de intenção de voto e isso é suficiente para que se dê mais atenção a ela do que a seu concorrente, mas, há dias, José Serra só aparece na
Folhapara fazer "denúncias". Nada sobre seu governo recente em São Paulo. Nada sobre promessas inatingíveis, por exemplo.
Os leitores perceberam a assimetria. Durante a semana, foram 194 mensagens à ombudsman protestando contra o noticiário, mas o maior ataque ocorreu no Twitter, a rede social simbolizada por um pássaro azul, que reúne pessoas dispostas a dizerem o que pensam em 140 caracteres. Até quinta-feira passada, tinham sido postadas mais de 45 mil mensagens anti-
Folha.

CRIATIVIDADE
Os internautas inventaram manchetes absurdas sobre a candidata de Lula: "Empresa de Dilma forneceu a antena para o iPhone 4", "Dilma disse para Paulo Coelho, há 20 anos: continue a escrever, rapaz, você tem talento!", "Serra lamenta: a Dilma me indicou o Xampu Esperança" e "Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no Manual de Redação da
Folha".
O movimento batizado de #Dilmafactsbyfolha virou um dos assuntos mais populares ("trending topics") do Twitter em todo o mundo, impulsionado, em parte, pela militância política -segundo levantamento da Bites, empresa de consultoria de planejamento estratégico em redes sociais, 11 mil tuítes usaram um #ondavermelha, respondendo a um chamamento da campanha do PT na rede. Até o candidato a governador Aloizio Mercadante elogiou quem engrossou o coro contra o jornal.
Mas é um erro pensar que apenas zumbis petistas incitados por lideranças botaram fogo no Twitter. O partido não chegou a esse nível de competência computacional.
Na manada anti-
Folha, havia muito leitor indignado, gente que não queria perder a piada, além de velhos ressentidos com o jornal.
Não dá para desprezar essa reação e a
Folha fez isso. Não respondeu aos internautas no Twitter e não noticiou o fenômeno. O "Cala Boca Galvão" durante a Copa virou notícia. No primeiro debate eleitoral on-line, feito por Folha/UOL em agosto, publicou-se com orgulho que o evento tinha sido um "trending topic". Não dá para olhar para as redes sociais apenas quando interessa.
A
Folha deveria retomar o equilíbrio na sua cobertura eleitoral e abrir espaço para vozes dissonantes. O apartidarismo -e não ter medo de crítica- sempre foram características preciosas deste jornal.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Jornalismo frágil

Roubado diretamente do blogue Teoria do Kaos, do amigo Flávio Mesquita.
Para imprimir e colar na Veja, na Folha, no Estadão, no Globo...
Link copiado de uma genial ideia de
Tom Scott, após traduzido pelo Esquema e divulgado pelo Sedentário.
Em tempo: confesso que senti uma pontinha de inveja. Como gostaria de ter feito este maravilhoso post. Bingo!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Eleições 2010

A esquisitice do acalanto

Ou como errar a mão na prepotência

Tudo indicava, assim que a candidatura da Dilma se concretizou oficialmente, que seriam meses difíceis, com muita chuva midiática para lá de tendenciosa. Esperávamos o semi-golpe de cunho jornalístico, o Dossiê Caymam, um filho leproso-sem-pernas-e-bastardo para a oposição colocar na conta da candidata do PT... Esperávamos meses difíceis porque, cá entre nós, o Lula é o Lula: carismático, autêntico, improvisador medíocre, mas carismático – um espelho do povo e da labuta brasileira. A Dilma, por outro lado, com plástica ou não, é a Dilma: pouco carisma, poucas palavras, tecnóloga, enfim. Esperávamos meses difíceis.

No entanto, como a esquerda já fez durante tanto tempo, a oposição perdeu, no decorrer da campanha, a mão, os pés, a cabeça. Não sei se por falta de experiência opositora (sempre foram Governo!), não conseguiram, em momento algum, convencer alguém das indignações que os afligiam (vide o fiasco quase constrangedor do Movimento Cansei, em SP).

A Veja até que tenta com um afinco inacreditável sujar o nome do presidente e desacreditar o governo atual, mas a única coisa que consegue é jogar décadas de respeito na lama. Ninguém mais acredita no que a Veja diz. A credibilidade da revista, outrora tão imponente, virou pó. A Folha anda comendo do mesmo mingal e periga ir para o mesmo limbo, é bom começar a pensar nos anos gastos para limpar a empresa das associações inevitáveis com a ditadura militar. Senão...

O Estadão é o que é e sempre fez questão de o ser, portanto, um veículo feito para as propostas que oferece com propriedade: sempre foi neoliberal e acha que o PT come criancinhas, nunca disse pensar o contrário ou pregar isenção mascarada. Ler o Estadão pode causar náuseas, mas você jamais será enganado e o comerá sem ilusões.

As Organizações Globo... Bem, a Globo tinha por objetivo fazer do mundo um imenso BBB, editando aqui, omitindo ali, criando acolá, mas alguma coisa deu imensamente errada no povo brasileiro. Eles... Nós começamos a perceber que podemos (e devemos) votar por conta própria. Como escreveu Maurício Dias, em sua coluna Rosa dos Ventos, na Carta Capital:

“A vitória da Dilma, se confirmada, jogará por terra, mais uma vez, a influência da mídia sobre eleitores de renda mais baixa e de menor escolaridade. É um mito alimentado pelo preconceito. A imprensa brasileira, em ação implacável contra a candidatura Dilma, talvez aprenda que pobres e ricos só votam por interesse concreto. Voto ideológico, à esquerda ou à direta, é instrumento político de minoria.”

Acrescento um pitaco de cebola neste tempero já excelente: a classe economicamente baixa descobriu um governo que, apesar dos pesares, olha para ela, compreende as suas dores de barriga e tenta, mesmo no insucesso, ajudar.

Não adianta tentar cortar a cabeça de um governo comprovadamente (e o mais desesperador: infinitamente) melhor que o antecessor. Os assessores do Serra precisavam saber disso. Como “meter a porrada” num governo que, se comparado com o (dês)governo FHC, dá de goleada? Como dizer que a Dilma não pode ser presidenta porque falta a experiência que tem o político Serra? Esqueceram-se todos do Lula? Que credenciamento / experiência tinha o Lula?

Falta apenas um mês para a eleição. Com 2º turno ou não, a lição ficou clara em dois atos:

1) A mídia ocupa, hoje, o lugar que é dela por direito – INFORMAR E ENTRETER. Se confundir e misturar as duas coisas com irresponsabilidade, mudamos o canal ou desligamos a tv para tomar cerveja e jogar sinuca. Acabou o tempo dos gigantes e pseudo-intelectuais com as suas opiniões sobre tudo. Bonner rima com Homer, só isso.

2) Serra gastou muito tempo atacando a Dilma. Errou feio. O governo Lula carece de “n” frutos. A desigualdade no Brasil continua enorme, os hospitais são esparadrapos podres e elefantes brancos, a violência está descontrolada, a corrupção é quase cláusula contratual para ser político brasileiro. O país ainda é injusto e sofre, bastante, com a impunidade generalizada, contudo, todos os governos sofreram disso e, ao que tudo indica, agora o povo sabe disso. Mostrar a bunda do inimigo e esquecer de limpar a própria de nada adianta.


OBS.: a internet contribui, e muito!, para isso, sem dúvida!

sábado, 4 de setembro de 2010

Iraque, guerra encerrada

Imprensa fez que não viu

Por Alberto Dines em 3/9/2010

Sobre comentário para o programa radiofônico do OI, 3/9/2010

A primeira guerra do século 21, iniciada em 7 de outubro de 2001 com a invasão do Afeganistão, ainda está em curso, nove anos depois. A segunda guerra do novo século, contra o Iraque do tirano Saddam Hussein, foi formalmente encerrada na terça-feira (31/8), quando o presidente Barack Obama cumpriu a promessa eleitoral e declarou encerradas as missões de combate no país.

Nenhum dos jornalões brasileiros destacou a data nas capas e os registros nas páginas internas foram irrisórios. Sete anos e meio de uma guerra total (20/3/2003 a 31/08/2010), meio milhão de mortos civis, o país destroçado por uma guerra religiosa infindável, o caos político implantado e ao cidadão brasileiro não se oferece a oportunidade de perceber a importância do que ocorre à sua volta.

O fato de que permanecem no Iraque 50 mil militares ianques para garantir a segurança do país não é justificativa para o desleixo do noticiário.

Quando a Segunda Guerra Mundial acabou na Europa (8 de maio de 1945), um contingente muito maior de soldados americanos, ingleses e russos permaneceu na Alemanha para garantir o fim das hostilidades.

Barril de pólvora

Ainda que as conseqüências da aventura militar iniciada pelo presidente George W. Bush se prolonguem por uma ou duas décadas, o anúncio feito por Obama seria uma excelente oportunidade para que a mídia reexaminasse a sua vexatória participação no engodo mundial que culminou com a catastrófica invasão do Iraque.

Saddam Hussein blefou durante quatro anos a respeito da posse de armas de destruição massiva, Bush, sua claque e o boboca Tony Blair se deixaram enganar e logo depois constatou-se que no Iraque não havia qualquer traço de armas atômicas, nucleares ou biológicas.

O fiasco político-midiático não deveria ser lembrado na terça-feira (31) quando Obama declarou que encerrava o engajamento americano nos combates?

A invasão do Iraque exacerbou definitivamente o confronto entre xiitas e sunitas, tornou todo o mundo islâmico um grande barril de pólvora, e aqueles que deveriam fazer cobranças distraíam-se com irrelevâncias.

O mundo vai mal porque a imprensa já não sabe o que importa nem consegue apontar o que é transcendente

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Nem o Noblat acredita mais...


Se foi o PT que articulou o vazamento das declarações de renda da Receita Federal, então é melhor extinguir partido tão “aloprado”, tão burro e genocida. Contudo, acredito que há uma dose de falsidade ideológica no próprio banditismo.

O Noblat concluiu o futuro do caso no seu VídeoBlog e, apesar das raspadas que dá, parece-me definitiva: tal escândalo, às vésperas das eleições não repetirá a mesma alopração da eleição passada, quando Geraldo Alquimista conseguiu levar para o 2º turno a decisão – com doses de ajuda entorpecedora da mídia. Infelizmente, Mr. Serrote não consegue emplacar nada. Ele fala bem do Molusco, a Dilma Furacão cresce; ele fala mal do Molusco, a Dilma Raio dispara; enfim, Mr. Serrote está fodido pela sombra do Fernando Collor Henrique de Melo Cardoso, e desamparado pelos monstros do PSDBesta e DEMoníacos. Não tem jeito.

Claro que o caso da Receita é uma tentativa desesperada de estuprar o 1º turno da Dilma Trovão e ganhar tempo para que a mídia consiga juntar PCC, CV, ADA, PQP, FDP, num só conglomerado para explodir as grandes metrópoles do país.

Eu tenho uma idéia muito melhor que fará o Serrote subir nas pesquisas: é só dizer que a Dilma Dinamite, na verdade, é o José Serrote com plástica pra cacete! É a sina do Serrilho, crescer invariavelmente para baixo!