quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Vamos para a festa, Baco!

Hino de exaltação à Mangueira 

Enéas Brites Da Silva / Aloísio Augusto Da Costa 

Mangueira teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou, ô, ô
O morro com seus barracões de zinco
Quando amanhece que esplendor

Todo mundo te conhece ao longe
Pelo som dos teus tamborins
E o rufar do seu tambor!

CHEGOU, Ô, Ô, Ô, Ô
A MANGUEIRA CHEGOU, Ô, Ô...
(BIS)

Mangueira teu passado de glórias
Está gravado na história
É Verde e Rosa a cor da tua bandeira
Pra mostrar a essa gente
Que o samba é lá em Mangueira!

Mangueira teu cenário é uma beleza
Que a natureza criou, ô, ô
O morro com seus barracões de zinco
Quando amanhece que esplendor

Todo mundo te conhece ao longe
Pelo som dos teus tamborins
E o rufar do teu tambor!

CHEGOU, Ô, Ô, Ô, Ô
A MANGUEIRA CHEGOU, Ô, Ô...
(BIS) 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A inquestionável partidarização da imprensa


MÍDIA & POLÍTICA
Por Venício A. de Lima em 29/01/2013 na edição 731


Se o leitor (a) ainda precisa de alguma comprovação sobre o comportamento partidário dos jornalões brasileiros, sobretudo nos períodos eleitorais, recomendo a leitura do excelente A Ditadura Continuada – Fatos, Factoides e Partidarismo da Imprensa na Eleição de Dilma Rousseff, resultado de uma cuidadosa pesquisa realizada por Jakson Ferreira de Alencar, recentemente publicado pela editora Paulus.

O livro se concentra na cobertura política oferecida pelo jornal Folha de S.Paulo e parte da divulgação da falsa ficha “criminal” dos arquivos do Dops da militante da VAR-Palmares Dilma Rousseff, então pré-candidata à Presidência da República, em 4 de abril de 2009.

Jakson Alencar faz um acompanhamento minucioso de todo o caso, ao longo dos três meses seguintes, registrando a “semirretratação” do jornal, em matéria antológica para o estudo da ética jornalística, na qual se reconhece como erro “tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada” (p. 67).

Chama a atenção no episódio a “condução”, pela repórter da Folha, da entrevista – que mais parece um interrogatório – realizada com Dilma. Há uma indisfarçável tentativa de comprovar a hipótese do jornal de envolvimento da entrevistada não só com o sequestro (não realizado) do então ministro Delfim Netto, mas também com a luta armada. A entrevista de outro militante, Antonio Espinosa, usada como suporte à tese do jornal, jamais foi publicada na íntegra, apesar de os trechos publicados haverem sido reiteradamente desmentidos pelo entrevistado.

Jakson Alencar mostra, com riqueza de detalhes, o comportamento arrogante do jornal, ao tempo em que a própria Dilma tratava de comprovar a falsidade da ficha, além do descumprimento sistemático de seu próprio Manual de Redação. Fica clara a “tese central de toda a reportagem, segundo a qual a resistência à ditadura é criminosa, e não o regime totalitário e violento, implantado de maneira ilegal” (p. 95) e, mais ainda, que essa tese “continuou sendo difundida em muitos veículos da imprensa brasileira durante todo o período da campanha eleitoral de 2010”.

“Hipóteses furadas”

A segunda parte do livro trata do período da campanha eleitoral, de abril a agosto de 2010. Aqui o ponto de partida é o 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, promovido pelo Instituto Millenium, em março. Como se sabe, essa ONG é um dos think tanks da direita conservadora brasileira, financiado, entre outros, pelos principais grupos da grande mídia. Segundo Jakson Alencar, teria surgido nesse fórum a “Operação Tempestade no Cerrado”, que orientaria a cobertura política dos jornalões e teria como objetivo impedir a eleição de Dilma Rousseff (p.105).

Concentrado na Folha de S.Paulo, o livro mostra o esforço cotidiano para ressuscitar escândalos passados e a busca de novos escândalos do governo do PT, além de tropeços e temas negativos relativos a Dilma. Paralelamente, o tratamento leniente e omisso dispensado ao candidato do PSDB.

Na terceira e última parte, o livro aborda a “Operação Segundo Turno” e cobre o período que vai de 26 de agosto a 3 de outubro. A partir do momento em que as pesquisas de intenção de voto confirmam a tendência de eleição de Dilma, tem início “uma maciça ação da imprensa contra a candidata às vésperas da eleição e uma chamada ‘bala de prata’, com o intuito de alterar os rumos da campanha” (p. 145).

Destacam-se nesse período “acusações, ilações e insinuações que viraram condenações sumárias” (p. 147), sobretudo o caso do suposto “dossiê” preparado pelo PT sobre dirigentes tucanos, com dados fiscais sigilosos, e o “escândalo” envolvendo a então substituta de Dilma na Casa Civil (registro: o Tribunal Regional Federal da 1ª Região arquivou o processo contra Erenice Guerra por suposto tráfico de influência, depois de acatar recomendação do Ministério Público Federal e por decisão do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em 20 de julho de 2012).

Nas suas conclusões, Jakson Alencar afirma que “a cobertura (da Folha de S. Paulo) (...) misturou frequentemente fatos com opiniões e boatos, somando-se a isso outros elementos, como torcida, manifestação de desejos travestidos de informação, argumentação frágil e com pouca lógica, estratégias óbvias e já desgastadas pelo uso repetitivo em diversas eleições, incapacidade de analisar processos econômico-sociais para construir posicionamentos e críticas com um mínimo de sofisticação; teses e hipóteses furadas; narrativas e entrevistas enviesadas; fontes de baixíssima credibilidade” (p. 252).

Manual desobedecido

Curiosamente (ou não?), na mesma época em que a Paulus publicava o livro de Jakson Alencar, a Publifolha lançava na Coleção “Folha Explica” o livro sobre a própria Folha, escrito por Ana Estela de Souza Pinto, ela mesma jornalista da casa desde 1988. Neste, o “erro” do episódio da ficha falsa de Dilma no Dops merece registro em função do “fato de a Folha ter voltado sua bateria investigativa para todos os governantes, de diferentes partidos”. Segue-se um parágrafo que reproduz a “retratação” que a Folhaofereceu, já citada, na qual, apesar de todas as evidências em contrário, se afirma que a autenticidade da ficha do Dops “não pode ser assegurada – bem como não pode ser descartada”. Nem uma única observação sobre a cobertura partidária das eleições de 2010.

O resultado de tudo isso, como se sabe, é que Dilma Rousseff – apesar da grande mídia e do seu partidarismo – foi eleita presidenta da República.

A Ditadura Continuada – Fatos, Factoides e Partidarismo da Imprensa na Eleição de Dilma Rousseff, de Jakson Alencar, demonstra e confirma o que já sabemos: os jornalões brasileiros, além de partidarizados, não têm compromisso nem mesmo com seus manuais de redação.

***

[Venício A. de Lima é jornalista e sociólogo, pesquisador visitante no Departamento de Ciência Política da UFMG (2012-2013), professor de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor de Política de Comunicações: um Balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012, entre outros livros]

 

Reproduzido da revista Teoria e Debate nº 108, janeiro/2013



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O amor e a fadiga


Foi quando o mundo ficou nas trevas que ele evoluiu. Ele queria, mesmo, era estar em Sunset, pegando uma daquelas maravilhosas ondas que dropam na sua alma, mas ele estava longe de tudo e de North Shore. Estava dentro de outras águas, outros mares. Estava nas águas escuras de Maria que é Mar, emoção, volume de sentimentos, Pipeline bíblico. Foi quando o som parou que ele descobriu. Olhou ao seu redor, o vento batia sudoeste, a chuva chegaria numa questão de tempo, mas a verdade é que o som havia parado. Era como entrar num tubo e só sentir a pressão dos milhões de litros d’água, abraçando, sussurrando fantasmagórica, entorpecendo, como espumante em festa de ano novo. A evolução que acontece no silêncio tem as suas próprias características e trajetos. Ela vem aos poucos, galopando lentamente, certezas que não se encontram num instante, não têm zelo ou portam espadas; E o tempo, quando muito demorado, transforma-se em ar rarefeito, assim como a esperança, quando se demora demais, tende a virar mais veneno que bálsamo. A descoberta rápida é fruto da perspicácia. A descoberta demorada é corrupta e aniquiladora do espírito. O último a saber é sempre o babaca, nunca o herói. E foi nesta amálgama de fé e merda que ele evoluiu, como uma flor furando o tédio, o nojo e o ódio, rompendo o asfalto, os vasos emancipados de uma mulher querendo jorrar petróleo, como Drummond e Clarice, foi na dor irresistível e pulsante que ele evoluiu, compreendendo a mágica, o amor que vem com os nervos doloridos e cansados. Ele queria, mesmo, era estar com os pés na areia, o cheiro do mar entrando pelos poros, a bermuda emborrachada, a pele castigada pelo sol, os olhos centrados na imensidão do pêndulo de Foucault, a parafina dourando os cabelos. Contudo, às vezes, o amor brota do caos, da criação divina, vem na dor do espinho, na compreensão da fadiga. Foi quando o câncer venceu que ele percebeu estar vivo nos olhos da sua filha.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Conto de ano novo



          Passou a mão na chave, deteve-se por alguns segundos como que esperando o milagre da tecla “esc” ou coisa parecida, mas nada voltou ao lugar de outrora; a chave pulou para o seu bolso e a maçaneta rodou. Queria estar mordendo àquelas ancas em forma de coração, suadas e morenas, queria observar os seios fartos que preguiçosamente se movimentam quando ela esta por cima, queria poder dizer que morder e suar com ela era a coisa mais profunda e filosófica que ele já experimentara em vida.
Mesmo querendo uma coisa, fez outra e, com passos imprecisos, idiotamente atravessou a rua para nunca mais voltar. Quando ligou o carro percebeu que precisava caminhar até se perder na penumbra e, como um homem de verdade, chorar. Dirigiu por intermináveis dois quilômetros e largou o carro em um desses estacionamentos sem cobertura próximos à orla. Caminhou sem conseguir chorar, mas estava destruído, estilhaçado, um fuxico sem costura. Os pés na areia e a cabeça encharcada, era um turista dentro de si.
Claro que, assim como as rochas e montanhas mais altas, o gelo polar e as curvas poderosas de Niemeyer, nada é tão devastador e dolorido quanto o tempo. O tempo acaba com qualquer valor qualitativo e quantitativo para a dor. O tempo, infelizmente, pinga felicidade no “Trocando em Miúdos”, do Chico, faz troça com o sofrimento e é tremendamente indelicado com a miséria da alma alheia. O tempo, senhores, é um anti-romântico inveterado!
Portanto, como qualquer mortal que sofre e chora por amor, um dia ele acordou com uma leve sensação de virulenta alegria e descambou, com uma taça e um espumante para as areias de Copacabana aguardar o ritual de ano novo. Os belíssimos fogos e os humanos de branco lembravam algo indígena, levemente adocicado. E aqueles fogos, aquela gente, aquela noite, aqueles sorrisos, aquelas garrafas enterradas na areia...
Acordou com alguma dor de cabeça e uma linda negra ao seu lado. Como chegara ao seu apartamento? Não fazia a mínima ideia, apenas tomou um banho, um café rápido e uma aspirina americana, pensou no tempo e nas músicas de Vinícius, pensou na felicidade como uma gota de orvalho numa pétala de flor e voltou pra cama com café e torradas.
- Já acordou? Feliz ano novo!
- Posso morder a sua bunda?

domingo, 18 de novembro de 2012

O sexo e o frigobar


Não era apenas a questão do sexo exalando no copo de chope brahma e na picanha ao alho servida ao ponto; era todo um contexto que se unia ao kama sutra da noite, diversificada e, vez-em-quando-sempre, prazerosa. Não era apenas a questão do sexo ou sobre o final em si mesmo; o que o encantava era toda a biblioteca de Babel e a maneira de conduzir o caminho das palavras, a resposta da pele ao toque, a mensagem que o corpo oferece ao oposto no cruzar dos braços e no sorriso que dilata a pupila.
            Dentro do seu próprio sistema, especializou-se nos cardápios dos hotéis do Rio de Janeiro. Sempre solícito e solicitado, sabia de cor os melhores pratos ou as melhores bebidas para uma pernoite regada a orgasmo e culinária. Bife a Cavalo? Hotel “X”. Risoto de camarão? “Y” hotel. Peito de frango grelhado? “A dica é o hotel tal, mas, cuidado!, se não for pegar a suíte “W”, com preço mais salgado, a refeição pode levar até 02 horas para ficar pronta!”
            As pessoas acessavam o seu blogue atrás de uma dica de, pasmem, quem dava um maior valor e diversificação ao frigobar. Ele ficou tão bom no que fazia que os próprios donos de hotéis espalhados pela cidade pediam conselhos e pagavam pelas preciosas informações. E ele aproveitou cada cortesia ganha, cada suíte e champanhe estourado nas ancas da parceira do momento.
            E assim fez a sua vida de forma momentânea. Sempre na epiderme do arrepio, um perfume importado na camisa polo Rauph Lauren vermelha; a calça jeans apertada dando o toque instigado por ele, sempre expondo seu falo de maneira direcionada. Era um caçador magnífico.
Dizem, inclusive, que foi assim que morreu: dois tiros na cabeça enquanto comia a mulher de alguém que não tinha tempo. Entre um camarão e uma vagina, ambos regados a azeite ou saliva.
Anos após a sua morte, o blogue continuava sendo acessado; como um gourmet cafajeste, uma suíte vazia ou uma cantiga de escárnio.

domingo, 2 de setembro de 2012

O ouro e la plata

Aldir Blanc
Jornal O Globo, Domingo, 02 de setembro de 2012, pág. 15

Pro heroico labrador Batuque, sempre.


Adio algumas abobrinhas sobre o bóson de Higgs e o faço porque nosso povo não merece que lhe atirem o penico de Montezuma na cara. Nunca foi tão simples ganhar o sonhado ouro no futebol masculino. Mas o Brasil de lo Hermano “Pancho” Menezes preferiu entregá-lo aos herdeiros de Zapata. E o fez de maneira bisonha.

Já havia complicado contra a Rutênia e Trinidad y Los Bagos, não lembro bem a ordem. Hermano convocou mal e escalou pior. Hermano se caracteriza por uma série de gestos cabalísticos na beira do campo. Essas mímicas já foram devastadas pelo ex-craque e comentarista Mário Sérgio. Quando a sinalização em código não rendia, Hermano se transformava em Herr Mano e ia berrar com o quarto árbitro. Talvez o ouro viesse se Neymar estivesse menos exausto de tantos comerciais, mas não creio. Com aquela caspa...

Uma constatação: como publicidade, salvo honrosas exceções, é burra!

Não percebe que, ao saturar a telinha com o mesmo sujeito anunciando carros, condicionador para pelos pubianos, etc., acaba provocando raiva no público-alvo. Até quando ganhamos, cacetada, levamos azar. Logo após o vexame, partimos para um amistoso naquele estádio sueco qualquer-coisa-Sunda, e os erros se repetiram. Aí, entrou o Pato, que tem se mostrado bom ponta de lança na zona do agrião da filha do Berlusca. O cara fez 2 gols, meio por acaso, em 5 minutos, inclusive batendo mal um pênalti e caindo sentado sobre as paparicadas nádegas. Hermano respirou até a Copa das Confederações. A verdade é que a torcida teve um único prazer: acompanhar a bola cheíssima de Thiago Silva. Também houve algum futebol de Rômulo, Oscar, e foi só. Uma palavrinha para Marcelo Se-Acha: marrento, desleal, pensa que é uma espécie de Nilton Santos pós-moderno. Nunca chegará aos meiões da Enciclopédia.

Ouvimos muito a respeito de mudanças radicais. Elas acontecem, mas só de dinheiro indo para o bolso de dirigentes vendilhões. Se o ouro não veio, sobrou la plata. Ela manda no esporte brasileiro faz tempo, e o aparelhamento do PCdoB no Ministério dos Esportes, que deveria se empenhar por melhor futuro para os atletas, vai dar com os burros albaneses na lama. Quando um homem honesto, tricampeão olímpico, José Roberto Guimarães, diz ao Trajano que só largaria o vôlei para montar um projeto esportivo nacional e não é imediatamente convocado para 2016, há algo de muito podre saindo pelo bóson da Rebellândia. Por isso, homenageei meu labrador, o Batuque, símbolo dos torcedores, tratados pelos cartolas como cães. Enquanto essa cúpula-cópula pensar primeiro em la plata, o ouro continuará na Terra do Nunca — ou do Núzman. Está chegando o Dia da Pátria. Os canarinhos, curvados ao peso de la plata gananciosa, enfrentarão o Burundi Setentrional. Hermano dirigirá nosso esquadrão. Pena. O povão, que ficou na saudade com o ouro de tolos, adoraria vê-lo, para glória de Nelson Rodrigues, montado por um Dragão da Independência.



Aldir Blanc é compositor

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Feliz Aniversário!



Ele poderia até ser o vilão dos que, por cima, estupraram, por 27 anos, a sua liberdade física.
Ele poderia até ser o líder que, no rancor, observa de cima da montanha do superhomem nietzscheriano os pretos engolindo os brancos.
Ele poderia ser deus e se aposentar naquele derradeiro instante em que o sol brilhou e ele saiu dos braços da prisão.
Escolheu errar e ser humano. Escolheu acolher a todos, sem ressentimentos ou revanchismos. Escolheu dar a cara a tapa. Escolheu. E as escolhas são assim, sem méritos ou previsões.
Eu o amo porque não faço ideia de como é estar na sua pele linda, negra e africana. Amo a sua característica de amar incondicionalmente, mesmo no ódio alheio. Amo-o porque sei jamais ser tão lindo.
Ele está muitos mil quilômetros de mim, mas eu o tenho aqui, como uma referência nas decisões, como a materialização da Democracia que tento ter ao meu lado, orientando-me nas horas sedentas da noite escura.
Madiba, feliz aniversário!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

13 de julho

Hoje, às 18 horas, haveria, se ainda existisse, um puta tributo ao Dia Mundial do Rock na rádio mais foda que já passou pelo Rio de Janeiro: Fluminense FM (A Maldita)!
A Maldita acabou, mas os seus órfãos ainda estão por aí... 
E esta música era "de lei" num dia como este!



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pára o mundo!


Para o mundo!
(Porra, o verbo parar sem o acento necessário mais parece que o texto é uma homenagem ao mundo... Esses letrados não sabem escrever).
Pára o mundo, porra!
(Agora, sim! Este palavreado chulo e este acento, jogados assim, como uma ejaculação... Olha, comoveu-me!).
 Pára o mundo qu’eu vou sair desse troço. O substituto do Demônies é o ex-marido da mulher do dono da Arca, responsável por essa melecada toda?
Pára, porra! Duvido o Costinha, lá de cima, inventar piada melhor que essa! É brincadeira, não é?
Não é? Então, pára!
Mas parece que eles não são amigos. A mulher trocou-o para morar na Arca e ele ficou magoado.
Ele vai depor na CPI (que descobriu que a revista óia está suja até os pentelhos, mas que jamais vai chamar o Victor Cívico Corleone) para dizer que jogou no veado e ganhou no burro.
Ele vai depor naquela CPI (que não vai convocar o Pedro A. Cabral porque, este, tem show do U2 para assistir na França) para dizer que não tem nada a dizer.
Chama o Glauber! Essa porra é Cinema Novo! Uma ideia na cabeça e muito dinheiro no bolso!
Posso terminar com duas perguntas bobas?
19 senadores votaram pela permanência do Demônio. Estavam convencidos da inocência ou com medinho?

terça-feira, 10 de julho de 2012

O sol e o gramado



O sol batia no gramado através do enorme luar acima da goiabeira. Parecia coisa de fotógrafo de filme hollywoodiano colocando filtro especial para que o dia parecesse noite. E ela estava totalmente inacreditável naquele vestido de gabardine tomara-que-caia sobre a grama, braços jogados acima do corpo e um semblante de satisfação excepcionalmente erótico. Os cabelos despojados, a pele aveludada que, sob o luar, refletia-o como as lâminas que o sol produz na água toda vez que ele atravessava a ponte Rio-Niteroi.
O sol batia no gramado e ela era toda luz quando disse que havia conseguido aquele apartamento tão sonhado, mobiliado, lavrado, escriturado. Ela disse de forma tão orgânica e vital que ele não percebeu o sangue se dissipar do rosto, tornando-o gelatinoso. Estremeceu diante da pergunta que inevitavelmente teria que fazer e fez: “mas como?” E ela, elevando as pernas em estado trigonal, deixando visível a sua calcinha branca e os pequenos pelos dourados da coxa, encarou o homem a sua frente e com apenas um fio de sorriso à la Mona Lisa vomitou de forma surpreeendentemente simples: “Ora, meu amor, você não se lembra daquele velho empresário?”
O sol batia no gramado e o fogo que, dentro dela, reluzia, nele era como o inferno que consome. Ele queria chorar e correr enquanto houvesse sol. Queria gritar ao mundo sobre o quanto ele era puro e honesto e, ela, uma vagabunda sem compaixão, uma rameira que não tinha respeito por nada e nem por ela mesma. Uma meretriz que se vende de forma nojenta e perniciosa. 
Por dias ele ficou vagando pelas ruas do Rio de Janeiro, sem precisão ou muita vontade de se barbear. Uns diziam que ele era um tolo, outros, que ele estava certo. Ele não dizia nada. E assim ficou por um tempo.
Um dia, quando ele assistia a Flamengo e Vasco pela TV aberta, ela entrou toda de seda e, sabendo a reação da seda em corpo diabolicamente perfeito e magnético, deixou-o cair pelo chão frio. Ele deixou o copo cair. Ela disse: “comprei aquele carro que sempre achei bonito”.
Ele, agora, mora no apartamento dela e, sempre que podem, atravessam a Ponte sentido Cabo Frio.
O velho comprou colchão d’água semana passada. 

domingo, 8 de julho de 2012

O Gato Escondido

Minha filhota, depois de olhar para a tela do computador por algum tempo sem nada fazer, encarou-me e disse: "Papai, me ajuda a fazer uma estorinha?"; mas eu queria fazer um churrasco pro almoço, estourar uma cerveja gelada, assistir ao jogo do mengão (péssimo futebol), enfim, encarei-a de volta e disse: "e por que você não faz sozinha? Você sabe contar estórias!"
A medida que uma página (ou foto no paint) ia ganhando forma escrita e desenhada, o churrasco perdia completamente a importância e a cerveja já havia ido para as cucuias... Coisa de gente que baba, mesmo; eu sou desses.
Minha filha ali no computador produzindo Literatura sozinha e o sentimento aquoso que a notícia do Gabriel G. Marquez fez inundaram-me.
A vida não é assim mesmo?
Quis corrigir e pontuar, mas, quer saber? Literatura é viva e movimenta-se. Deixa a gramática pra lá. Clarice tem 06 anos!