quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Ela

Cefaléia... Insuportável.

Murrinha, poliglota, que vem lá do cantinho e não explode nem pára, fica ali, simplesmente difícil, atravancando as idéias, impedindo a fluência do trabalho, a fluidez do sorriso. Um movimento mais brusco e lá está o prego no cérebro, berrando por silêncio e torpor. Um comprimido de aspirina ingerido e começa a guerra (!), travada com afinco por ambos os lados; um quer romper, o outro, aniquilar. Alguns minutos de dura e intensa comunhão de corpos imaginários, um sofá parece ser a única solução em momentos assim. O televisor ligado vomita qualquer programa, mas a atenção não está nele, pode ser o canal Discovery ou o telejornal exibindo a Terceira Guerra Mundial, tanto faz, a atenção está “para dentro”, boiando na sofreguidão do momento, agarrada à esperança do cessar. Aos poucos, a ranzinza e chata exclamação vai perdendo o sentido, bem devagar é possível focar no canal, é possível distinguir a imagem na tela e achar graça do José Trajano falando do seu América, é possível acreditar em vida após a cefaléia. Por prevenção, ingere outra aspirina junto ao suco de laranja esquecido na pia. E um novo mundo se abre, novos horizontes são possíveis. O domingo nem parece ser o porre que é. E tudo volta ao normal, o próprio Trajano parece melhor penteado, o Flamengo, outra vez, virou favoritíssimo à Taça Guanabara, o churrasco está garantido após a chuva e nada impede que a cerveja com “véu de noiva” seja reduzida a nada.

3 comentários:

Jens disse...

"existe vida após a cefaléia". Putz, Marcelo, não é "mol", como dizia a falsa malandragem de Ipanema. Minha herdeira sofre deste mal - uma merda.
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Dica: no endereço abaixo uma crônica do LFV falando sobre racismo e eleições nos EUA. Vale a leitura, não tanto pela que fala de lá, mas pelo que diz de nós. Um abraço.

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a1772615.xml&template=3916.dwt&edition=9339§ion=812

Marcelo F. Carvalho disse...

Jens, o pior é que o Luís está certo. Infelizmente, neste caso, os americanos são infinitamente superiores. Enquanto não resolvermos nossa diferença: que é aceitar nossa igualdade (perdão pelo trocadilho), seremos todos uns hipócritas.
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Abraço forte!

sandra camurça disse...

teu texto é uma delícia! mas a cefaléia...:-(

Um beijo.