quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

A sensação

...às vezes é na rua mesmo, dentro de um ônibus, passeando pelo calçadão, assobiando – mãos nos bolsos – ou olhando o nada; uma coisa estranha começa a apertar o estômago, parece que vou enjoar, mas nada vem à boca, nem o molhado extremo e salgado, nem a sensação de vazio; do estômago vai para o peito e beira à agonia fina e descomprometida, uma vontade de abandonar o barco, descer do ônibus e pegar um avião, sem rumo, sem lenço, sem nada; de repente é tudo ao mesmo tempo, as sensações beiram aos sentidos ativados. É quando sei que não adianta muita coisa, olhar para os lados, para o céu ou teto, contar postes, controlar o pensamento: você vai surgir de algum lugar e eu vou ficar quase paralisado, embriagado com a sua forte presença, seu sorriso suave, quase em câmera lenta, seu dentes alvos que não fumam (ao contrário dos meus), seus olhos que, por vezes, ficam esverdeados ao sol, revelam um castanho misterioso e macio. Faço sinal no próximo ponto e não consigo descer, um sujeito que não entende nada de amor pigarreia nas minhas costas para que eu desça ou dê passagem. Desço. Ouço Chopin em algum lugar, preciso de um café, engolir o cigarro, preciso sumir. A sensação diminui aos poucos e percebo que você se distancia e isso é bom porque poderei andar outra vez, poderei procurar você, poderei ir à sua casa e não tocar a campainha, sentir um vento distante e triste, mas assumir o controle, imaginar o que poderia ter dito, feito, tudo dentro da insanidade sã dos “subterfúgios” pensamentos. Não lhe encontrar é a minha forma de continuar amando e no controle.

2 comentários:

Acantha disse...

Sem fôlego aqui, MARCELO!!! Lindo, lindo, lindo, lindo...

Vais disse...

Olá Professor,
rapá, que emoções!!!!!!
Ei Marcelo, controlar a fazer bubiças, sorrisos
Boa, boa, boa essa daí de cima do Moacy, e linda a fotografia.
abração