quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Nosso eterno 16 de julho

Esta eu garimpei no blogue do Juca Kfouri:
Por ROBERTO VIEIRA

Um dia nós fomos invencíveis, imortais. A pátria de chuteiras enfeitou-se toda para comemorar em um domingo de sol, muito sol o título de campeões do mundo.
E perdemos.
Era um 16 de julho. O ano pouco importa na verdade. Podia ser até um 5 de julho em Sarriá.
E elegeram um culpado para o desastre: Barbosa, o goleiro.
Em toda nossa história esportiva, filosófica e política houve apenas um condenado: Barbosa.
Barbosa que não adivinhou o canto no primeiro gol no Maracanã. Uma bomba indefensável de Schiaffino.
Barbosa que saltou atrasado no chute de Gighia.
Mas Barbosa fez inúmeras defesas em sua vida. Defesas que dariam para compensar com folga qualquer falha daquele 16 de julho de 1950.
Só que o Brasil nunca perdoou Barbosa. Ele foi cassado pelo Senado e pelo Povo Romano, digo Brasileiro. Esse senado que não me sai da cabeça...
Hoje o Brasil sofreu outro gol de Gighia. Mais um. Eu já perdi a conta de quantos foram.
Teve gol de trivela no 31 de março de 1964.
Teve gol por baixo das pernas no 25 de abril de 1984.
Teve gol impedido em março de 1990. Feito por uma senhora de saias e um senhor narigudo é verdade (FOTO).
Pois é. Hoje teve gol secreto. Mas o juiz validou e correu para o meio de campo. A torcida silenciosa não poupou vaias, mas quem já viu juiz voltar atrás em sua decisão?
Na Dinamarca o Príncipe Hamlet se pergunta: 'Saber ou não saber, eis a questão!'
E o moço do placar foi lá contra sua vontade mudar o marcador.
40. 40. 40. 40. 40. 40. 40. 40. 40. 40. 40. 40.
Quarenta gols marcados em nossas redes.
Como não houve transmissão ao vivo, via satélite ou coisa que o valha não posso dizer se os quarenta comemoraram abraçados no congres... digo estádio.
Pode ser que sim, pode ser que não.
Pra mim pouco importa na verdade.
Mas quando a torcida não topar mais pagar ingresso, vestir camisa, confeccionar faixa e torcer nas arquibancadas desse país tropical abençoado por Deus, não venham reclamar que o povo não entende essa tal democracia.
Cá pra nós, eu só tenho pena mesmo é do Barbosa. Ele era muito, muito, mas muito melhor que qualquer um destes senhores de terno, gravata e mandato.
Ah, esse ano o 16 de julho caiu no dia de hoje.
Coisas do Brasil.

3 comentários:

Jens disse...

Cara, garimpaste ouro puro. Excelente o texto do Juca.
***
Thanks pela deferência aí embaixo.
Um abraço.

Moacy Cirne disse...

Sim, Barbosa era muito melhor...

sandra camurça disse...

Genial! ;)

Beijos.