sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Professor Halem se despede, infelizmente

28 de Novembro de 2008


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"Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha
Depois, de cada vez que que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha"
Mario Quintana

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Devia ter feito isso meses atrás, mas a minha pusilanimidade e um certo comodismo mental adiaram a decisão. Fato é que este Ração das Letras morre hoje, em definitivo. Verdade que já estava moribundo; dou-lhe agora, contudo, a extrema-unção. Eu, que nunca fui alegre, perdi até o contentamento de escrever aqui sobre Literatura, essa dimensão da vida humana que sempre me resgatou e redimiu. Agradeço aos visitantes e blogueiros de minha estima pelas vezes em que tentamos nos compreender através da palavra escrita; não os esquecerei. Deixo a blogosfera porque a desprezível e abjeta vida que tenho fora dela ameaça invadir o espaço virtual. Peço perdão aos que perderam seu tempo lendo as bobagens que freqüentemente impingi ao leitor eventual, neste blog medíocre e limitado, não obstante pretensioso. Talvez só merecesse permanecer por essas bandas se fosse para manter um site que atacasse a ganância escandalosa das instituições bancárias ou relatasse o descaso em que vivem os profissionais da educação. Mas quem está interessado em ler isso?

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E assim, sem muitas delongas, um grande blogue se despede. O professor Halem, vulgo Quelemém, era parada obrigatória para os que apreciam uma boa conversa sobre a boa literatura e suas reflexões.
Pena.
Horrorismo
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Sérgio Malbergier
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Hisashi Tsuda, empresário japonês de 38 anos, pai de dois filhos, estava fazendo o check-in no hotel Oberoi, em Mumbai, quando tomou três tiros, no abdome, no peito e na perna. Morreu no hospital. "Era um jovem promissor", disse em Tóquio o presidente da empresa para a qual trabalhava.
Um alemão, um australiano, um inglês, dois franceses, dois americanos e muitos indianos estão também entre as dezenas de inocentes bestialmente mortos no ataque terrorista contra Mumbai, o centro econômico da Índia, que teve o seu 11 de Setembro nesta semana.
Um dos principais fracassos de Bush foi na promoção da justa guerra contra o terrorismo, que ele traduziu para o mundo como a invasão desastrada do Iraque, as torturas em Abu Ghraib e as ilegalidades de Guantánamo, alienando aliados.
Mas, como os ataques contra a metrópole indiana rebatem mais uma vez, o terrorismo segue como forte ameaça à estabilidade global e fonte de iniqüidades inaceitáveis nas vésperas da posse de Barack Obama na Casa Branca.
Não poderia ser diferente. As condições que geraram a onda terrorista no mundo muçulmano estão praticamente intactas. Os países islâmicos seguem quase todos ditaduras fechadas, principalmente no mundo árabe, que oprimem a população, a economia, o conhecimento, as mulheres, as diversidades, as liberdades.
Uma das poucas coisas toleradas, num pacto de governabilidade sufocante, é a intensa atividade religiosa, crescente em pleno século 21. Há muito mais mulheres no Cairo hoje que se cobrem com o véu do que há 40 anos.
O islã tornou-se válvula de escape e de dignidade diante de regimes autocráticos e corruptos. Mas esse caldo fervoroso pariu também o islã radical e niilista da Al Qaeda e de outras centenas de grupos extremistas que vestem crianças de cinco anos como meninos-bomba para desfilar em paradas sob aplausos efusivos do público!
A legitimidade dessa turba assassina diante de milhões e milhões de muçulmanos é assustadora e deprimente. A aceitação de seu discurso de ódio e destruição, onde o não-muçulmano é o infiel a ser combatido, o judeu é o porco, o cristão, o cruzado, choca.
Em Mumbai, símbolo da explosão de crescimento e da vitalidade indiana e uma das histórias felizes deste século, os terroristas, segundo relatos, riam na execução da carnificina, disparando catarticamente contra tudo e todos e buscando estrangeiros, principalmente americanos, britânicos e, como sempre, judeus.
Analistas tentam explicar essa banalização do mal em curso no islã radical: na Índia, são os problemas da Caxemira e de uma minoria em meio a centenas de milhões de hindus; no Iraque, a ocupação americana; nos territórios palestinos, a ocupação israelense.
Mas não são essas as explicações para ataques indiscriminados contra civis em pizzarias, hospitais, ônibus, hotéis, com rituais de degola de reféns indefesos expostos com orgulho na internet, ao som de hinos religiosos e heróicos.
A explicação é muito mais profunda e está dentro do mundo islâmico, não fora dele. A verdadeira "jihad" (guerra santa) de Osama Bin Laden nunca foi contra a América e os infiéis, mas pelo trono de Meca, centro do islã sob o comando da família real saudita, que ele chama de corrupta e vendida aos cruzados do Ocidente.
Os atos terroristas nem têm mais reivindicações específicas. Promovem o horror pelo horror, no que o célebre romancista inglês Martin Amis chamou de horrorismo em célebre ensaio para o jornal "Observer", em 2006.
Nada mudou desde então. O horrorismo segue aceito em grandes círculos, fazendo mais vítimas inocentes (a maioria de próprios muçulmanos, no Iraque, no Afeganistão, no Paquistão).
É uma ameaça global, e a resposta a ele tem de ser global. Quem sabe Obama, chamado na semana passada de "escravo negro a serviço dos brancos" pelo número 2 da Al Qaeda, Ayman Al Zawahiri, poderá promovê-la melhor.
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Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.E-mail: smalberg@uol.com.br

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mídia se cala sobre o acordo do governo com a Santa Sé
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O Observatório da Imprensa exibido na terça-feira (25/11) pela TV Brasil e pela TV Cultura discutiu a cobertura dos meios de comunicação sobre o acordo firmado no dia 13 de novembro entre o governo brasileiro e a Santa Sé, assinado durante a recente visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Vaticano. A mídia ofereceu pouco espaço ao acordo, que pode ferir o princípio do Estado laico. O tratado, que confere formato jurídico às relações entre o Executivo Brasileiro e a Igreja Católica, tem pontos polêmicos.
O acordo prevê, por exemplo, o ensino religioso nas escolas públicas, com presença facultativa, e a possibilidade da anulação do casamento civil no caso o matrimônio religioso ser desfeito. Participaram do debate ao vivo, no estúdio do Rio de Janeiro, o reverendo Guilhermino Silva da Cunha, pastor da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, e a cientista política Roseli Fischmann. Em Brasília, participou o representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Hugo Sarubbi Cysneiros.
No editorial que inicia o programa, o jornalista Alberto Dines classificou a atuação da mídia como "embargo noticioso ou auto-censura". O acordo foi mantido sob sigilo porque infringe o espírito e a letra da Constituição Federal. Além de os jornais não terem dado destaque à assinatura do acordo, a mídia eletrônica evangélica não protestou. Na avaliação de Dines, os grupos evangélicos têm sido privilegiados pelo governo de outras formas. "Significa que no lugar de seguir a Constituição e estabelecer completa separação entre estado e religião, o Brasil inventou uma forma original de administrar o conflito religioso, oferecendo vantagens às confissões religiosas mais poderosas", avaliou.
"E como ficam os secularistas e agnósticos que acreditam que um estado democrático deve ser obrigatoriamente laico? E as outras confissões religiosas afro-brasileiras, como o candomblé, não deveriam entrar no bolo de privilégios? Estamos na contramão do mundo desenvolvido e nossa imprensa, esquecida dos três séculos de censura absoluta antes de ser autorizada a funcionar, teve um surto de saudosismo e voltou a experimentar as delícias da auto-censura", criticou o jornalista.
Na reportagem exibida antes do debate ao vivo a repórter especial da Folha de S.Paulo, Elvira Lobato, estudiosa das questões que envolvem as concessões de radiodifusão no Brasil, explicou que o Código Brasileiro de Telecomunicações é da década de 1960. A norma não permite que denominações religiosas detenham concessões canais de rádio e TV mas, na prática, grande parte das igrejas conseguem burlar a lei. Algumas não são concessionárias, mas arrendam o espaço em emissoras privadas o que "para efeito de mercado dá no mesmo" porque levam a mensagem ao fiel. Já o fenômeno do altar eletrônico, que vêm crescendo continuamente, passou a ser uma importante fonte de renda para as emissoras privadas.
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Igreja Católica, um tabu para a imprensa
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No debate ao vivo, Roseli Fischmann comentou que a imprensa tem dificuldade de tratar do acordo. A cientista política relembrou que em maio de 2005, durante a visita do Papa Bento XVI ao Brasil, a Folha de S.Paulo estranhou que estava sendo preparado um acordo sigiloso entre os dois Estados e dizia que se o tratado envolvia governos e sigilo é porque "devia ser ruim". Mesmo com o posicionamento crítico em relação ao tema, o jornal abriu espaço para a Igreja Católica manifestar-se. Fischmann comentou que a imprensa trouxe importantes vitórias para a cidadania ao mobilizar a sociedade na discussão da implantação do Feriado Nacional por conta da canonização de frei Galvão e sobre um projeto ligado ao ensino religioso nas escolas paulistas.
Dines pediu ao representante da CNBB esclarecer se a Constituição Brasileira é secularista. Hugo Sarubbi Cysneiros comentou que a Carta Magna invoca Deus em seu preâmbulo, mas é laica. O Estado não é ateu, nem professa uma religião específica. O advogado ressaltou que o projeto de acordo entre a Santa Sé, como Pessoa Jurídica de Direito Internacional Público, e o Estado brasileiro não privilegiou a Igreja Católica, mas respaldou o estatuto jurídico desta religião.
O Estado brasileiro vê no laicismo positivo "um caminho" e reconhece na religião e na crença "algo que faz parte do ser humano" e que pode ser exercitado pelos cidadãos como um Direito. Dines ponderou que a citação a Deus no preâmbulo da Constituição não chegou a ser uma profissão de fé religiosa, foi apenas uma intervenção pessoal do então presidente José Sarney. Não comprometia o caráter secular que previa a separação entre o Estado e as crenças religiosas.
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O acordo é constitucional?
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O reverendo Guilhermino Silva da Cunha acredita que a separação entre Igreja e Estado é "absolutamente saudável" e preserva a liberdade religiosa. De acordo com o religioso, esta separação foi preconizada pelo próprio Jesus Cristo na Bíblia, ao dizer, por exemplo, "meu Reino não é deste mundo" entre outras passagens. O pastor afirmou que os dois Estados que celebraram o acordo envolvendo apenas uma expressão religiosa atacam frontalmente a Constituição no Artigo 19 porque este proíbe alianças entre o governo e cultos religiosos ou igrejas. "A celebração do acordo fere nosso diploma legal maior. Não apenas agride as expressões religiosas, como também fere a Constituição", criticou. O reverendo tem esperanças de que o Congresso Nacional não referende o acordo.
"Mesmo que existisse um único cidadão de outra religião ou ateu ele teria todo o Direito de exercer sua escolha", disse Roseli Fischmann. O Estado laico tem o dever de preservar o Direito de todos independente do número de pessoas que optem por determinada crença. A cientista política frisou que o Brasil apresenta um grande pluralismo religioso e que, por isto, é inaceitável um acordo internacional com uma única religião. Neste caso, as demais estão sendo preteridas. "O Estado precisa proteger para que todos se sintam respeitados", avaliou.
Dines comentou que a Santa Sé queria "abafar" o acordo sem a "oxigenação de uma sociedade democrática". O representante da CNBB não concorda que a sociedade tenha sido ludibriada nem que a Igreja seja manipuladora. "O sigilo não foi a bandeira, não foi o meio nem o fim do tratado". O advogado considera que falar em sigilo de um tratado internacional em um país com as características do Brasil é um contra-senso porque a sociedade pode examinar o teor do acordo quando este é submetido ao Poder Legislativo. Cysneiros destacou que a Constituição Federal fala de Deus em outros artigos, não só no preâmbulo.
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O silêncio da mídia como sintoma
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O advogado da CNBB disse que o tratado não foi firmado com a Igreja Católica e sim com a Santa Sé, que é um Estado soberano. Se, por questões históricas, as outras religiões não têm personalidade de Direito Internacional Privado, não há como estas celebrarem tratados internacionais. Para Cysneros não há privilégio da Igreja Católica em detrimento de outras religiões e o acordo não é inconstitucional.
O tratado é claro e dá estatutos à Igreja Católica no Brasil partindo de dois princípios: o respeito à Ordem Constitucional e ao Estado brasileiro e a isonomia entre todas as entidades de igual natureza. Dines argumentou que a Santa Sé é um Estado soberano, mas que é teocrático e funciona com regras específicas. O silêncio da mídia é conivente na opinião do reverendo Guilhermino Silva da Cunha, pastor da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. "Quando acontece o silêncio significa que há algum entendimento ou alguma coisa diferente e estranha", avaliou.
Um telespectador perguntou a Roseli Fishmann sobre o ensino religioso nas escolas. A cientista política explicou que muitas vezes confunde-se o papel das instituições. Principalmente em tempos de violência, quando se considera que o ensino de religião pode combater a criminalidade. A questão da religião é vinculada à consciência de cada indivíduo. Já a escola deve preparar as crianças para respeitar os indivíduos como cidadãos livres e iguais sem precisar recorrer a qualquer figura sobrenatural.
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A questão das concessões de rádio e TV
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Para o reverendo Guilhermino Silva da Cunha, a presença das demais igrejas na mídia não é diferente da presença da Igreja Católica. O pastor não é contra a entrada das igrejas na mídia televisiva, mas reprova o excesso. Como o telespectador tem o poder de mudar de canal, o grande número de programas religiosos não chega a ser "uma invasão". O pastor ressaltou que todas as igrejas pagam altos valores tanto para alugar tempo nos canais privados quanto para manter uma concessão. Na visão do reverendo, a existência de um canal de televisão que ganhe força e vire uma rede em todo o país cria um contra-ponto ao monopólio da comunicação, que é "um desastre".
Dines pediu a opinião de Roseli Fischmann sobre o "gerenciamento de privilégios" no Brasil. A cientista política ressaltou a laicidade como o fundamento da democracia no país: "Não existe democracia se as pessoas não estiverem todas igualadas". As minorias religiosas são uma das faces visíveis do pluralismo, que é essencial para a democracia. O Estado não pode ser nem ausente nem omisso para as minorias "não se encolherem e deixarem o campo público". Se um determinado grupo é privilegiado, as minorias tendem a se retrair.
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Perfil dos convidados
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Hugo Sarubbi Cysneiros é advogado da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). É professor das disciplinas de Sistemas de Direito Comparados e de Direito Internacional Público do UniCeub/DF.
Roseli Fischmann é cientista política. Coordena a área de Filosofia e Educação da Pós-Graduação em Educação da USP e o Grupo de Pesquisa Discriminação, Preconceito, Estigma da universidade. Integrou a Comissão Especial sobre Ensino Religioso do Estado de São Paulo.
Rev. Guilhermino Silva da Cunha é pastor da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro. Doutor em Ministério pelo Reformed Theological Seminary (Estados Unidos) e Doutor Honoris Causa pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Foi presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

???


Estou repassando porque é surpreendente. Simplesmente surreal e... Devo admitir, fui tomado por um quê de esperança, perplexidade, perda momentânea do raciocínio. Por um momento pensei estar saindo-entrando do “Ensaio sobre a Lucidez”, de Saramago.
Posto porque não sei o que fazer com tal informação. Na verdade, devo admitir que pesquisei pouco e não posso nem garantir a veracidade do conjunto, contudo...
Estão lá, nos sites, tanto do UOL quanto do Terra – Eleições 2008: o município de Bom Jesus de Itabapoana, no Rio de Janeiro, registrou anulação recorde nestas eleições. Simplesmente 89% dos eleitores votaram nulo. O link para conferir o resultado:
http://apuracao.terra.com.br/2008/1turno/rj/58114/index.shtml
http://placar.eleicoes.uol.com.br/2008/1turno/rj/?cidade=58114
São 26.873 eleitores. Compareceram, para votar, 23.334; anularam 20.821; votaram em branco 1.021.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Encontrei no blogue da Vais esta carta e, sem palavras, republico neste espaço. Vais é uma divina caçadora das palavras que trazem suor, amor, coragem. Vez em quando publica coisas lindas do próximo para que possamos contemplar, no irmão, o que restou de nós.
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Carta de Hélio Pellegrino
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O homem quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências.
Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.
Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio.
Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade.
O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo.
Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo.
É meio-dia em nossa vida e a face do outro nos contempla como um enigma.
Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu.
Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro.
A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.

domingo, 9 de novembro de 2008

Arritmia

acordei com gosto de desejo na boca. quero escrever uma carta de amor. sempre quis escrever carta de amor. nunca consegui. ontem fez um puta calor nas terras de minas. meu carro não tem ar condicionado. o suor descia lentamente no mínimo vão entre gesso e perna. enlouqueci. quero uma varinha de condão. não consigo me desprender das minhas vergonhas. dizer eu te amo sai fácil. impossível escrever que a ausência faz mal. o céu fica cada vez mais escuro. quando eu era menina escondia os sentimentos. esqueci onde. agora eu sinto e eles ficam no esconderijo. o gosto de desejo é latente. ainda. e uma coisa quente insiste em fazer caminho por dentro da minha pele. nunca gostei dos donos do mundo. conceito formado lá nos idos 70. hoje gosto de saber que o povo americano vê além do marrom. estou perdida na frente da tela. que engraçado. ela entra com escudo do tricolor e sai com a carinha de contraste. pra escrever preciso começar. que ridículo dizer meu amor e colocar uma vírgula. porque o resto é só passado. antes eu só me despedia de amor que não mais doía. obama ganhou. o momento é histórico. as árvores do alabama devem estar sorrindo. desejo de cheiro. desejo de gosto. desejo de não desejar. parei no acostamento sem saber o que fazer com a coceira. aqui só ensaia aguaceiro e tudo continua quente. os campos de batata foram trocados por cebola. folhas esparramavam-se em cama verde. agora são esbeltas adagas que apontam pro céu. vou engolir a vontade de carta de amor. não. ainda vou publicar. ridícula. bem ridícula. antes vou lavar a vergonha da cara. se chover.

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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O homem marrom

O estouro da bolha imobiliária aliada à política genocida de Bush S/A causou, causa (e, talvez, ainda causará) pânico nas bolsas, desconforto nos governos vigentes e alguma preocupação entre nós, pobres trabalhadores braçais desta nação. Alguém já tentou imaginar o caos planetário que seria se 29 estivesse de fato acontecendo? O que aconteceria com os nossos empregos aqui se os donos do mundo fossem à bancarrota?
Defendemos com alguma voracidade o fim do Império, a anulação do Mal implacável representado, nestes tempos pós-modernos, pela política externa canastrona, ineficiente e altamente intolerante dos nossos “amigos” do Norte. Defendemos porque, enquanto humanos, temos o pleno instinto de sobrevivência sexualmente inerente ao exercício da liberdade e à consciência de justiça. Mas se o Império cair – e a história sabe explicar que, mais cedo ou mais tarde, cairá – o que acontece com o mundo globalizado e refém de hoje?
Em tempos escuros, a visão se deturpa e fica mesmo difícil encontrar a luz. Mas eis que, um belo dia, um homem marrom (como ele mesmo se intitula, em clara metáfora anti-racista, pois é bom lembrar: há pouco tempo, em alguns Estados americanos, era proibida a união Branco x Negro), assume a liderança do Império. Uma esperança? Ainda não sei. Contudo, a mensagem parece ser clara: a fênix metafórica, ao que tudo indica, renasceu. Vai demorar um pouco para o Xerife do Norte tombar.
Vejo o discurso do homem, com nome estrangeiro e pele mundial, e não consigo deixar de pensar na penúltima eleição brasileira, quando elegemos um mestiço como nós para presidente do Brasil. Momento histórico aqui. Momento histórico lá. Se nenhum republicano explodir a cabeça do homem marrom, quem sabe o céu não abre? Será que Cuba, desta vez, tem chances de respirar? Será que Chavez e Morales vão ter espaço? E o nosso biocombustível? E Lula?
Se o Império continua, que seja pelo menos governado com alguma competência e responsabilidade. Que venha o Obama! Afinal, nós também temos o nosso.

sábado, 1 de novembro de 2008

Infinito

Não foi insônia
nem medo do escuro
foi aquela flor...cinza
que brilhou no sol
e ficou até o anoitecer
mergulhou na lua
e sorriu no
i
n
f
i
n
i
t
o
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PS.: A Arte-título no meu layout é dela: Aline.
Essa chegou delicada, inspirada, gentil e, o que é importante, mostrou-se boa com as palavras e com as gráficas mãos que, por vezes, também suja de tinta e de fotografia.
O que dizer de alguém assim?:
Obrigado!

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

ELA NÃO GOSTAVA DE CHICO BUARQUE

Onde andará Mariazinha? Me faço a pergunta, como naquele samba de Ataulfo. Embora não tenha sido o meu primeiro amor. Nem foi um namoro de longa duração, mas que me marcou de uma certa maneira - só me agora me dou conta.
Mariazinha. Talvez o que tenha me atraído primeiramente nela foi o nome. Tinha como certo que era Maria e, como todas as Marias, acrescido de um outro nome - Maria das Graças, por exemplo. E nesse caso seria chamada de Graça, como é comum. Foi quando ela me mostrou a carteira de identidade e lá estava Mariazinha. Pensei no seu batismo, um padre desses ranhetas se indispondo com aquele diminutivo da mãe de Jesus, como se esta fosse uma mulher qualquer. Mariazinha me disse que nunca ouviu nada sobre isso em sua casa. E você gosta do seu nome? Disse que sim.
Lembro hoje do nosso namoro. De uma particularidade, sobretudo: nossos papos pendiam invariavelmente para a música. E a música nos punha em campos opostos. Daí as divergências, mas numa boa. Nada de altercações, sequer levantávamos a voz. Ou melhor, eu às vezes começava a alterar a minha, mas logo era desarmado pela docura de Mariazinha, o seu sorriso, a sua serenidade, a simpatia. Punha, é certo, um pouco de ironia ao me replicar, mas sem me deixar ferido. Como aquele qualé. Ou não é do meu tempo, como se não fôssemos quase da mesma idade.
O ponto central de nossas divergências era Chico Buarque, que estava surgindo, como muitos dos seus coetâneos, naquela metade dos anos 1960. Ela não gostava de Chico. Para ser de todo justo, algumas frases das letras de Chico chegava a apreciar. Mas também citava trechos das letras de Caetano, que, para ela, era superior a Chico, até na composição da música. Não só Caetano, mas também Gil, Torquato e toda a turma da Tropicália.
Como (presumo) todo jovem daqueles anos, ela adorava os Beatles. Eu também gostava, mesmo captando apenas algumas palavras do que eles cantavam, pois não dominava o inglês. Ela, de queixo no chão, estou besta por você gostar dos Beatles. E dos Rolling Stones? E, para provocá-la, destes eu nunca ouvi falar. Nunca ouviu falar? Joãozinho, você é mesmo de doze, até de um tal de Ataulfo Alves você vem falar.
Há poucos dias eu tinha lido um artigo de um crítico de cinema em que ele dizia que não existiam filmes velhos e filmes novos, mas sim filmes ruins e filmes bons, então eu transferi esse conceito para a música. E ela, pra cima de moá, Joãozinho?
Porque tinha o hábito de usar o diminutivo (talvez quem sabe? uma influência do próprio nome). Chamava as amigas e os amigos pelo diminutivo, as coisas, os objetos. Você está muito salientezinho, dizia, com o sorriso radioso, quando a minha mão procurava um dos peitos de Mariazinha. E que peitos! Percebia-se que ela não usava sutiã e isso atiçava mais o meu desejo de tocá-los, não só tocá-los, mas cobrir um deles com a mão e ficar acariciando-o.
Mais se atiçava o meu desejo quando me lembrava de um conto, belíssimo conto, que lera fazia um certo tempo. O personagem, aposentado, solitário e entediado na cidade grande, vê, de repente, aflorar-lhe à memória, um fato ocorrido na sua adolescência. Durou uns raros segundos, mas, só agora se dava conta, o marcara para sempre. A visão dos seios de uma adolescente, mal saída da infância. Ele decide empreender uma viagem de volta à sua cidadezinha para reencontrar a mulher que lhe proporcionara aquele momento ímpar de sua vida.
Não conseguia atinar com aquela resistência de Mariazinha, uma moça de idéias avançadas (está claro que as nossas conversas não se limitavam à música) , uma mulher pra frente, como se dizia naquela época. Uma vez, por brincadeira, mas tentando dar um tom de sinceridade na voz, cheguei ao ponto de lhe prometer que se ela me mostrasse os seios, eu deixaria de gostar do Chico. Ela fez foi soltar uma gaitada.
Teve um dia que ela veio se encontrar comigo ainda mais alegre e brincalhona - diria mesmo feliz. Tinha passado no vestibular. Não tenho certeza, mas acho que nesse dia nem falamos no Chico, a vitória que conquistara, com uma excelente colocação, dominou a conversa. É hoje que vou conseguir, disse pra mim mesmo, vendo-a naquela euforia. Num dado momento, após um beijinho, pedi para ela me mostrar um peito. Mas mesmo naquele estado, ela opôs a firme resistência habitual e ainda me mandou tirar o cavalinho da chuva e acrescentou que eu queria me aproveitar da alegria dela. Mas eu insisti e insisti e insisti, até que ela cedeu, tá bem, seu acesinho. Olhou para um lado, olhou para o outro. Precaução desnecessária, estávamos isolados na pracinha. O coração pinotando, por estar a segundos de ver, finalmente, o meu desejo realizado, observei atentamente Mariazinha pousar um dedo no primeiro botão para retirá-lo da casa. A seguir o segundo botão. Parou, e protegendo com uma mão um peito, com a outra abriu o lado da blusa para exibir o outro peito. Pronto, seu danadinho. E eu vi - vi aquela obra de arte se mostrando pra mim, por um segundo, ou dois, mas valeu a pena. Até me conformei por não poder tocá-lo - isso não, não era só pra olhar? E depois você vai querer mais e mais. E fechou depressa a blusa. Mariazinha malvada.
Depois de terminarmos o namoro, ainda a vi algumas vezes, ela sempre me sorrindo. O tempo foi passando e a via com menos freqüência. Acabei deixando a cidade, pra assumir um emprego num estado do Sul. Voltei há uns dez anos e não vi Mariazinha. Posso até tê-la encontrado e não a reconhecer, nem ela a mim. E como gostaria, penso agora, de revê-la. Mesmo que ela esteja gorda (já naquela época era um pouco gordinha), mesmo que aqueles peitos tenham perdido todo o encanto. Queria rever Mariazinha. Até pra perguntar se ela continua a não gostar do Chico. E ouvir o que ela iria dizer.
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PS: O Moacy foi quem, em seu blogue, recomendou, portanto, um Obrigado é merecido!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O pós-modernismo


Definitivamente não quero entrar no mérito matemático da política. Façamos de conta que, em política, o bem-estar da polis é a única coisa que interessa, aliás, uma das mais importantes, pois também há um momento, na política, em que optar pelo mais digno, honesto e (ou pelo menos) humanista, é a escolha correta.
Mas o que dizer do candidato Gabeira estar isolado no Rio? Apenas o “Menino Maluquinho” o quis apoiar (por razões óbvias). No entanto, o que dizer do Gabeira em primeiro lugar, nas pesquisas de intenção de voto (dá para confiar nas pesquisas?), sem o apoio da esquerda, da direita, do centro ou da igreja? Alguma coisa está mudando para melhor neste meu Estado.
A pergunta, contudo, é esta: o que faz o PT apoiando o Paes? Uma cadeira? Uma Secretaria na prefeitura? Vale a pena expor a pele à queimaduras difíceis de cicatrizar por uma mísera Secretaria ou coisa que valha? Vale a pena estar inserido num sistema brutal onde o capitalismo selvagem disfarçou-se de socialismo barato e, em nome de um torpe e sem-vergonha assistencialismo, governará apenas para uma classe social? Apenas para uma raça ideológica (a que quer matar porque, afinal, sai mais barato que educar)?
Paes é o legítimo representante do neo-liberalismo peemedebista. Gabeira, se não é lá essas coisas, pelo menos possui alguma história de comprometimento e engajamento sócio-político. O que a Jandira faz apoiando Paes? Molon? Gabeira não deveria ser o representante natural da esquerda neste segundo turno? Se não o é, seria o Paes? O Paes? Não acredito. Se houvesse coerência, ou a esquerda não apoiaria ninguém ou pediria a anulação do voto (como já o fez em épocas menos politiqueiras).
Esqueçamos por um instante que a política não é feita da matemática pindorama e picareta e, definitivamente, perguntemo-nos: o que faz a esquerda apoiando o Paes? Existe esquerda? Aliás, o que faz a direita apoiando o Gabeira? Eleição paradoxal? Isto existe em política?
Meus amigos, em se tratando de política, o paradoxo é a relação mais coerente que existe.
Aliás, meus amigos, dando a cara a tapa, ouso dizer que esta não é a síndrome principal da perda de identidade que, aos poucos, entranha no iluminismo político. Mas é, antes de tudo, a comprovação básica de que a política é pós-moderna.

domingo, 19 de outubro de 2008

Nosso maior problema

“Mr. McCain said, ‘The whole premise behind Senator Obama’s plans are class warfare — let’s spread the wealth around’.” (The New York Times)
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O terceiro e último debate presidencial foi o melhor, segundo analistas. Eu não o vi, confesso. Ao invés disso, assistia a Canarinho caminhando de um lado para outro em um campo grande e esverdeado, aparentemente acompanhando o jogo dos colombianos uns contra os outros, especialmente quando jogadores do mesmo time se cabeceiam ao alto.
Porém, assisti alguns argumentos, logo a reprise de grande parte da discussão entre os candidatos republicano e democrata, e as análises da MSNBC e CNN, além do artigo recente no The New York Times.A frase que, para mim, resume o que deveras é considerado e tratado como o tema central dessas eleições, a economia, está postada acima.“McCain disse, ‘Toda a premissa por trás dos planos do Senador Obama é guerra de classes – espalhemos a riqueza [por toda a nação]’.”
Essas palavras me remetem imediatamente à cena que testemunhei ontem quando visitei minha ex professora de escrita criativa, Lisa Shaw, enquanto dizia a um aluno que ele não podia sequestrar a aula falando de propostas econômicas liberais como se tivesse o conhecimento e a experiência necessários para tanto.
“Eu posso concordar contigo,” disse Shaw, “o que não significa que a maioria da nação não discordará de ti, e você não tem o cacife para professar uma teoria econômica, e mesmo se tivesse isso não faria a menor diferença, as pessoas não querem ouvir de ninguém, ‘você pagará pela minha educação, pela minha saúde, pelo meu bem estar mesmo se eu estiver desempregado’. As pessoas querem cuidar da própria vida, de suas propriedades, e ninguém quer saber de ser forçado a contribuir com o resto da sociedade, isso é automaticamente taxado de comunismo.”
Shaw tem razão. O país não elegeria Bush duas vezes caso não tendesse a concordar com esse raciocínio, que não deixa de ser válido, só deixa de ser capitalismo. Mas esse nem é o maior problema. Bush também venceu duas vezes porque, conforme diz Rachel Maddow, democrata e âncora da MSNBC, “o sistema eleitoral é partidário, e os democratas têm duas opções, a primeira é ofender-se e exigir mudanças, a segunda é atuar partidariamente e reformar as leis eleitorais”. Os motivos para descartar novos eleitores multiplicam-se com a aproximação do 4 de Novembro, enquanto cá nos situamos.
Mesmo assim, esse não é o maior problema.
Os chavões atráem a mente de cidadãos comuns. Respondi a Shaw que esse movimento da “direita” do país não é racional, não faz sentido, é baseado em sentimentos. Baseio meu raciocínio no fato de que as pessoas não têm a menor idéia do que o “DOW” significa, mas todos querem que o “DOW” feche em alta, mesmo que o preço da gasolina esteja diretamente ligado a essa alta, e que aumente caso a bolsa começar a lucrar demais. Na mesma nota, há pessoas pedindo o fim do chamado Tributo Mínimo Alternativo, que já foi bloqueado e que pode tornar-se permanente a partir de 2009, mas esse tributo só atinge pessoas que ganham mais de $250 mil dólares anuais, e quem reclama ganha menos de $40 mil.
Ainda acredito, espero que não ilusoriamente, que o país procura, de fato, mudanças concretas em sua filosofia. Também acredito que a força liberal e democrata é crescente, o que significa que há mais pessoas deixando de pensar com o lado esquerdo, e menos deixando de pensar com o lado direito do cérebro.
Contudo, a filosofia central da nação nos últimos anos foi de redistribuição de verbas, sem a menor dúvida, só que “para cima” na pirâmide social. Os poucos ricos ficaram mais ricos, e os muitos pobres ficaram mais pobres. Todos sabem onde a classe média tende a parar nessa roleta russa.
Aqui sim, consta o maior problema. As pessoas votam contra seus interesses econômicos, conforme disse Barack Obama há alguns meses atrás. Apóaim-se nas armas (emenda constitucional defendida por republicanos), e em outros temas moralistas como, justamente, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. As classes menos abastadas, menos educadas, e mais centradas geograficamente, o que as distancia de imigrantes e variações culturais e os aproxima da base tradicional da nação, votam constantemente a favor de cortes tributários que jamais os beneficiarão.
Por que isso ocorre?
Posso opinar, mas eu, também, não tenho cacife para determinar uma circunstância, portanto julgue-o quem quiser, como quiser, de acordo com seus próprios critérios.
Para mim, isso é baseado em uma guerra que tornou-se não só entre a esquerda e a direita, mas entre uma filosofia que é basicamente socialista, e outra que não passa de pseudo-capitalista. Esclarecendo, e para quem me conhece isso pode ser evidente, discordo da premissa socialista que dá ao estado a autoridade sobre os projetos de desenvolvimento social. Porém, mesmo entre os esquerdistas intelectuais mais extremos, o indivíduo de menor poder está mais propenso a receber atenção social do que seu oposto. Já entre o clássico direitista, o estado é o demônio (concordo, em grande parte), o dinheiro a “mim” pertence, mas desse dinheiro nada nasce, nada cresce, nada se reproduz para a sociedade que não empregos muitas vezes medíocres com sub-salários, sub-benefícios e sub-futuro.
Há exceções, e assim sendo, mais do que se imagina. A maioria, contudo, comporta-se além do capitalismo de Adam Smith. O máximo ao qual conseguem agarrar-se é a economia de Ronald Reagan, que projetava prosperidade às classes menos abastadas através do fortalecimento das mais abastadas. Apesar de não sermos árvores, acredito que a metáfora é válida. Seria como fortalecer a árvore pelas folhas. Ninguém, contudo, quer efetivamente dar do seu dinheiro a investir em projetos sociais necessários, mesmo que concordem com a importância dos mesmos, e odeiem pagar impostos.
Assim sendo, como poderemos chegar ao século 21 sem a mentalidade do século 18? Continuaremos discutindo sobre o preço de nossa civilização, atribuindo culpas, farpas e pizzas a outros que não nós mesmos. Continuaremos pensando que o dízimo apazigua nossas culpas. Esse sim é o maior problema: Quando a sociedade é contra a redistribuição de verbas aos mais necessitados, mas favorece fervorosamente o redistribuição de verbas aos que causam grande parte das necessidades.
Obama, para mim, vence apenas por comparecer ao debate. Ainda assim, não representa a solução evolucionista necessária.
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Roy Frenkiel

sábado, 11 de outubro de 2008

Pirata!!!


Poucas coisas merecem a nossa atenção literária-jornalística, mas a Feira do Livro do DF, publicado em plás homeopáticos pelo nosso capitão Pirata Z, vale a reflexão sobre as nuances do poder e o sexo pequeno que ele proporciona aos seus súditos.
Portanto, é acessar o capitão e ter boa leitura!
Hasta!