sexta-feira, 13 de julho de 2012

13 de julho

Hoje, às 18 horas, haveria, se ainda existisse, um puta tributo ao Dia Mundial do Rock na rádio mais foda que já passou pelo Rio de Janeiro: Fluminense FM (A Maldita)!
A Maldita acabou, mas os seus órfãos ainda estão por aí... 
E esta música era "de lei" num dia como este!



quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pára o mundo!


Para o mundo!
(Porra, o verbo parar sem o acento necessário mais parece que o texto é uma homenagem ao mundo... Esses letrados não sabem escrever).
Pára o mundo, porra!
(Agora, sim! Este palavreado chulo e este acento, jogados assim, como uma ejaculação... Olha, comoveu-me!).
 Pára o mundo qu’eu vou sair desse troço. O substituto do Demônies é o ex-marido da mulher do dono da Arca, responsável por essa melecada toda?
Pára, porra! Duvido o Costinha, lá de cima, inventar piada melhor que essa! É brincadeira, não é?
Não é? Então, pára!
Mas parece que eles não são amigos. A mulher trocou-o para morar na Arca e ele ficou magoado.
Ele vai depor na CPI (que descobriu que a revista óia está suja até os pentelhos, mas que jamais vai chamar o Victor Cívico Corleone) para dizer que jogou no veado e ganhou no burro.
Ele vai depor naquela CPI (que não vai convocar o Pedro A. Cabral porque, este, tem show do U2 para assistir na França) para dizer que não tem nada a dizer.
Chama o Glauber! Essa porra é Cinema Novo! Uma ideia na cabeça e muito dinheiro no bolso!
Posso terminar com duas perguntas bobas?
19 senadores votaram pela permanência do Demônio. Estavam convencidos da inocência ou com medinho?

terça-feira, 10 de julho de 2012

O sol e o gramado



O sol batia no gramado através do enorme luar acima da goiabeira. Parecia coisa de fotógrafo de filme hollywoodiano colocando filtro especial para que o dia parecesse noite. E ela estava totalmente inacreditável naquele vestido de gabardine tomara-que-caia sobre a grama, braços jogados acima do corpo e um semblante de satisfação excepcionalmente erótico. Os cabelos despojados, a pele aveludada que, sob o luar, refletia-o como as lâminas que o sol produz na água toda vez que ele atravessava a ponte Rio-Niteroi.
O sol batia no gramado e ela era toda luz quando disse que havia conseguido aquele apartamento tão sonhado, mobiliado, lavrado, escriturado. Ela disse de forma tão orgânica e vital que ele não percebeu o sangue se dissipar do rosto, tornando-o gelatinoso. Estremeceu diante da pergunta que inevitavelmente teria que fazer e fez: “mas como?” E ela, elevando as pernas em estado trigonal, deixando visível a sua calcinha branca e os pequenos pelos dourados da coxa, encarou o homem a sua frente e com apenas um fio de sorriso à la Mona Lisa vomitou de forma surpreeendentemente simples: “Ora, meu amor, você não se lembra daquele velho empresário?”
O sol batia no gramado e o fogo que, dentro dela, reluzia, nele era como o inferno que consome. Ele queria chorar e correr enquanto houvesse sol. Queria gritar ao mundo sobre o quanto ele era puro e honesto e, ela, uma vagabunda sem compaixão, uma rameira que não tinha respeito por nada e nem por ela mesma. Uma meretriz que se vende de forma nojenta e perniciosa. 
Por dias ele ficou vagando pelas ruas do Rio de Janeiro, sem precisão ou muita vontade de se barbear. Uns diziam que ele era um tolo, outros, que ele estava certo. Ele não dizia nada. E assim ficou por um tempo.
Um dia, quando ele assistia a Flamengo e Vasco pela TV aberta, ela entrou toda de seda e, sabendo a reação da seda em corpo diabolicamente perfeito e magnético, deixou-o cair pelo chão frio. Ele deixou o copo cair. Ela disse: “comprei aquele carro que sempre achei bonito”.
Ele, agora, mora no apartamento dela e, sempre que podem, atravessam a Ponte sentido Cabo Frio.
O velho comprou colchão d’água semana passada. 

domingo, 8 de julho de 2012

O Gato Escondido

Minha filhota, depois de olhar para a tela do computador por algum tempo sem nada fazer, encarou-me e disse: "Papai, me ajuda a fazer uma estorinha?"; mas eu queria fazer um churrasco pro almoço, estourar uma cerveja gelada, assistir ao jogo do mengão (péssimo futebol), enfim, encarei-a de volta e disse: "e por que você não faz sozinha? Você sabe contar estórias!"
A medida que uma página (ou foto no paint) ia ganhando forma escrita e desenhada, o churrasco perdia completamente a importância e a cerveja já havia ido para as cucuias... Coisa de gente que baba, mesmo; eu sou desses.
Minha filha ali no computador produzindo Literatura sozinha e o sentimento aquoso que a notícia do Gabriel G. Marquez fez inundaram-me.
A vida não é assim mesmo?
Quis corrigir e pontuar, mas, quer saber? Literatura é viva e movimenta-se. Deixa a gramática pra lá. Clarice tem 06 anos!





terça-feira, 5 de junho de 2012

Poema sem métrica ou esperança



São quatro horas e nada foi dito (nem será!).
Eles estavam todos lá, tocando tambores e clamando pelas sete cornetas, anunciando o eclipse da bestidade e o levante dos inocentes! Que nada!
Tudo mentira! Eles queriam comover os servos, encantar as multidões sob os seus palanques, arrastar a massa para a complacência indecente; eles queriam a nossa alma e nós a demos, como carneiros hipnotizados pelo cajado, pela realização individual e egoísta, pelo poder de compra e pela casa própria da Caixa.
Eles sabiam que nós iríamos cair na armadilha. Eles só não sabiam que nós queríamos cair na armadilha e depois dizer que o inferno são os outros! Vendemos a fome, a morte e a ética por 30ml de Kenzo, por um terno Armani, uma noite com putas e Blue Label. Vendemos a esperança pelo status quo. Fodam-se a guerra na Síria, o conflito no Congo, o gueto palestino, a miséria da classe média de Brasília que queima os seus mendigos na impossibilidade de queimar o mundo e o espelho. Fodam-se os Saramagos e seus dedos apontados para Carajás, Nova Brasília, Belford Roxo, Vigário Geral, Favela Naval, Candelária, 174! Nós queremos cair na armadilha! Queremos o Grande Irmão! Queremos acordar em Acapulco!
São quatro horas e eu continuo no trabalho formidável. Falta pouco para eu comprar meu carro, ligar o ar-condicionado e fechar os vidros, colocar o ipod no volume médio e fingir que escuto Tom Zé e Beethoven. Vou para a casa de campo ser bucólico e esquecer que sou um covarde e que vou pra bienal ver bestas com seus egos de deuses declararem que lêem e que fazem a diferença. Diferença em quê? O mundo continua uma merda e a máquina continua esquartejando.
São quatro horas e o gosto de sangue e o cheiro da pólvora continuam. A cidade está iluminada e o palanque está montado. Um viva para a democracia que escraviza! Um viva para a nossa vidinha confortável! Viva! Viva!
E todos morreram de fome.
A carta do velho do restelo ao astronauta foi perdida
(ou está dentro de nós)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Gilmar Mendes não é o Supremo


Por Mauro Santayana 

Coluna: Coisas da Política

Jornal do Brasil





Engana-se o senhor Gilmar Mendes, quando denuncia uma articulação conspiratória contra o Supremo Tribunal Federal, nas suspeitas correntes de que ele, Gilmar, se encontra envolvido nas penumbrosas relações do senador Demóstenes Torres com o crime organizado em Goiás.

A articulação conspiratória contra o Supremo partiu de Fernando Henrique Cardoso, quando indicou o seu nome para o mais alto tribunal da República ao Senado Federal, e usou de todo o rolo compressor do Poder Executivo, a fim de obter a aprovação. Registre-se que houve 15 manifestações contrárias, a mais elevada rejeição em votações para o STF nos anais do Senado.
Com todo o respeito pelos títulos acadêmicos que o candidato ostentava — e não eram tão numerosos, nem tão importantes assim — o senhor Gilmar Mendes não trazia, de sua experiência de vida, recomendações maiores. Servira ao senhor Fernando Collor, na Secretaria da Presidência, e talvez não tenha tido tempo, ou interesse, de advertir o presidente das previsíveis dificuldades que viriam do comportamento de auxiliares como PC Farias.Afastado do Planalto durante o mandato de Itamar, o senhor Gilmar Mendes a ele retornou, como advogado-geral da União de Fernando Henrique Cardoso.Com a aposentadoria do ministro Néri da Silveira, Fernando Henrique o levou ao Supremo. No mesmo dia em que foi sabatinado, o jurista Dalmo Dallari advertiu que, se Gilmar chegasse ao Supremo, estariam “correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”.
Pelo que estamos vendo, Dallari tinha toda a razão.
Gilmar, como advogado-geral da União — e o fato é conhecido — recomendara aos agentes do Poder Executivo não cumprirem determinadas ordens judiciais. Como alguém que não respeita as decisões da justiça pode integrar o mais alto tribunal do país? Basta isso para concluir que Fernando Henrique, ao nomear o senhor Gilmar Mendes, demonstrou o seu desprezo pelo STF. O Supremo, pela maioria de seus membros, deveria ter o poder de veto em casos semelhantes.
Esse comportamento de desrespeito — vale lembrar — ocorreu também quando o senhor Francisco Rezek renunciou ao cargo de ministro do Supremo, a fim de se tornar ministro de Relações Exteriores, e voltou ao alto tribunal, reindicado pelo próprio Collor. O episódio, tal como a posterior indicação de Gilmar, trouxe constrangimento à República. Ressalve-se que os conhecimentos jurídicos de Rezek, na opinião dos especialistas, são muito maiores do que os de Gilmar.
Mas se Rezek não servia como chanceler, por que deveria voltar ao cargo de juiz a que renunciara? São atos como esses, praticados pelo Poder Executivo, que atentam contra a soberania da Justiça, encarnada pelo alto tribunal.
A nação deve ignorar o esperneio do senhor Gilmar Mendes. Ele busca a confusão, talvez com o propósito de desviar a atenção do país das revelações da CPI. O Congresso não se deve intimidar pela arrogância do ministro, e levar a CPMI às últimas consequências; o STF deve julgar, como se espera, o processo conhecido como Mensalão, como está previsto.
Acima dos três personagens envolvidos na conversa estranha que só o senhor Mendes confirma, lembremos o aviso latino, de que testis unus, testis nullus, está a nação, em sua perenidade. Está o povo, em seus direitos. Está a República, em suas instituições.
O senhor Gilmar Mendes não é o Supremo, ainda que dele faça parte. E se sua presença naquele tribunal for danosa à estabilidade republicana — sempre lembrando a forte advertência de Dallari — cabe ao Tribunal, em sua soberania, agir na defesa clara da Constituição, tomando todas as medidas exigidas. Para lembrar um autor alemão, Carl Schmitt, que Gilmar deve conhecer bem, soberano é aquele que pratica o ato necessário.

sábado, 26 de maio de 2012

Poema sobre o desastre de Lisboa


Ó infelizes mortais, ó terra deplorável.
Ó ajuntamento assustador de seres humanos! Eterna diversão de inúteis dores!
Filósofos alienados que proclamam: — tudo vai bem. Venham contemplar essas ruínas horrendas, esses destroços, esses farrapos, essas cinzas malditas, essas mulheres e essas crianças amontoadas sob mármores partidos, seus membros espalhados.
Cem mil desafortunados que a terra devora, que sangrando, dilacerados, e ainda palpitando, enterrados sob seus tetos, sucumbem sem socorro, no horror de tormentas findando seus dias!
Diante dos gritos de suas vozes moribundas, do horror de suas cinzas ainda crepitantes, vocês dirão: é a consequência de leis eternas que um Deus livre e bom resolveu aplicar?!
Vocês dirão, vendo esse amontoado de vítimas: Deus vingou-se, e a morte deles é o preço de seus crimes?!
Que crime, que falta cometeram essas crianças esmagadas e sangrentas sobre o seio materno? Lisboa, que não mais existe, teria mais vícios que Londres, que Paris, submersas em delícias?
Lisboa está destruída e dança-se em Paris.
Espectadores tranquilos, intrépidos espíritos, contemplando a desgraça desses moribundos, vocês procuram  — em paz — as causas do desastre: Tudo vai bem — dizem vocês — e tudo é necessário.
Por acaso o universo, sem esse abismo infernal, sem submergir Lisboa, estava sendo pior?
Voltaire

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Quando tudo acaba


Olhou-a com um gosto de trovoada na boca. Queria desviar o foco, mas só o que conseguiu foi encolerizar. Queria se desvencilhar de qualquer tipo de conversa, mas o som da voz alheia o atraia de forma sagaz, quase como chuva de verão. Queria fugir, mas para quê? Não adiantava mais.
Foi quando verbalizou e todo o ar ficou morno e paradoxalmente invernal. Cuspiu toda a vontade de louvar e lavar de muitos anos, toda a nicotina tragada, toda a resistência do tempo e do amor; foi como estivesse se livrando de chagas espalhadas pelo corpo, como ulceras. Verbalizou até o improvável, o piano de deus tocando uma incerta sinfonia demoníaca.
Quando acabou, tudo havia acabado. Quando acabou, seu peito ainda marcava as batidas intensas do seu coração. E tudo tremia, pulsava, chovia e acabava. Quando acabou, parecia que havia sofrido um parto. Quando acabou, seus músculos recusaram-se a enrijecer novamente e ficaram todos largos, desafinados. E foi dando um sono inconfessável. O outro corpo, e não era mais do que isso, queria, ainda, gritar, estremecer, mas a serenidade do seu coração estava em um estado de completa sinceridade e certeza; não podia mais aumentar a voz, não fazia mais sentido algum.
Quando acabou, tudo acabou. Simplesmente.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

quarta-feira, 28 de março de 2012

Millôr desapareceu

Morreu Milton Viola Fernandes.
Contudo, por causa de um capricho genial dos manuscritos alheios, nasceu Millôr, viveu Millôr e, agora, por uma questão de estética e, principalmente, porque a vida humana é finita, Millôr desaparece, do mesmo jeito que o traço do "t", ou a boa escrita nesse momento...


sábado, 24 de março de 2012