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O Dia, 06 de dezembro |
A democracia sempre foi e será um
conceito caro a todos, pois coloca, dentro do mesmo saco, você, o seu excluído,
os ricos que pisam, os miseráveis que chocam, o homicida e o zen budista. A
democracia é para quem tem coragem e resignação, só serve aos racionais e aos
buscadores da verdade.
Defender o ódio, a morte, a
exclusão, a meritocracia é saciar uma vontade animalesca com pedras de crack: o
prazer é tão catártico que a vontade nunca vai embora. Democracia é dar gotas
de leite ao bebê faminto na Somália; é a longa espera e dedicação que o salva,
e mesmo assim, às vezes, é preciso um pouco mais de alguma coisa.
Não, democracia não é para punir,
é para fazer justiça, e a justiça quase sempre escorre por entre os dedos dos
doutores e seus anéis maciços e teóricos.
Claro que o conceito, a teoria, a
teogonia, todos conhecem.
Mas na prática eu só conheci
você. Com seu olhar sorridente, sua dança Thembu, sua pele preta, seus cabelos
brancos e sua vontade de ser. E você foi.
Você é um pouco de nós, agora,
porque as idéias, quando arrebatadoras, entram em nossa estrutura como átomos em
ligações moleculares e enraízam-se. Logo, toda vez que alguém levanta a voz na
defesa do essencial, há um pouco do Madiba fervendo no sangue.
Portanto, diante da capa do
jornal carioca O Dia, devo enxugar o choro e discordar: não estamos de luto. Somos,
hoje, todas as cores, todas as formas, todos os tipos, todas as raças. Estamos
dançando, trazendo o colorido para o mundo, abraçando o outro dentro de nós,
ficando em paz com a nossa luz, querendo ser melhor.
E graças a você, somos.
Um comentário:
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