quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A idéia

Tomava um vinho chileno e lia algo sobre Sartre. Sartre sempre o interessou assim como um bom vinho francês ou, no caso de estar desprovido financeiramente, chileno. E estava nesta condição celibatária de vegetação: um vinho e alguém escrevendo sobre o seu maior filósofo. Para falar a verdade, ele não entendia muito de “filosofia normativa” nem sobre o debruçamento acadêmico e a complexa reflexão do ser. Para usar de completa sinceridade, ele não entendia Sartre tão bem assim e nem era um sofisticado apreciador de vinhos. Ignorava completamente a safra, os gostos intrínsecos e a disciplina do paladar. Entendia era de gostar de um bom vinho e de Sartre que, na medida da existência, sempre foi de uma ótima safra. E estava nesse estado de completa felicidade quando algo o interrompeu – um pensamento daqueles que acontecem como um relâmpago e paradoxalmente são tão preguiçosos em cair na sua cabeça. Pulou da cadeira como se houvesse levado uma picada, um tiro de sal grosso; a cadeira virou, a taça de (e com) vinho virou e o jornal só não virou porque voou em delírio quase que para o Éter, mas acabou mesmo é no chão, afirmando a posição de Newton. Um pensamento genuíno, uma idéia daquelas raras e adjetivas! Porém, e como todo “porém” vem “pós” definindo uma situação contrária a anterior, imitando o substantivo trovão, adjetivamente verbalizou na frase: “trovejou um esquecimento raro e de muita simplicidade”. Ele, talvez na euforia de o ter e por praguejar inconscientemente o seu acontecimento em hora tão inapropriada, esqueceu a idéia deslumbrante e incomum. Esqueceu-se da formidável idéia cândida e profunda. Restou a incompreensão e a difícil resposta para o fato. Talvez esses lampejos não fossem para ele e, percebendo o erro, tal idéia saiu a procura do verdadeiro dono.

4 comentários:

Jens disse...

"percebendo o erro, tal idéia saiu a procura do verdadeiro dono."
Sacanagem. (Hehehe)

ACANTHA disse...

"In vino veritas", MARCELO querido...

sandra camurça disse...

Muito legal, Marcelo!
Um beijo.

Fernanda Passos disse...

Gostei da idéia que procura sue origem.
Muito bom.
Bj.
Bom Findi.