sábado, 20 de setembro de 2008

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Queria alcançar o instante que nunca aconteceu, aquele que ensaiamos e que ventos mais fortes carregaram pro quando. Queria, neste momento, dizer o que nunca foi dito, a palavra descoberta, úmida, ainda por gritar, carregada de regionalismo. Queria a música tocada há dez anos, quando eu não era um covarde acomodado, quando ainda acreditava no amor, no peito aberto, no olhar carregado de clichês e sonhos.
Queria a sensibilidade do meu próximo de ontem, quando ele ainda não pensava em dinheiro, dinheiro e sexo, dinheiro e dinheiro.
Queria parar esse tempo tanto.
Queria tirar essa tristeza sem como.
Queria estancar esse querer tanta coisa.

9 comentários:

CRIS disse...

Que lindo, Marcelo. Que bom que estamos em você ( Acantha é talentosa demais ). Adorei te encontrar logo de manhã.Não tire essa tristeza sem como nem esse querer tanta coisa , por favor.

beijão.

Renato Couto disse...

Esta numa safra daquelas! Determinadas coisas que nós lemos, levamos pra vida toda e este trecho:"Queria a sensibilidade do meu próximo de ontem, quando ele ainda não pensava em dinheiro, dinheiro e sexo, dinheiro e dinheiro."- É uma delas.Peço desculpas antecipadas, se daqui uns vinte anos eu vier a escrever algo parecido...Ah! Se eu fosse músico, colocava uma melodia na hora.Abraços.

Jens disse...

Oi Marcelo.
Há dias assim, recheados desta angústia que você soube expressar tão bem. Felizmente, não são duradouros.
Um abraço.

Moacy Cirne disse...

Gostei do texto: bom, sensível, iluminado. Um abraço.

adelaide amorim disse...

Tão bonito seu texto que faz lembrar o bom tempo dos clichês e sonhos!
Beijo, menino.

Roy Frenkiel disse...

Hm Acho q eu queria dinheiro, dinheiro e dinheiro :-( hehe

abraxao

RF

Fantastica poesia.

Vais disse...

Olá Professor,
nossa, senti aqui
'Queria a sensibilidade do meu próximo de ontem, quando ele ainda não pensava em dinheiro, dinheiro e sexo, dinheiro e dinheiro.

Queria tirar essa tristeza sem como.

Queria estancar esse querer tanta coisa.'
abração Marcelo

Loba disse...

Ainda lendo pesquei um excerto que vejo agora repetido na Vais e no Renato. Pra vc ver como tocou fundo!
Inspiradissimo, este texto. De uma sensibilidade grande e grande musicalidade.
Gostoso - embora triste! (mas quem disse que a tristeza tb não pode ser gostosa, né? rs...)
Beijoconas

Moacy Cirne disse...

No Balaio! No Balaio!