quarta-feira, 23 de março de 2011
"Seu Chico"
terça-feira, 22 de março de 2011
As bolas fora da mídia
Por que o Mr. Presidente Umbanda veio ao Brasil? Queria conhecer o Cristo, o cisto, o misto, o risco? Não. Queria mostrar os seus dentes para as mentes que mentem, os crentes que creem e os ratos que roem? Não. Veio, talvez, por que o Brasil, depois de ser sobretaxado, vilipendiado e chamado de otário pelo Tio Sam, resolveu comprar e vender para a China (ou mesmo para a puta-que-pariu) em maior número e disposição, deixando o Tio Sam a ver navios e menos lucro? Por que o simpático veio, afinal? Falar sobre a sua admiração pela Presidenta que lutou contra a ditadura militar (ou contra eles, já que o próprio Tio Sam apoiou o golpe)? Falar dos times de futebol cariocas, da cidade comandada pelo sobrenatural (de Deus), da nossa feijoada? Bem, se você acha que a mídia o tratou como um super-ultra-popstar, esquecendo de analisar a verdade por trás da visão em tempo real, relaxe! Muita gente achou que a mídia promovia um show da Madonna, não uma visita cheia de simbolismos e pires-na-mão como verdadeiramente foi.
Aliás, a mídia precisa rever os seus conceitos sobre informação e sobre como informar. Dois casos ficaram latentes: a usina nuclear e a captação da cantora Bethânia.
No primeiro caso, a mídia televisiva disse que explodiria a usina (com ambiguidade mesmo!), o reator, o delator, o pensador, enfim, afirmou (mesmo com os especialistas dizendo ser quase impossível o advento de uma nova Chernobyl) que o Japão estava era fodido com a radioatividade, atividade, idade, e com a usina que iria para os ares. Não aconteceu (como os especialistas previam), mas quem se lembra de rir?
No segundo, a coisa foi, antes de mais nada, perversa. A captação, liberada pelo Ministério da Cultura, na escrita muquirana dos jornalões, pareceu favorecimento, falcatrua, macumba e fascismo. Não era. O governo libera a captação para todos, desde que haja um projeto bem amarrado, bem discutido e de interesse cultural. Maria Bethânia, declamando em 350 vídeos, será vista por muitos? Sim. É de grande interesse cultural? Sim. Divulga a poesia em um país pouco adepto à leitura? Sim! Ter um nome de peso se propondo a isso é bom? Não é bom, é maravilhoso! Em qualquer país, minimamente civilizado, tal fato ganharia destaque positivo. Aqui vira ofensa nacional. Enfim, eles passarão, ela passarinho (eu acredito).
quinta-feira, 17 de março de 2011
O impasse da Líbia
As revoltas ou revoluções nos países árabes têm ocupado as atenções do noticiário internacional desde o início do ano. Justo, pois, embora ainda seja cedo para fazer grandes previsões, já se pode falar que se trata de uma mudança radical e histórica. Em geral, são regimes opressores, regidos por ditadores que deixaram os anseios de seus povos de lado e se conformaram com o poder corrupto e desleal, por muitos anos.
No entanto, para quem não segue muito de perto a política local, a tentação de jogar todos estes países no mesmo saco é enorme e o tratamento da mídia, na maioria dos casos, não ajuda a distinção. Cada caso é um caso e tem suas particularidades. Cada nação tem uma história, formação específica e circunstâncias próprias que resistem ao impulso generalista de tratar essas nações como “o mundo islâmico” ou “os países árabes”.
A Tunísia tem uma classe média bem formada, muito contato com o turismo europeu. O Egito tem um Exército poderoso que, ao perceber o clamor popular e a incompatibilidade da rua com o regime de Hosni Mubarak, dispensou o ditador. O Iêmen, com instituições fracas, é outra história. A Arábia Saudita, monarquia absolutista, outra ainda. A Líbia, a bola da vez, também tem fatores bem específicos que tornam a revoltasingular.
O país é dividido em tribos, e, depois de 42 anos de uma liderança personalista e delirante de Muamar Kadafi, a coesão social é precária e as instituições são piores ainda. No caso de uma vitória da oposição, a transição, portanto, seria complexa. Kadafi conta com apoio de parte considerável da população (não se sabe ao certo quanto). No caso de uma vitória militar das forças leais ao ditador, a repressão aos opositores rebeldes, certamente, será implacável. E vai deixar um sentimento amargo para boa parte da população insatisfeita. Ou seja, vai ser ruim para o país – e para o povo líbio –de qualquer maneira.
A situação externa não é menos complexa. As potências ocidentais – quem mais se pronuncia a respeito e tem condições de agir –, estão alarmadas. Condenam os bombardeios contra civis, ameaçam intervir militarmente e já impuseram sanções que, como quase sempre, são pouco produtivas.
Até o momento, a chamada comunidade internacional tomou algumas resoluções e medidas:
1 – O Conselho de Segurança das Nações Unidas, órgão multilateral que tem poder de determinar uma possível intervenção e sancionar com respaldo geral, aprovou uma resolução que embarga a venda de armas e determina o congelamento de bens da Líbia no exterior. A ação foi reforçada pela Interpol. E condenou, o que é só retórica, mas passível de se tornar resolução mais de fato adiante.
2 – O Conselho de Direitos Humanos da ONU abriu investigação sobre Kadafi no Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade e suspendeu o país do órgão.
3 – Vários países 1 2 impuseram o congelamento de bens, fundos e ampliaram as restrições econômicas além das impostas pela ONU. A Rússia parou de vender armas a Kadafi.
4 – Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França, o Canadá e a Itália deslocaram navios de guerra para o Mar Mediterrâneo próximos à costa libanesa.
Paralelamente, a diplomacia correu solta, sem, até agora, chegar a uma solução concreta. A ação direta mais falada é a de impor uma área de exclusão aérea, para evitar que as forças de Kadafi continuem bombardeando os rebeldes e os civis. O debate não é de simples conclusão e tem implicações jurídicas, além de uma difícil costura política..
França e Grã-Bretanha apóiam a medida. Os EUA titubeiam em tomar uma decisão sem apoio mais amplo, já que passou por cima de todos os procedimentos regulares ao invadir o Iraque baseado em mentiras e deu no que deu. Washington fala em decisão na ONU, via Conselho de Segurança, o que é o procedimento correto legalmente. O Brasil insiste nessa via, cumprindo a tradição do Itamaraty de uma abordagem multilateralista. No entanto, o Conselho de Segurança conta com a resoluta oposição da China e da Rússia, ambos com poder de veto. Na Otan, enfrenta resistência da Alemanha e da Turquia.
A ação militar tem sérias implicações. Para instituir uma zona de exclusão aérea, que autoriza o abate de aviões líbios na região determinada, será necessário um bombardeio para anular as defesas anti-aéreas de Kadafi. E elas são consideráveis e, pior, estão em regiões densamente povoadas por civis. Os EUA já cogitaram ajuda militar aos rebeldes, sem muito alarde, via Arábia Saudita. Rumores falam de ajuda egípcia. Mas, a ofensiva dos últimos dias virou o jogo a favor de Kadafi. E aí?
segunda-feira, 14 de março de 2011
O desenvolvimento de um projeto




quinta-feira, 3 de março de 2011
Lavínia, linda Lavínia!
Cheguei antes do carnaval. Era para falar da Mangueira, minha Escola 1ª, minha paixão infantil. Era para falar da festa da carne, da cerveja gelada, da picanha na brasa, da praia que amanhece rosada e da ressaca humana. Eu queria falar de sexo, do gozo com careta – intenso, suado, petrolífero. Era pra falar do PIB brasileiro e dos 7,5 crescidos, mas...
Cheguei antes do carnaval pra falar um pouco da Lavínia. Linda Lavínia, Lavínia de Lavínias livres. 06 anos. Morta com o cadarço do próprio tênis. A assassina: a amante do pai de Lavínia, Linda Lavínia. Pensei, ao ler a notícia, tratar-se de uma revisão da peça teatral do Chico e do Pontes, mas percebi, não sem alguma náusea, que a notícia era crua, sem vida, não-literária. Não era Chico. Não era o Marcelo lendo a notícia, era o rinoceronte de Clarice. Era Drummond soletrando o mundo, sabendo que o perdia. Era o vômito da sociedade pequena, do humano miserável. Lavínia é o espelho de João Hélio.
Cheguei antes do carnaval, mas não sou nenhum Fausto Wolff, portanto, ficarei com as palavras do meu amigo e, também, blogueiro, Flávio L. Mesquita:
A Medéia dos tempos modernos é fruto de uma vida marcada pela miséria caótica que nos reduz a pó.
Desgraçadamente, não há Jasão, argonauta ou velo de ouro, mas sim, uma dependência doentia de uma amante que, ao fim de sua empreitada, pretendia fugir com R$ 2 mil............................................................................
Essa mesma miséria que nos choca por sua crueza e falta de humanidade.
Infelizmente, a tragédia suburbana dos jornais não tem nada de poética.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Os dados de Deus e a Suma irracional
Abriu um boteco novo na web. Trata-se do Sumairracional. Há quem diga tratar-se apenas de uma fachada para uma casa de tolerância que abriga no seu interior jogatina, beberragem e prática de folguedos sexuais inusitados. É possível que assim seja, já que o idealizador e administrador do estabelecimento é o jornalista Roy Frenkiel, que se auto-intitula cidadão do mundo, atualmente homiziado em Miami (na verdade, é mineiro de Belo Horizonte e viveu um tempo em Israel. É procurado pela polícia dos dois países por delitos mantidos sob severo segredo de justiça).
Convidado para integrar a quadrilha, o lumpen que reside na minha alma (sem pagar aluguel) assumiu o comando das ações e imediatamente aceitou. Depois me arrependi, considerando que sou um cidadão respeitável, um esteio da comunidade, exemplo a ser seguido pelas novas gerações e, ainda, alvo de afetos de moças e nem tão moças assim de fino trato. Ou seja, creio que não será benéfico para a minha imagem pública ser visto em companhias suspeitas como a de RF, Henrique de Almeida, também jornalista (aonde vamos parar, em Deus!), Armando Asnor, geólogo e ateu (pobre Mãe Terra!), e Marcos Rezende Scollazzi , o Jiló (o fato deste elemento estar em liberdade é um atestado de falência dos sistemas judiciais do Brasil e dos EUA). Por esta razão vou transferir a tarefa de escrever quinzenalmente para um dos meus companheiros de pândega – o Caloca, o Jorjão, o Lara, a Dona Veridiana (a sogra do Lara), a Odaléia, minha vizinha fofinha, ou a assanhada da Marisinha (“Eu quero, eu quero!”, ofereceu-se a bela). Bem, mas por enquanto quem está lá sou eu, falando das trapaças do destino e dos desígnios de Deus.
Espero-os lá.
Ah, o bando tem uma musa: Beti Carabina, matriarca do bas fond do Jardim Vila Nova.
Jens, o Combatente!
domingo, 23 de janeiro de 2011
Do desejo (trecho)
I
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Quando a informação atira no próprio ouvido
Abro a página do Observatório da Imprensa todas as terças e, ao longo da semana, vou digerindo o que não consegui ler, mas que se mostrou interessante. Óbvio que Dines me é referência neste Observatório, assim como a coluna do Brickmann, do Bucci, entre outros.
Contudo, esta semana, o ódio do jornalista Dines chegou ao universo desvairado da notícia que te leva para a esquerda tentando te jogar à direita. Intitulada “Mídia, religião e ódio”, o autor disseca o período conturbado da política e da mídia americana (estadunidense), relata os abusos de Sara Palin, a repercussão nos veículos midiáticos e sobre como a Fox News funciona como uma propagadora da intolerância (totalmente idiota, posto intolerância, e hitlerista) da extrema direita. Até aí, tudo bem, certo?
Errado. Na verdade, a coluna fica muito clara no 5º parágrafo. O chamamento do texto é apenas um pano de fundo para o jornalista atacar a esquerda brasileira (?), nomeando-a quase como uma pseudo-talibã-tupiniquim, agente dos males brasileiros e da febre amarela lunática dos jornalistas que não tem mais o que escrever. Claro, a esquerda e a sua ortodoxia corrosiva e intransigente é a grande vilã dos jornais sérios e parciais que temos no Brasil, assim como as corretas emissoras de rádio e televisão. A esquerda, sempre raivosa, é capaz de dinamitar a constituição apenas para ver o sangue puro dos coitadinhos.
Certo, Dines, concordo contigo. Mas...Me diga uma coisa: José Serra é esquerdista? Porque a cruzada cristã que a sua trupe fez contra a Dilma foi de uma sem-vergonhice e irresponsabilidade sem tamanho! Digna dessa esquerda que você diz ser o demônio. E a Rede Globo? Aquela bolinha de papel terrorista foi de um mico sem tamanho e, no dia seguinte, a reafirmação do terrorismo com edição de imagem foi mais grotesco ainda; uma vergonha! Certamente que a Globo está inserida nesta sua esquerda absurda e virulenta! E a Veja? Putz...
Porque, caro jornalista, se não tiver, vê se te calas!
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Sobre maracujás e ninhos

Como esquecer o sabor das frutas e de como a mãe ficava bonita quando ornava os cabelos com as majestosas flores roxas matizadas de vermelho?
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Lobão
Hoje eu publicarei o que não costumo fazer, por isso peço licença à Vais e parafrasearei o seu modo: hoje postarei O Som! Aliás, os sons.
Não sei se por ele nunca se levar a sério o suficiente (ou ser muito louco para isso), a crítica caiu na onda e sempre o desdenhou. A verdade é que ele é um artista pulsante, cantando, muitas vezes, o que preferimos esconder. É um puta desbravador do POP tupiniquim que eu, particularmente, aprecio.
Lobão é a própria metamorfose ambulante e o não-é-o-que-não-pode-ser-que-não-é. Contraste, penumbra, claro-escuro; o sujeito é um barroco carnavalesco e escrachado, mas genial. Sem dúvida. E por estar com este artista na cabeça esta semana toda, publico duas músicas que, na minha modesta opinião, deveriam receber um olhar mais simpático das rádios, pois são tremendos exercícios de composição.
El Desdichado II é de uma realidade vomitada e autoreferente impressionante. Bem escrita e musicada, é a típica “música com culhão” (perdoem-me o machismo).
A Vida é Doce é outra joia rara. Lobão cometeu um álbum fantástico, vendido em banca de jornal.
________________________________________
________________________
Estou pagando aos poucos outra joia de beleza rara: a coleção Chico Buarque – Editora Abril. Box e encarte maravilhosos. Vale a coleção!
