domingo, 25 de maio de 2008

Até 2011, duas línguas.



Brasil se prepara para enfrentar período de três anos com duas ortografias

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25/05 - 11:20 - Carolina Garcia, do Último Segundo

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SÃO PAULO - Assinado em Lisboa em 1990, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi ratificado pelo Brasil e deve entrar em vigor em 1° de janeiro de 2009 no País. Segundo o assessor especial do Ministério de Educação (MEC), Carlos Alberto Xavier, porém, somente a partir de 2012, os alunos (do ensino fundamental e médio) terão acesso aos livros escolares completamente reformados. Esse intervalo (2009/2012) resultará em um chamado “período de transição” – no qual as normas atuais e as definidas no Acordo irão conviver.

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Para Xavier, não há motivo para preocupação nesse período. “Uma convivência saudável com as duas ortografias pode servir para acentuar a reforma. As pessoas perceberão as diferenças com mais clareza”, disse. “Até janeiro de 2012 todos os vestibulares, concursos públicos e atividades escolares irão aceitar as duas normas para que a população se acostume com as 21 bases do acordo”, explica o assessor.
Para Enilde Faulstich, professora de lingüística e de língua portuguesa da Universidade de Brasília (UnB), este período representa um momento onde a geração começa a aprender que a língua portuguesa terá que ser bem cuidada.
“Materiais adequados e professores seguros são necessários para que seja evitado o surgimento da dupla-grafia. Nós que estamos nos meio do processo cometeremos algumas gafes no começo, mas logo aprenderemos”, conta a professora. “Esse período exige paciência, atenção de quem escreve e segurança de quem ensina a língua portuguesa”.
Livros didáticos
O Brasil possui um complexo sistema de compra de livros para as escolas das redes federal, estadual e municipal e as entidades parceiras do programa Brasil Alfabetizado. Segundo Xavier, os livros do Ensino Médio para 2009 já estão prontos, não possuem as alterações ortográficas e valerão até 2012. Em 2010, será feita nova compra dos livros para as séries finais do Ensino Fundamental (5° a 8° série) - estes já com a reforma.
Exceto os livros para as séries iniciais (de 1ª a 4ª série). Um acordo feito pelas editoras determinou que as alterações para estas séries sejam feitas apenas em 2012. Segundo Sônia, o MEC concluiu que essas mudanças poderiam confundir as crianças que estariam em processo inicial de alfabetização. “A convivência com os dois livros (um adaptado e outro não) poderia confundir. Já em crianças de 5 a 8 anos será um período de transição produtivo”.
As editoras já trabalham para fazer as mudanças nos livros didáticos. É o caso da Editora Moderna, que, segundo o seu editor e coordenador do projeto da reforma, Rogério Ramos, já está se adaptando à nova norma. “Desde a oficialização do acordo, a Moderna optou por adequar as publicações para os livros de 2010. De fato, as publicações terão variações, pois cada editora tem a sua norma a seguir, mas todas têm um prazo a cumprir”.
Sônia Schwartz Coelho, coordenadora-geral do Programa Nacional do Livro Didático, afirmou que “em 2010 será obrigatório que todos os livros sejam publicados de acordo com as novas normas. Porém, no ano de 2009, fica a critério da editora se irá se adequar às novas normas ou não, exceto o que é proibido a ela”.
Um novo mercado
Defensores do Acordo afirmam que o mercado consumidor de leitores em todo o universo da lusofonia (países de língua portuguesa) irá crescer significativamente. “A unificação ajudará a ampliar o número de leitores e a produção de livros. E, claro, permitirá a circulação e o intercâmbio de obras impressas destinadas ao trabalho pedagógico”, diz o presidente da Comissão de Definição da Política de Ensino, Aprendizagem, Pesquisa e Promoção da Língua Portuguesa (Colip), ligada ao MEC, o lingüista e escritor Godofredo de Oliveira Neto.
A presidente da Câmara Brasileira de Livros (CBL), Rosely Boschini, recebeu bem a decisão da implantação da nova ortografia e acredita nessa expansão do mercado. “A unificação da escrita vai fortalecer a política externa da língua portuguesa. Além disso, abrirá um novo mercado para as editoras brasileiras”.
Jorge Luis Fiorin, professor de lingüística da Universidade de São Paulo (USP), afirma que “o acordo é um passo importante para o Brasil, no sentido de estabelecer uma nova possibilidade de difusão do português no mundo. O País irá se transformar em um exportador de material literário”.
A decisão de Portugal
Portugal aprovou na sexta-feira (16) o acordo que unifica a ortografia em todos os países de língua portuguesa. Segundo decisão do Parlamento português, as mudanças deverão entrar em vigor dentro de seis anos.
Em crítica ao acordo, Sírio Possenti, professor do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, afirma que ele representa um valor, mais simbólico do que prático, da disputa Brasil versus Portugal. “É uma briga inócua, simbólica entre Brasil e Portugal, não uma questão lingüística”.
Tentativas de reforma
Já foram feitos três acordos oficiais, aprovados pelos países falantes do português: o de 1943, o de 1971 e o de 1990, que deve vigorar a partir de 2009.
Nesse último acordo, os Representantes dos oito países que falam português (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor Leste) decidiram, que unificariam as regras do idioma, com o objetivo de unificar e agilizar a comunicação entre os lusófonos (países de lingua portuguesa).
O que muda
* No caso do acento agudo, ele não será mais usado em palavra terminada em `eia` e `oia`.
Ex: ideia, jiboia
* O acento circunflexo também sofrerá alterações. Não será mais usado nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbo ver, ler, dar e crer.
Ex: veem, leem, deem, creem
* Também não será mais utilizado em palavras terminadas com o hiato `oo`.
Ex: voo, enjoo
* A trema (¨) deixará de existir, a não ser em nomes próprios.
* No caso do hífen, ele não será mais usado quando o segundo elemento começar com `r` ou `s`. Essas letras deverão ser duplicadas.
Ex: contrarregra
* O hífen também não será mais utilizado caso o primeiro elemento termine com uma vogal diferente.
Ex. autoestrada

6 comentários:

Pirata Z disse...

Professor, soy contra esta reforma.
muito mais que atingir a pretendida "unificação da língua" (unificação se dá muito mais pela cultura, penso), irá, acredito, empobrecê-la, nivelá-la aos padrões obtusos de adolescentes mentalmente preguiçosos.
gramáticos e editoras, porém, não terão do que reclamar: venderão seus livros como pão quente - mas e quem não pode comprá-los?
no final, como sempre, tudo é mercado...
no mais, gratíssimo pela publiça da zine.
baita abraço meu

Jens disse...

Marcelo:
PQP! Que esculhambação. Pra mim a facilidade com que mexem na Língua Portuguesa revela falta de seriedade e apreço pela nossa cultura. Já passei por uma reforma, quando "caíram" os acentos (êste, por exemplo). Foi uma zona - uns caíram, outros ficaram - oferecendo uma boa desculpa para eventuais erros de acentuação: "ué, não caiu?"
Agora vou radicalizar: vou continuar escrevendo do mesmo jeito. A Academia que se exploda. O K C acha?
Um abraço.

Marcelo F. Carvalho disse...

Pirata e Jens, infelizmente, terei de engolir a "nova" Língua e lecionar monstruosidades como "cinKEnta", "freKEnto", sem o lindo trema, que deixava tudo no seu lugar.
Sem falar no Voo, Creem... Aliás, "Voo" não parece erro de digitação?
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Essa coisa de "universalidade", globalização e controle... sei não. Somos diferentes dos portugueses, que são diferentes dos demais e assim por diante. As diferenciações no "lidar" da língua só revelam as riquezas lingüísticas (COM TREMA!) e culturais de cada nação que fala Língua Portuguesa. Eles dizem que isso é ruim, para mim, tais diferenciações são identidades. Mas, enfim, não somos nós a ditar as regras...
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Como posso ler Saramago sem o "facto"? Esse "c" metido no meio da palavra tão bonito e tão Português de Portugal?
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Abraço forte a todos!

Pirata Z disse...

"Aliás, "Voo" não parece erro de digitação?"

na mosca, Professor Xará. assino embaixo. que preguiça disso tudo...
baita abraço

sandra camurça disse...

Concordo com vocês, essas alterações só vão empobrecer a riqueza lingüística (olha aí o trema!)/cultural de cada país.
beijos.

Marcelo F. Carvalho disse...

É isso o que acho, Sandrinha... Mas fazer o quê?
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Abraço forte!