domingo, 8 de junho de 2008

Notícias do nosso lixo


E de repente, não mais que de repente, os homens de bem (ou os que, pelo menos, assumem os filhos) descobriram que, quando a imprensa “faz que não é com ela” ou quando simplesmente deixa de “pegar no pé”, é muito mais fácil comprar tapetes cada vez maiores para a grande sujeira dos que cagam e não se limpam.

Como é que é? Biocombustíveis são a causa do aumento da fome? Desculpa a minha ignorância, mas eu sempre pensei que a causa da fome fosse a ambição de uma dúzia de canalhas que movimentam trilhões e preferem fazer guerras estúpidas ou brincar de foguete enquanto o resto faz a brincadeira do “vamos ver quanto tempo o pobre agüenta sem comida”. Sempre achei que fome fosse uma palavra financiada por países democratas que torturam às escondidas e financiam golpes militares em países sem autonomia. Aliás, fome não é moeda de troca em alguns países africanos e cidades brasileiras? Não é a diferença entre o voto e a cova? Biocombustíveis podem ser mais um ingrediente, sim, não duvido disso, contudo...

Como é que é? “Não existem índios e brancos, existem os brasileiros!” Quando ouvi esta frase declamada em tom profético por colunista-cineasta conhecido não deixei de pensar que, há 500 anos, portugueses e espanhóis devem ter dito a mesmíssima coisa. Resultado? Bem, acho que dá para contar nos dedos quantos índios sobraram. Aliás, para os que sobraram, um recado: evitem circular nas grandes cidades, os filhos da nossa classe média/alta, entorpecidos por pais alcoólatras e idiotizados pela mídia, podem muito bem confundi-los com algum mendigo e...

Por falar em “mídia” (ou seja lá o que isso significa), cagar a cabeça de artista (ou de quem quiser, humano ou cachorro) para fazer telespectador rir e alavancar audiência é experimentar um pouco da piada que virou o homem. Depois dos BBBs, humilhar o homem-público é a nova ordem (para o deleite dos que, no sofá, ganham mal, comem mal e ainda pensam que vão morrer por causa do cigarro).

Vou parar por aqui, não por falta do que escrever (mal), mas porque me falta estômago num belo dia de domingo. Vou ter um pouco de música, muito de cerveja e pensar que sou feliz neste imenso lixão em que se tornou o mundo.

9 comentários:

Moacy Cirne disse...

Negros e índios, índios e negros - e os trabalhadores em geral - sempre foram massacrados neste país. Só faltou Jabor dizer: "Alguns brasileiros (os brancos, naturalmente, na visão da elite) são mais brasileiros do que os outros" (leia-se: a maioria). Um abraço.

Moacy Cirne disse...

Oi, um pequeno fragmento de seu artigo foi parar no Balaio. Abraços.

Pirata Z disse...

Professor, parte deste texto publiquei como editorial do sítio do Fausto, está?
baita abraço meu

Loba disse...

Os dois anteriores, ao levar parte do texto, já atestaram o quanto está bom! A mim resta te parabenizar por usar parte de um domingo pra falar de lixões (ainda se não fossem humanos né?).
Um beijo e uma linda semana.

Marcelo F. Carvalho disse...

Moacy e Pirata: assim o meu ego não me deixa passar na porta! Uma honra do cacete ser reconhecido por vocês!
________________________
Loba: infelizmente, os lixões humanos são os que mais fedem.
Graças aos Deuses nem tudo está perdido! Prova disso é você e seu blogue.
_______________________
Abraço forte!

Renato Couto disse...

Permitam-me um salto, do passado ao presente (futuro?), onde foi visto que o Brasil cresceu (alavancou sua indústria) graças a crises, vide café (olha o ideograma chinês, onde crise significa oportunidade), neste mundo globalizado, onde injustamente divide-se mais as perdas que os ganhos, temos mais uma crise em nossa porta, uma crise energética, com o fim das reservas de petróleo no planeta, onde estará a saída (substituição) desta fonte de energia? Nosso paradigma de crescimento, serão as crises mundiais?
Neste últimos dias, ferinas críticas ao programa do biocombustível nacional, por parte de alguns países do velho continente, inclusive, com “voltando atrás”, destes países europeus, quanto a determinação da utilização de 10% de biocombustível na mistura de gasolina. Estas críticas vieram à tona após visitas suspeitas de representantes da OPEP a lideranças européias e do “grito” geral quanto a fome mundial.
Observo porém, que a área plantada, utilizada exclusivamente para produção do biocombustível chega apenas a 3,6 milhões de hectares, quando ainda “sobram” no Brasil, mais de 274,4 milhões (hectares) de terras ociosas (não sem dono, é claro, mas isso é outro assunto), disponíveis para se plantarem o que bem quiser. Outro dado numérico, é que o Brasil utiliza apenas 5% da área plantada para cultivar matéria-prima de biocombustível, então o que há de fato, por trás de tanto grito contra a fome, qual interesse econômico e não humanitário existe realmente?
Por outro lado, nossos “good friends”, os maiores produtores de milho do mundo, donos do monopólio do cultivo, é que tem sua produção hoje, totalmente voltada para o combustível derivado do cereal, restando apenas 10% para consumo alimentar.
Com isso, havendo a substituição mundial do milho pelo trigo (para alegria dos argentinos-o maior produtor do planeta), puxando o preço de ambos, o milho por conta da escassez, graças ao subsídio americano (isto mesmo, os ianques estão comprando a própria produção) e o trigo por conta do aumento da demanda mundial, levou também a reboque o arroz e os demais cereais.
Se o Brasil está incomodando, é um bom sinal, afinal o fim do petróleo é inexorável.
www.seumlertabom.blogspot.com

Marcelo F. Carvalho disse...

Boa, Renato. A verdade é essa: estamos incomodando alguém.

Vais disse...

Olá Professor,
matou a pau!
grande texto, real, triste, revoltante, e muito bom o comentário do Renato, mas como você mesmo comentou ainda temos esperança de dias melhores
beijo procê

Ana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.