sábado, 13 de julho de 2013

Feliz 13 de julho!


Dirigia como um louco o seu automóvel novo com câmbio automático de 06 marchas. O sol escondia-se entre montanhas que ele conhecia bem, pois gostava de tracking e coisas do tipo. A noite acontecia de repente. E Lucevan Le Stelle, de Puccini, apunhalava o espaço interno do veículo. Alta velocidade pela estrada com pouca iluminação, igual a tantas outras a mercê de deus, mesmo privatizadas. E aquela insuportável e maravilhosa dor dava o tom da grandeza de sentir-se vivo, mesmo na dolorosa satisfação da penumbra. A noite aconteceu como um cobertor feito de crochê, buracos aos milhares como pontos de luz em meio à escuridão.

Leoncavallo fez a magnitude do som entrar em níveis mais densos e teatrais, um palco e um picadeiro, uma fantasia e um amargor saborosos, como chocolate. O véu que cobria a iluminação era quase uma Isis, um elemental sétimo ciclo. Ele compreendeu tudo isso enquanto o carro atingia a inevitável marca dos 140 km/h. Pourquoi Me Reveiller invadiu sem pedir licença. Quando 150 virou o número do contraste absoluto e da comunhão entre o paradoxo do sentir e transbordar e da solidão, que são espaços vazios, foi que percebeu o óbvio incontestável: a amálgama sofrida era também uma forma de viver. Paradoxal era a vida de todos nós. O motor não fez um rouco gostoso e cilindrado, pois a maneira automática não deixava termo para a amabilidade automobilística, mas ele foi capaz de ouvir o barulho, mesmo que instintivo, da desaceleração.

Abriu a porta do automóvel tinindo de novo e, ainda no meio da estrada, tão solitária quanto ele, abriu os braços e recebeu a luminosa lua em seus braços, lua de brilho solar, logo, outra amálgama entre o dia e a noite. A luz na escuridão.

E pensando isso tudo, caminhando em direção ao infinito, de braços abertos, olhos fechados e sorriso nos lábios, ao respirar profundamente, não notou o inconteste caminhão que vinha na direção contrária e, contrário à questão romântica da vida e, talvez, descendente daqueles Realistas de séculos passados, arremessou-o séculos à frente, numa atitude equivalente a queima de todas as harpas e violinos da filarmônica do Éden e, num 13 de julho, mundialmente conhecido, dando lugar a guitarras alcoolizadas e baterias rufando a felicidade clandestina e lispectoriana do mundo e dos ombros drummondianos que o suportam, mas sem perder a paixão e a atitude de mandar tudo, quando na adversidade, para a casa do caralho. 



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