
E os bombeiros e policiais militares entraram em greve no Rio.
Na quinta-feira à noite, dia 09, assistia, pelo televisor de um bar, a emissora Band filmando e o jornalista Boechat comentando, a multidão que urrava no centro da cidade exigindo respeito e salário digno. Boechat e Band, diga-se de passagem, naquele momento, fazendo o que todo o jornalista e jornalismo deveriam fazer: dando a notícia, cruamente; jogando-nos a informação nos cornos, simples assim, como todo bom jornalismo. A Globo? Bem, parece que não sabia o que estava acontecendo (o gerúndio se faz necessário, pois aconteceu por um longo tempo) abaixo do Cristo Redentor.
Parece apenas um ensaio sobre o jogo de poder entre o governador band-aid e o movimento popular daqueles que se arriscam muito para ganhar tão pouco (e, aqui no Rio, pelo menos, ganham muito pouco), uma quebra de braço entre o deputado Garotinho (que claramente incitou a greve) e os que estão no telhado de vidro blindado, pois a mídia (a maioria) os encobre. Poderia ser apenas isso. Mas, infelizmente, para mim, o que há são duas vertentes extremamente irresponsáveis e no meio, como sempre, o povo.
A Srª. Globo, ao fingir que nada acontece ou ao divulgar notas contraditórias, irresponsavelmente coloca o povo nas ruas sem nenhum tipo de informação, logo, a mercê do acaso, do imprevisto, do destino. Isto não pode ser jornalismo. E se não é jornalismo, é pilantragem, pois coloca vidas em risco. Na Bahia, é bom lembrar, já passa de 100 o número de assassinatos.
Será esta a intenção? Espero que a minha paranoia passe, senão, faço o novo Loose Change.
O segundo irresponsável é o deputado, que não está, na verdade, nem aí para os bombeiros e policiais, mas sonha com o caos e com o sangue. Opositor a qualquer coisa que esteja no seu caminho e não seja o seu pé, quer tocar fogo em Roma e depois dizer que é do povo e de Jesus. Típico, bem típico.
Defendo a manifestação. Acho que a hora foi imprópria e, por isso, sem o apoio do cidadão que quer foliar e ter segurança, já nasce com a séria tendência a dar merda. Pena. Este governo band-aid deveria entender e engolir certas coisas, mas não vai ser desta vez.
Assisti, ontem, a um filme mediano, mas que recomendo por ter um tema que precisa ser discutido. O Filme é Jogo de Poder (Fair Game). Não vou entrar na questão (vou entrar em alguma?) da batalha de Davi e Golias, de governo vs. cidadão. A questão é: até que ponto a verdade aparece na mídia? Até que ponto há verdade no que nos é exposto? A minha cutucada (eu hein, coisa de feicebuqui) é porque o mundo e a imprensa brasileira (com mais gravidade) andam me fazendo rir e enojar ao mesmo tempo.
Outro filme, este acima da média, que poderia citar é O Informante (The Insider). Quase o mesmo tema, com um agravante: a manipulação da (in)verdade, mesmo quando todos já sabem o que seria correto fazer.
Quero entrar na mídia informativa para tentar entender o que se passou no Campus da USP. Por que, apesar de ir contra os critérios jornalísticos, a TV Globo de hoje de manhã (09 de novembro) não dedicou uma única câmera e um mísero microfone aos estudantes que fazem o “estardalhaço” no campus e são contra a presença da PM na área da instituição. Uma única pergunta: “por quê?”; Por que não foi perguntada aos opositores? Zilhões de estudantes falaram sobre a não representação deles no manifesto e sobre como eles são contra a invasão. Quanto deles apóiam? Sei lá, não foram entrevistados. Não quiseram? Sei lá, a Globo não disse.
Por que de fato não se quer a presença dos policiais no campus? Há assaltos? Sim, mas, então, por quê? Como já escreveu o jornalista Roy Frenkiel, citando outra matéria “Só não tem medo de polícia quem nunca se manifestou contra o estado” e o Juca Kfouri já postou isso: http://blogdojuca.uol.com.br/2011/11/usp-autonomia-seletiva/, penso que há algum motivo, mas a mídia informativa de massa (que porra é essa?) informou, discerniu, contribuiu? Nada. Um só lado, uma só voz.
Particularmente, não sou a favor, contra ou muito-pelo-contrário aos estudantes da USP, não tenho uma boa opinião a respeito, apenas quero cutucar (eita, feicebuqui!). E atentar para dois filmes. Assistam.
O que são escolas exclusivas (de exclusão)? Não posso citar ou exemplificar todas, primeiro porque não conheço todas, segundo porque não sou capaz de exemplificar todas as que conheço. Portanto, fico com um exemplo, apenas um.
Uma escola exclusiva, geralmente, trata-se de uma escola particular de “boa qualidade”. Por que exclusiva? Porque parte do princípio de que o aluno precisa necessariamente atingir o nível da instituição, adequar-se aos “desafios” pedagógicos propostos; é a escola dita “tradicional” (e o termo ‘tradição’ aqui carrega um status quo reverencial), em toda a sua pompa e circunstância severa. A escola tradicional é o sonho de todo pai que adoraria ver o filho numa ótima universidade.
A escola exclusiva quer apenas os melhores, os que tiram as maiores notas nas suas avaliações tradicionais, quer os “meninos outdoors”, aqueles que infestam a cidade fazendo propaganda da instituição com os seus belíssimos primeiros lugares em Engenharia ou Medicina. Desconfio que existam os que pagam meninos para realizarem os vestibulares públicos pelo colégio.
O Prof. Dr. Vitor Henrique Paro, da USP, proferiu uma excelente palestra sobre avaliação no meu município (Mesquita/RJ) e disse, em dado momento, algo como: “enganam-se os pais achando que escolhem os colégios para os seus meninos, pois são os colégios (particulares) que escolhem os seus filhos, a partir do momento em que estabelecem as normas para a permanência do aluno na empresa.” E não é isso, mesmo?
Então, qual escola é inclusiva? Ora, aquela que aceita a todos, sem pré-conceitos ou pragmatismos educacionais; é aquela que pensa em uma evolução qualitativa, mas tal evolução precisa carregar a todos, ninguém pode ficar pelo caminho. É aquela que não se importa com outdoors, indoors, mas com o aluno, pois foi feita para ele. A escola inclusiva é uma instituição que foge da conta-bancária-cerebral, ou seja, o aluno (sem luz) não é um simples depósito onde o professor (magister) coloca conhecimento (Paulo Freire escreveu melhor, mas era quase isso). Onde está a escola inclusiva? A maioria? Nas redes públicas de ensino, principalmente nas redes municipais, pois trabalham com o Ensino Fundamental e, muitas, Educação Infantil (na minha opinião, fundamental).
As notas do ENEM, na minha modestíssima opinião, refletem isso. Uma escola inclusiva comporta a todos e isso, inevitavelmente, reverbera no sistema de avaliação em voga (e que apoio, diga-se de passagem). É fácil ter a nota máxima sendo exclusivo, quero ver ter este desempenho e pensando a educação, a qualidade da educação e a inclusão educacional. A meu ver, a escola pública, só por isso, já merece um crédito imenso. E nem vou tocar no ponto do péssimo salário, dos governos omissos e, muitas vezes, criminosos, na estrutura física incompatível com o ritmo de trabalho, etc.
Por que toquei neste assunto?
Porque já estou enojado de ler e assistir esta mídia muquirana passando um ar de conhecimento sobre o assunto e, na verdade, discorrendo de forma absurda e medíocre em relação à educação. Impressionante como os canais de televisão não se preocupam em esclarecer nada, vomitando, de maneira irresponsável, a sua visão neoliberal e distorcida sobre o tema.
Há casos e casos, assim como profissionais e profissionais, instituições e instituições, há de tudo neste mundo de ninguém, mas precisamos refletir, antes de cuspir.
Vamos falar primeiro de um assunto muito, mas muito engraçado, que descontração é a razão da nação política e biscateira, sem admoestação.
Surge da pura necessidade pseudo-social o clamor público-artístico-empresarial que a mídia intitula de movimento de combate à corrupção no governo federal. “Eu apoio!” é a logomarca do resfriado, como se fosse mais uma propaganda do Rock in Rio. E é, claro.
Aliás, antes do jornal O Globo surgir com a logomarca, o Noblat, o Pereira, a Leitão (quando crescer quero ser eles ao contrário!) falavam que a limpeza proclamada pelo planalto era uma grave crise no governo. Ninguém, além dos que odeiam a Dilma, o Lula e o PT, engoliram isso; e choveu apoio à presidenta e ao seu já conhecido culhão. E com números não se briga, nem por uma marmelada. Com 70% de aprovação é preciso, antes de tudo, acabar com a imagem para depois vir com a dita “crise”.
A sociedade deturpou-se e este é o atestado da mediocridade social. Afinal, quem, além dos corruptos, é a favor da corrupção? Logo, apoiar movimentos do tipo “cansei”, feito por órgãos que transformaram o “cansei” num movimento, é o que devemos refletir. O que quer a mídia com o borburinho? Tenhamos cuidado. Tenho quase certeza de que a metralhadora está atirando nos ladrões, mas quer, mesmo, é acertar a presidenta.
Aliás, nada me tira da cabeça o porquê do jornal ter comprado a idéia falaciosa e a atitude criminosa da revista Veja em relação ao José Dirceu. O que eu tenho a favor do Dirceu? Nada. O Dirceu é coisa pro STJ, mas nenhuma mídia quer o Dirceu. O que eles querem é associá-lo aos Illuminati, ao PII, à Tribo de Napoleão, ao funk carioca e, depois de demonizado, à Dilma.
Na verdade, gostaria mesmo é de estar errado. Redondamente errado.
De repente a mão pesada soviética descia como um machado que mais matava pelo impacto do grosso ferro medieval e bárbaro do que pela lâmina afiada da ideologia. E o machado de Stalin estava suado e sedento, insistentemente sedento. E as crianças continuavam crianças e neste estado perfeito de luz, sombras e pavor, como o choro de mil blues às margens do Mississippi, eis que uma canção sobre o amor incondicional foi cantada. Veio de perto, do coração de um velho pediatra ou escritor ou lindo, veio como a brisa soprada pelos lados do leste, onde o sol nasce, assim como a teoria de Ubuntu, das sacadas dos prédios destruídos, mas que conservavam janelas e camas; veio da fonte primeira e irradiante, de dentro dos setenta e dois nomes do verbo, do Fiat lux. Foi neste impreciso tempo adiante que o machado deu lugar ao sanatório de Hitler e ao tornado nazista e o pediatra optou por ser maior e virou gigante, deixando a pequenez dos homens do lado de fora e o amor às crianças do lado de dentro; e de dentro regeu a sinfonia polonesa mais conhecida do mundo moderno. O pediatra não conheceu Irena Sendler, contudo previu que também havia deus do lado de fora, previu que havia de ser pseudônimo de algo e, abraçado às crianças na morte, deu origem à árvore da vida.
Em 2005, quando os jovens filhos e netos de imigrantes tomaram as ruas de Paris e lançaram fogo em veículos, tinham celulares à mão. Se comunicavam e combinavam o jogo via SMS. Torpedos. Em 2008, no Irã, a relação foi via Twitter. No Egito, no início deste ano, o Facebook foi a ferramenta escolhida. Agora, em Londres, os jovens revoltados, desempregados, têm BlackBerries. É um longo e inesperado caminho para o aparelho que foi criado para altos executivos.
O primeiro celular BlackBerry chegou ao mercado em 2003. O conceito de um smartphone era novo, mas ele já tinha tudo: e-mail, web e os serviços móveis padrão, como telefonia e SMS. Era também muito caro e, por isso mesmo, tinha como público alvo executivos. Havia resistência a usar e-mail no celular. Parecia fácil de vazar, qualquer hacker poderia fazê-lo. A Research in Motion (RIM), empresa canadense que o criou, fez um sistema seguro, com rede própria. Fazia parte do atrativo. A um tempo, smartphone e BlackBerry eram sinônimos.
Tecnologia é produto de consumo e, portanto, a decisão de compra é complexa. As necessidades fazem parte da escolha. Mas marcas são construídas para ter apelo emocional. Quem gosta de Apple quer passar uma imagem de sofisticação descolada. Quem prefere Android, de certa forma, transmite um espírito independente. BlackBerry, durante um bom tempo, quis transmitir a ideia de seriedade, sisudez.
A Apple chegou tarde ao jogo dos celulares com o iPhone, em junho de 2007. O aparelho era lento, tinha uma câmera ruim, mas era uma beleza de usar. Fácil e elegante. Só em 2009, quando a terceira geração foi lançada, é que o hardware chegou ao patamar de qualidade do software. Mas, desde o início, o iPhone vendeu bem. Quando os primeiros celulares Android chegaram, no fim de 2008, eles seguiam a mesma lógica do modelo Apple.
A princípio, o BlackBerry manteve a imagem de celular do homem sério. Nos últimos dois anos isso tem mudado rapidamente. A RIM não conseguiu acompanhar o ritmo de inovação de Apple e Google. Foi uma empresa inovadora, tropeçou. E é aí que as forças de mercado desmontaram a estratégia de marketing do BlackBerry para transformá-lo no veículo de propagação da revolta da juventude pobre de Londres.
Celular que vende muito custa caro, o que vende pouco ganha descontos. Comprar iPhone exige enfrentar fila no Brasil, nos EUA ou na Europa. E o aparelho é caro. A diversidade de aparelhos rodando Android faz com que sua oferta seja maior, mas ainda assim os descontos são modestos. Não é preciso: os aparelhos vendem. O que as operadoras empurram com grandes descontos para conquistar novos clientes de smartphones são BlackBerries. Ainda assim, em todo o mundo, a RIM perde margem de mercado. É a escolha de cada vez menos pessoas.
Cresce, porém, entre adolescentes. É que o aparelho tem dois atrativos. Está barato e tem uma rede de troca de mensagens gratuita. Não custa dinheiro enviar uma mensagem de um BlackBerry para outro. Nas escolas da classe média carioca ou paulistana, o BlackBerry é o aparelho favorito. O mesmo se dá nos EUA. Uma pesquisa anunciada no início do mês pela Anatel britânica revelou que um terço dos usuários adultos de smartphones usam iPhones. É o mais popular nessa faixa. Entre adolescentes, 40% preferem BlackBerries.
Quando a turba ganhou as ruas londrinas na noite de sábado, a polícia foi para as redes sociais. Grudou no Twitter e Facebook, os suspeitos de sempre. Encontrou alguma coisa lá, mas não o principal. Demorou para perceber que o principal da conversa ocorria numa rede privada. Construída para executivos, segura.
A RIM tem um problema nas mãos. A polícia pede cooperação. Mas, se abrir a conversa dos vândalos britânicos, os executivos que ainda compõem sua clientela prioritária ficarão preocupados. Quem viola a privacidade de um, viola a do outro. O mundo dos celulares está mudando rápido.
o tema ao ar bolhas. os dois juntos. a faca na cena. um chão, duas partes. o primeiro estátua. o sonho. hermético. irmãos. corpo. e muito tempo a palavra bolhas, mas sabão e água. outras e mais outras. um tempo para a memória, e nada ao primeiro sentido. portas paredes objetos nas mãos e o fim bolhas, fumaça ou sabão ao ar. uma cadeira uma casa. uma espada de plástico, gestos. um leque na estante, prateleira tábua de restos de madeira juntos muito juntos. a música. o ritmo. os gestos. os cabelos. o corpo na dança. o lápis no papel.
sem ação.
**** a Júnia quis digitar e digitou, escolheu a letra e o colorido.
**** eu ditei.