quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Gran Torino
sábado, 12 de dezembro de 2009
Resumo da Chuva
E mais um ano passa por estas bandas, largas ou discadas, e o que se viu quase sempre foi chuva feia, esquisita.
Muitos PMs esquecendo dos seus deveres enquanto policiais (tudo bem, isso não é novidade, mas este ano extrapolou) e descambando de vez para o paralelismo do bandido de uniforme, muito político safado (tudo bem, outra vez, novidade alguma em terra brasilis) fazendo maracutaia com o dinheiro do povo, esquecendo de construir o coletivo, o social para satisfazer o bem-estar particular e familiar. Partidos partidos, racha na oposição, no governo... PED petista muito dividido e a certeza de que nem quando estamos no rumo, estamos no prumo.
É certo que houve coisas de estancar a pipa e aflorar o coração. Finalmente um Campeonato Brasileiro digno das antigas emoções. A maior torcida do mundo (ou a que existe no mundo todo) em polvorosa! Meu Mengão (êta timinho sofredor!) campeão outra vez e, outra vez com duas pratas da casa: Andrade (o heroi mineiro) e Adriano (feliz na favela, na laje e de chinelos). Tudo bem, pela terceira vez, o Pet é quase brasileiro (e muito Rubro-Negro). Desculpa, Jens, o seu Colorado quase chegou, mas, pense no lado positivo: não foi nenhum tricolor (ops... Desculpa, Professor Moacy)!
A Educação no país continua uma merda, mas a gente vai levando... O que eu vou dizer quando minha filha perguntar se deus realmente protege os corruptos? Será que eu vou lembrar que, com o advento do youtube, o povo pode ter memória curta, mas a Internet não? Que está tudo lá, a oração dos ladrões, depois de embolsarem o dinheiro sujo, pedindo para deus protegê-los, nas barbas do DEMocratas, do Brasil e de tudo que está errado em Brasília? Aliás, só o DEM é demoníaco?
É certo que continuamos por aqui, sobrevivendo aos BBBs, as Fazendas, as bundas de verão, das frutas, das revistas; tentando encontrar a nossa tribo, acomodar as ideias que, frutíferas, perambulam pela rede à procura de poesia. Continuamos aqui, chovendo de várias formas e expressões, buscando os pares, abrindo a roda e distribuindo nossas dúvidas no único e (ironia?) invisível espaço que, por enquanto, ainda é democrático.
Abraço a todos da tribo! Até 2010!
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
A piada e o Projeto
Deu nO Globo online: “PIB do Brasil sobe 1,3% no 3º trimestre, menos que o esperado. Sobre 2008, queda de 1,2%”.
Este jornal é de uma graça fantástica. Mais informativo que ele só o Rolando Lero, personagem do saudoso Rogério Cardoso. Impressionante como, com 2 linhas, o portal consegue informar e desinformar ao mesmo tempo. Explico.
Alguém consegue dizer o que, no final de 2008 e durante todo o ano de 2009, aconteceu financeiramente ao mundo? Pois é, acho que a imprensa marrom esqueceu da CRISE FINANCEIRA MUNDIAL... Talvez porque o Brasil, assim como apregoou o nosso presidente (e por isso fora defenestrado por este mesmo jornal), recebeu apenas uma marolinha da crise. Ah!, é claro, fomos o 3º país a sair da marola, provando mais uma vez que, além de fodões, não gostamos de maconha.
É claro que tal jornal não está sozinho nessa cruzada em favor do alarme e do projeto Que-se-Foda-o-Brasil, muitos, inclusive, abraçam a causa com tentáculos maiores, mais desinformativos e menos sutis. Contudo, ao contrário do que era feito no passado (as Kombis da Folha que o digam), graças a Internet, nada mais fica sem respostas imediatas, tanto de apoio quanto de repúdio.
Assim como fora apregoado que a “gripe suína” contaminaria milhões no Brasil, que a crise financeira mataria inúmeros patrimônios e que o efeito Dunga na seleção celebraria o retorno da ditadura militar (brincadeirinha), nada, absolutamente nada de verdade se concretizou, para desespero da direita brasileira (sim, ela existe! E está dentro da sua casa, no primeiro televisor ligado).
Portanto, continuemos com nossas vidas, celebremos a abertura das cervejas e os suculentos churrascos, o resto é pura palhaçada!
terça-feira, 17 de novembro de 2009
sábado, 14 de novembro de 2009
Os talebans da Uniban e a tensão entre a saia curta e a orelha comprida
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do (ótimo) blogue E você com isso?
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Eu continuo achando que, se a universidade institucionalmente considera que a roupa era inadequada, tinha jeitos menos selvagens de informar isso à estudante. Quando ela entrou, a batata-quente do ridículo estava na mão dela. Quando ela saiu, estava na mão de centenas de alunos e no colo da faculdade, muito mais quente e muito maior. E, sinceramente, também continuo achando que entre adultos o que se veste é problema de cada um. O blog do Marcos Guterman resume bem: a culpa acabou sendo da vítima.
Mas não era exatamente da loira da Uniban que eu queria falar. Queria falar de educação, num sentido mais amplo. Acho que o caso comprova, mais do que nunca, um ponto importante e que volta e meia volta à discussão de maneira rasa: a diferença abissal que existe entre educação e canudo.
Nesta semana, o presidente Lula entrou no foco desse debate. Começou com o Caetano Veloso botando lenha na fogueira ao elogiar por contraste a ex-ministra e futura presidenciável Marina Silva com um "ela não é analfabeta como Lula". É um tipo de argumento que sempre aparece e no qual eu nunca toco porque eu acho de uma imbecilidade colossal. Verdade que o Lula teve tempo suficiente pra fazer supletivos e até uma faculdade, mas não fez - a Marina Silva fez, o Vicentinho fez. Só que nem por isso ele é "burro" - pelo contrário, é esperto o suficiente pra saber quando dizer que não sabia de nada. Ele e seu governo têm problemas mais sérios do que isso.
O presidente tem respostas muito boas pra esse tipo de crítica. Está acostumado, enfim, após tantos anos de vida pública. Em discurso no congresso nacional do PC do B, Lula falou uma grande verdade em serviço próprio:
"Tem gente que pensa que a inteligência está ligada à quantidade de anos de escolaridade que você tem. Não tem nada mais burro que isso. A universidade te dá conhecimento, aperfeiçoamento. Inteligência é outra coisa."
De uma maneira mais comprida, ele basicamente explicou a frase antológica do mestre Barão de Itararé: "canudo não encurta orelha".
Já tive longas discussões com minha avó sobre isso. Mulher sábia, do alto de seus 90 anos, ela insiste em se dizer "burra" porque só estudou até a terceira série. Porém, alguns insights que saem de sua cabeça, a partir do que viu e viveu, são mais profundos do que a maior parte da produção intelectual de ciências humanas do Brasil, ou pelo menos na área da comunicação. (Antes que venham com pedras: sim, eu tenho o hábito de ler trabalhos acadêmicos. Geralmente acho que sou masoquista.)
Outro debate interessante em que essa confusão se fez notar recentemente foi no rolo da obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Eu, pessoalmente, acho que estudar jornalismo é muito útil para um futuro jornalista. Mas acho que a obrigatoriedade era um prêmio para as faculdades ruins. Prêmio que elas aproveitaram bem, no boom de faculdades de esquina que surgiu a partir dos anos 90. Lucraram muito com isso. Durante quatro anos, ensinavam qualquer coisa basicamente para justificar as mensalidades. Ao final, entregavam um canudo que valia tanto quanto o de uma faculdade boa - afinal, era isso o que importava - e o aluno que se virasse pra aprender tudo no mercado de trabalho. Ou para achar outra profissão, sei lá.
Muita gente bem-intencionada critica a decisão do STF de derrubar a obrigatoriedade do diploma. Acham que isso "desvaloriza" a profissão. Eu acho que não. Acho que isso tira o prêmio das faculdades ruins. As boas estão seguras. As médias vão ter que melhorar pra sobreviver, e isso é ótimo. A finalidade de estudar jornalismo não é ter acesso a um pedaço de papel, e sim a um conjunto de conhecimentos. Ainda nesta semana, meu mestre Plínio Bortolotti, do jornal O Povo, publicou em seu blog a informação de que, após a decisão do STF, o Ministério do Trabalho não está mais fazendo registro profissional de jornalistas. Também acho ótimo: acho que obrigar jornalistas a pedir licença para exercer sua profissão é resquício ditatorial. Quando precisava pedir, estávamos acompanhados de atores, sociólogos e flanelinhas. Agora, que não precisa mais pedir, estamos na companhia de engenheiros, advogados e médicos. Se não tinha critério, melhor não ter. (Que desobriguem também os atores e sociólogos!)
Mas esse pessoal bem-intencionado gosta da segurança que o papel dá. O canudo, o carimbo, a marca d'água, as assinaturas de três testemunhas, as diferentes destinações de vias de cores diferentes, a firma autenticada em cartório, a obrigatoriedade de apresentar certidão de nascimento junto da carteira de identidade indo pessoalmente ao local.
Isso está na base da cultura brasileira, cartorial e bacharelesca. O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, que morreu nesta semana, foi um dos fundadores da Universidade de São Paulo. Em seu clássico "Tristes Trópicos", porém, Lévi-Strauss fez observações ácidas sobre os hábitos intelectuais dos estudantes brasileiros:
"Nossos estudantes queriam saber tudo; mas, em qualquer campo que fosse, só a teoria mais recente parecia merecer-lhes a atenção. Fartos de todos os festins intelectuais do passado, que aliás só conheciam por ouvir dizer, já que não liam as obras originais, conservavam um entusiasmo sempre disponível pelos pratos novos. No caso deles, conviria falar mais de moda que de gastronomia: idéias e doutrinas não ofereciam, em seu entender, um interesse intrínseco, consideravam-nas como instrumentos de prestígio cujas primícias deviam conseguir. Partilhar uma teoria conhecida com outros equivalia a usar um vestido já visto; expunham-se a um vexame. Em compensação, praticavam uma concorrência ferrenha à custa de muitas revistas de vulgarização, periódicos sensacionalistas e compêndios, para conseguir a exclusividade do modelo mais recente no campo das idéias. (...) No entanto, a erudição, da qual não tinham o gosto nem o método, parecia-lhes (...) um dever; de modo que suas dissertações consistiam, qualquer que fosse o tema, numa evocação da história geral da humanidade desde os macacos antropóides, para terminar, por meio de algumas citações de Platão, Aristóteles e Comte, na paráfrase de um polígrafo enfadonho cuja obra tinha tanto mais valor na medida em que, por sua própria obscuridade, era bem possível que nenhum outro tivesse a idéia de pilhá-la." (evoé, @mrguavaman)
Isso era bem antes dos tempos atuais. Ele viveu no Brasil entre 1935 e 1939. Em 1936, o brasileiro Sérgio Buarque de Hollanda escrevia, em "Raízes do Brasil":
"A dignidade e importância que confere o título de doutor permitem ao indivíduo atravessar a existência com discreta compostura e, em alguns casos, podem libertá-lo da necessidade de uma caça incessante aos bens materiais, que subjuga e humilha a personalidade. Se nos dias atuais o nosso ambiente social já não permite que essa situação privilegiada se mantenha cabalmente e se o prestígio do bacharel é sobretudo uma reminiscência de condições de vida material que já não se reproduzem de modo pleno, o certo é que a maioria, entre nós, ainda parece pensar nesse particular pouco diversamente dos nossos avós. O que importa salientar aqui é que a origem da sedução exercida pelas carreiras liberais vincula-se estreitamente ao nosso apego quase exclusivo aos valores da personalidade. Daí, também, o fato de essa sedução sobreviver em um ambitente de vida material que já a comporta dificilmente. Não é outro, aliás, o motivo da ânsia pelos meios de vida definitivos, que dão segurança e estabilidade, exigindo, ao mesmo tempo, um mínimo de esforço pessoal, de aplicação e sujeição da personalidade, como sucede tão frequentermente com certos empregos públicos".
E o que é que o caso da Uniban tem a ver com isso?
Bom, pra mim pareceu mais ou menos claro que aquelas centenas de alunos não estavam lá para estudar. Se todo mundo podia sair da sala de aula pra chamar uma colega de puta, é porque isso era mais importante do que estudar. Se a faculdade acha que é mais importante expulsar a aluna saliente do que tomar medidas contra os alunos talibãs que mataram aula pra linchar moralmente a aluna saliente, é porque a faculdade não apenas sabe desse vezo como também o apoia - ao menos nesse caso, em que atribuiu a culpa do tumulto de centenas alunos a uma aluna só.
E como não apoiaria? É mais negócio perder uma mensalidade ou 700? O canudo está garantido lá no final. E, afinal, é ele que importa. Com o canudo na mão, ninguém vai chamá-los de burros como chamamos o presidente, não é?
Como eu falei no comentário da TV, mais dia menos dia esses caras estarão nas empresas e na política. Com seu senso de moral peculiar reforçado, porque até a faculdade lhes deu razão no caso, e toda a empáfia da cultura bacharelesca brasileira.
O problema do Brasil nunca foi a saia curta. É a orelha comprida.
por Marcelo Soares
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Relato de um sol eterno
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Como escrever sobre o amor
A mão da mãe manhava
Trêmula, fosca, fatigada
Ao perder a direção, prumo
Do mar do filho curvo
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Chegou e quase não disse
Sua voz miava quinze
E eu perguntava: quinze anos?
Enganos? Sem planos? Cu?
.
O filho no mundo voava?
Ela, sem chão, mergulhava
Perdendo a procura, o tempo
O nome, a febre, a dor
.
Quem sabe se vive?
A polícia não sabe ou suspeita
Como não sabe ou suspeita
Da Baixada e da chacina.
ccalligari@uol.com.br
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Esta é a capa da edição de hoje do jornal carioca O Dia. Impossível não postar!quinta-feira, 5 de novembro de 2009
D. Pedro Casaldáliga
[ cf. Barbaridades críticas, de Marcius Cortez ]
Tudo é relativo
menos Deus e a fome.
(Noemas 34)
Por onde passei,
plantei
a cerca farpada,
plantei a queimada.
Por onde passei,
plantei
a morte matada.
Por onde passei,
matei
a tribo calada,
a roça suada,
a terra esperada...
Por onde passei,
tenfo tudo em lei,
eu plantei o nada.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Também morre quem nunca atirou
Pense nisso: dois marginais abatem um cidadão na cidade do Rio de Janeiro, roubando seu casaco e tênis. Neste momento, dois policiais surgem, rendem os ladrões, prendem-nos, socorre o cidadão, dão entrada no processo... Dia seguinte, a mídia descobre que as câmeras, instaladas nos interiores das lojas, captaram tudo e exibem-nas em horário nobre. Governador e Comandante vão à TV falar da incrível capacidade da polícia, do excelente preparo dos soldados. Os policiais dão entrevistas ao lado do Secretário de Segurança, são condecorados. A opinião pública dorme sossegada.
Pense nisso: dois marginais abatem um cidadão na cidade do Rio de Janeiro roubando seu casaco e tênis (mas poderia ser apenas a carteira, o relógio, uma cédula de cinco reais). Dois policiais, 60 segundos depois, aparecem em uma viatura, descem, olham para o sujeito estirado na calçada, prosseguem o curso, rendem os dois marginais, pegam os frutos do roubo, guardam na viatura, liberam os marginais (agora, assassinos), batem ponto e vão para casa sem socorrer a vítima ou fichar o acontecido na delegacia.
Pense nisso: o céu ou o inferno é uma questão de segundos. Daqui a pouco, algum maluco vai declarar à mídia que as câmeras poderiam estar externas no Rio de Janeiro todo. Alguém lembrará que George Orwell está mais vivo do que nunca e que isso seria invasão de privacidade, que daqui a pouco estariam nas escolas, hospitais, em casa! Mas a opinião pública não dará bola, monitoramento no cidadão agora! E tudo por causa de dois policiais(?) que, ao invés de fazerem o que deveriam, inverteram o jogo, a moral, o juramento, e botaram tudo pra foder. Inclusive com a já desprestigiada Polícia Militar.
O cidadão assaltado está morto. Assim como todos nós.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Como bem publicou a revista Veja, edição 2108, de 15 de abril, 500 universidades adotariam o novo sistema de seleção para o Ensino Superior. O Enem ganhava confiança e credibilidade.
Aí, um belo dia, um segurança vaza a prova e várias universidades que lucravam com a taxa do vestibular, milhares de cursinhos pré-vestibulares e outras centenas de políticos sorriram, quase gozaram, com a falha estrutural: “o sistema lucrativo, a indústria, está garantido!”
Não acredito que houve interferência do tradicionalismo tacanho e retrógrado ou dos “homens de preto” nessa história, apenas percebo a vitória da selvageria nisso tudo: dinheiro, a pura e simples motivação do dinheiro. Motivação essa que pode ter atrasado um recurso educacional superior ao vestibular. O Enem é muito mais justo e democrático.
Vamos esperar para ver. Que o Governo consiga reverter a situação e a credibilidade volte.
