sexta-feira, 5 de junho de 2009

Qual a necessidade do liberté, egalité fraternidad?

Publicado por Felipe em seu blogue:
Primus scribere deinde, philosophari
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De que Serve a Bondade
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1
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
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De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
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De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
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2
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!
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Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
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Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!
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Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A propaganda oficial e a voz do dono

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A Folha de S. Paulo publicou no domingo (31/05) uma matéria muito interessante do repórter e colunista Fernando Rodrigues sobre os gastos da propaganda do governo Lula. O que a Folha vê como ponto negativo na política do atual governo este observador avalia ser a melhor novidade dos últimos anos no setor.
A questão é simples: segundo a Folha, com praticamente o mesmo recurso utilizado na gestão anterior, considerando a correção monetária, o governo Lula anunciou em mais de 5 mil veículos de comunicação. Durante o governo de Fernando Henrique, eram apenas 500 os beneficiados.
A matéria da Folha sustenta que essa prática não é condizente com as regras de mercado e cita exemplos da Fiat e Itaú, que publicam anúncios de alcance nacional em menos de 200 veículos. De fato, o governo Lula não obedece às regras de mercado e esta é a melhor notícia que se pode ter na área da distribuição das verbas públicas para publicidade em veículos privados de comunicação.
Sim, porque com a maior distribuição dos recursos de propaganda, na prática o governo fomenta a democratização dos meios de comunicação. Antes, só os grandões levavam o meu, o seu, o nosso dinheirinho, impedindo o crescimento de outras publicações. Agora, jornais regionais e pequenos também levam e podem se tornar competitivos, o que é ótimo para a sociedade de várias formas: dinamiza o mercado de trabalho do setor, possibilita que diferentes vozes tenham meios de expressar suas ideias, enfim, é tudo de bom.
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A voz do dono
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Dois excelentes colunistas da Folha de S. Paulo – um dos quais o próprio autor da matéria publicada domingo – perderam na segunda-feira (1/6) a chance de ficarem calados. Defenderam a destinação dos recursos oficiais para propaganda apenas aos grandes veículos de comunicação.
O texto de Fernando de Barros Silva, em especial, cairia perfeitamente bem na assinatura do patrão Otavio Frias Filho. Já o de autoria de Fernando Rodrigues é uma análise interessante, mas derrapa nas últimas linhas. Ambos vão reproduzidos ao final desta nota.
A questão, como já se viu acima, é muito simples – simplíssima, aliás –, mas vale repeti-la. Se Lula gasta a mesma verba que FHC gastava com publicidade, poderia fazer duas coisas: manter o padrão de gastos do governo anterior, que privilegiava os grandes meios de comunicação, ou diminuir o quinhão dos grandes e distribuir a verba entre os pequenos.
O governo optou pela segunda forma de distribuir verba e é acusado pelos colunistas da Folha de estar comprando a simpatia dos proprietários de pequenas rádios, jornais e revistas. Ora, se o governo não pode distribuir a verba, resta então a outra hipótese: manter o padrão de distribuição da gestão anterior, na qual praticamente só os grandes veículos tinham acesso aos recursos da publicidade oficial.
Ou seja, os dois Fernandos – mais o Barros e Silva e menos Rodrigues – no fundo defendem mais um capilé para a Folha de S.Paulo e nada para o Diário de Cabrobó do Mato Dentro. Justo? Talvez, mas a verdade é que seria muito mais elegante se o próprio Otavio Frias Filho defendesse a tese, em artigo assinado ou em editorial. Quando jornalistas decidem ser mais realistas que o rei, em geral o vexame é grande.
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Propaganda de Lula chega a 5.297 veículos
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Com PT no Planalto, o número de meios de comunicação que recebem verbas de publicidade federal aumentou 961%
Ao tomar posse, comerciais do petista atingiam 21 TVs e 270 rádios; no fim de 2008 já havia 297 TVs e 2.597 rádios veiculando anúncios oficiais
Fernando Rodrigues, da Sucursal de Brasília
Os comerciais do Palácio do Planalto atingiram no ano passado 5.297 veículos de comunicação no país. O número representa uma alta de 961% sobre os 499 meios que recebiam dinheiro para divulgar propaganda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, quando o petista tomou posse.
Esse padrão de pulverização na publicidade é incomum na iniciativa privada. Segundo dados do Ibope Monitor, a Fiat anunciou em 206 meios de comunicação diferentes no ano passado. O banco Itaú, em 176. Trata-se de uma pesquisa por amostragem, mas mesmo com um desvio de 1.000% o número de veículos nos quais essas duas empresas anunciam não se aproximaria dos 5.297 escolhidos pelo governo federal.
A regionalização da propaganda federal é parte de uma estratégia de marketing do governo. Presidente mais bem avaliado no atual ciclo democrático, Lula viu sua alta popularidade se consolidar numa curva quase paralela ao avanço da distribuição de seus comerciais pelo interior do país.
"O fato de ter ampliado a presença do presidente na mídia regional pode ter ajudado [a elevar a popularidade do governo]", admite Ottoni Fernandes, subchefe-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que está sob o comando do ministro-chefe da Secom, Franklin Martins.
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Mudança de estratégia
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Diferentemente dos antecessores, Lula regionalizou radicalmente a distribuição de verbas de publicidade. Não houve um aumento expressivo no valor gasto, mas uma mudança de estratégia. Grandes veículos de alcance nacional passaram a receber um pouco menos. A diferença foi para pequenas rádios e jornais no interior.
O orçamento total consumido em mídia por Lula e pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), seu antecessor, oscilou sempre na faixa de R$ 900 milhões a R$ 1,2 bilhão por ano -sem contar patrocínios e outros custos relacionados à produção de comerciais.
No caso das verbas apenas para a Presidência, só há dados disponíveis a partir de 2003. Antes a propaganda presidencial era feita de maneira dispersa pelos vários organismos da estrutura federal. Lula gasta anualmente um pouco acima de R$ 100 milhões com comerciais idealizados pelas agências que servem ao Planalto.
A diferença em relação ao governo anterior é a distribuição das propagandas por muitos meios de comunicação de pequeno porte. Logo depois de tomar posse, os comerciais do petista atingiam, por exemplo, apenas 270 rádios e 21 TVs. No final do ano passado, já eram 2.597 emissoras de rádio e 297 TVs recebendo dinheiro do Planalto para divulgar mensagens da administração federal.
Não se trata de publicidade de utilidade pública. Campanhas de vacinação ou sobre matrículas escolares continuam sendo executadas pelos ministérios. A propaganda produzida pelo Planalto é sobre ações de interesse político-administrativo -como divulgar a lista de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida.
Às vezes o governo também atua como animador da população. No final do ano passado, uma campanha nacional foi veiculada para que os brasileiros não interrompessem o consumo por receio dos efeitos da crise econômica internacional.
"O presidente Lula, se eu pudesse escolher, deveria ser o profissional de comunicação do ano. Ele reduziu, no gogó, a tensão da população, da classe C ascendente. O presidente é ótimo em comunicação integrada. A regionalização da mídia é uma parte. Já existia antes de a crise chegar e ajudou", diz Mauro Montorin, publicitário da agência 141, uma das responsáveis pela conta da Presidência da República.
A capilaridade dos comerciais de Lula pode ser também mensurada pelo número de cidades brasileiras nas quais há propaganda do Palácio do Planalto. Em 2003, eram 182 municípios atingidos. Agora, são 1.149 -uma alta de 531%.
"A mídia regional é mais ligada às comunidades e tem mais credibilidade localmente (...) Partimos para uma política de atender a mídia regional, com mais entrevistas do presidente. Há uma mania no Brasil de achar que a mídia é só em São Paulo e no Rio", diz Ottoni Fernandes, subchefe da Secom.
A diretriz geral é dada pelo ministro Franklin Martins: "A imprensa regional está crescendo no Brasil. O objetivo do governo é se comunicar com a população e esses veículos do interior atingem uma parcela relevante da população".
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Rádios e jornais
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Em 2003, havia 5.772 rádios no Brasil, de acordo com o Ministério das Comunicações. Hoje, são 8.307 emissoras, incluindo as 3.685 chamadas "rádios comunitárias", cujo alcance do sinal é limitado.
No meio jornal, quando Lula tomou posse, existiam 2.684 títulos no país, segundo a Associação Nacional de Jornais; em 2006, último dado disponível, já eram 3.076 veículos.
Uma das razões para a iniciativa privada não anunciar na maioria desses veículos é a falta de mecanismos para auditar a penetração da mensagem e aferir a eficácia do comercial. Poucos jornais no país têm tiragem comprovada pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação). Essa entidade só inspeciona 118 dos mais de 3.000 títulos.
O governo afirma exigir comprovação de impressão por parte dos pequenos jornais antes de fazer o pagamento. No caso das rádios, diz Ottoni Fernandes, "há cadastro com todas as emissoras em cidades com mais de 50 mil habitantes", que precisam emitir faturas e dar alguma prova de veiculação do comercial. Essa é uma exigência do TCU (Tribunal de Contas da União), que foi consultado ao longo do processo de regionalização para aprovar os métodos do Planalto.
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Fernando de Barros e Silva
O Bolsa-Mídia de Lula
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SÃO PAULO - O jornalista Fernando Rodrigues deu uma grande contribuição ao conhecimento da máquina de propaganda do lulismo. A reportagem que publicou ontem na Folha mostra como, na atual gestão, o Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo.
Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008.
O que isso quer dizer? A língua oficial chama de regionalização da publicidade estatal e a vende como sinal de "democratização". Na prática, significa que o governo promove um arrastão e vai comprando a mídia de segundo e terceiro escalões como nunca antes neste país.
Exagero? Eis o que diz Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo e membro da Frente Parlamentar de Mídia Regional: "Cerca de 50% das rádios e dos jornais do interior pertencem ao comunicador. O dono faz o jornal ou o programa de rádio. Se recebe dinheiro, passa a ter mais simpatia e faz uma comunicação mais adequada ao governo. Há uma reciprocidade".
Enquanto, na superfície, Lula trata de fazer a sua guerra retórica contra a "imprensa burguesa", que lhe dá azia, no subsolo do poder a engrenagem montada pelo ministro Franklin Martins se encarrega de alimentar a rede chapa-branca na base de verbas publicitárias. É o Bolsa-Mídia do governo Lula.
Essa mídia de cabresto que se consolidou no segundo mandato ajuda a entender e a difundir a popularidade do presidente. E talvez explique, no novo mundo virtual, o governismo subalterno de certos blogs que o lulismo pariu por aí.
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Fernando Rodrigues
Lula, certeza única
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BRASÍLIA - Quando a popularidade de Lula caiu cinco pontos percentuais, há dois meses, frequentou os céus de Brasília a hipótese do "ponto de inflexão" para o petista. Pela análise propagada, legítima, estaria em curso a inexorável trajetória crepuscular na taxa de aprovação de todo o presidente rumo ao fim do seu mandato.
A julgar pela pesquisa Datafolha publicada ontem, a inflexão, se é que houve, foi só um soluço. Por ora, está abortada. A popularidade de Lula segue como uma das únicas certezas sobre o cenário sucessório de 2010. Há dúvidas sobre quem serão os candidatos do PT e do PSDB e se a tese do terceiro mandato tem ainda alguma chance remota de prosperar. Mas inexistem pontos de interrogação sobre o poder de influência do atual presidente no processo de escolha do próximo ocupante do Planalto.
Certeza em política, manda a prudência, é algo a ser tomado com muito cuidado ou desdém. Um fator extra campo, para emprestar uma metáfora futebolística ao gosto de Lula, poderia muito bem ceifar a popularidade presidencial. Mas é necessário reconhecer que a gordura acumulada pelo petista confere a ele resistência para atravessar um eventual deserto. O momento, como se sabe, era outro, mas não custa recordar que nesta mesma época, em 2001, Fernando Henrique Cardoso tinha 19% de "ótimo" e "bom" no Datafolha. Lula está com 69%.
A resiliência inaudita do petista não surge por geração espontânea. Tampouco é fruto apenas da capacidade de comunicação do ex-sindicalista. Tudo é resultado de uma complexa estratégia de marketing. O governo brasileiro pré-PT sempre foi o maior anunciante do país. Agora, sob Lula, elevou essa condição ao paroxismo. Chega sozinho a 5.297 veículos de mídia impressa e eletrônica. O sabão em pó Omo ou políticos de oposição, por enquanto, não são páreo para Lula.

sábado, 23 de maio de 2009

Obama, Veja e todas as futilidades de hoje

Uma simpática notícia surgiu das malfadadas páginas de Veja há, mais ou menos, um mês: “Barack Obama propõe o fim dos arsenais atômicos.” (Pág. 66 – 15 de abril de 2009 – A volta da Utopia de um mundo sem armas nucleares).
Contudo, Veja, que questiona muito pouco o “absolutamente nada”, continua na sua, não reportagem, mas pregação evangélica contra o diabo inexistente: “A questão é se isso é possível num mundo com países fora da lei como o Irã e a Coreia do Norte.” Ora, Irã produzirá, se obtiver êxito no urânio enriquecido, duas bombas atômicas por ano. Se olharmos para o país divino e inocente do Sr. Obama, com suas 27.000 armas nucleares, o que dizer? A intenção do Mister Presidente é reduzir, tanto USA quanto Rússia, os seus “pequenos” arsenais em, talvez, “apenas”, mil bombas cada (quantas bombas são necessárias para tirarmos, deste planeta, a raça humana e os não-humanos como Zé Sarney, ACM Neto, Ramalho, Menino Maluquinho Filho, Babu, etc?). Este simpático norte-americano é bonito, não é mesmo? Bonito e incrivelmente hipócrita.
Mas, sim, é difícil tragar o Irã (e seu presidente show-man com vocação para ser a próxima vítima da América) e a Coreia do Norte (com seu presidente (?) natimorto), assim como é difícil de tragar qualquer nação que traz, na sua essência patriótica, o desrespeito aos direitos humanos e a religiosidade cega como instrumento governamental. Mas... devo voltar a estas duas frases: “religiosidade como instrumento governamental” e “desrespeito aos direitos humanos”... Nossa! Estou falando dos Estados Unidos! Estou falando do discurso do ex-presidente Bucha-Bicha-Bush sobre ser um instrumento de deus, sobre a sua “missão divina” e também estou falando da prisão em Guantánamo (aquela prisão que uma determinada miss adorou!).
Obama tem boas intenções ou está fazendo um esforço incrível para limpar a barra de uma nação, hoje, antipática frente a todas as comunidades internacionais? Sei não... mas depois que li “História da Riqueza do Homem”, de Leo Huberman, acreditar em notícias assim está cada vez mais difícil.
Aliás, acreditar no homem já é um puta exercício de fé.

sábado, 16 de maio de 2009

No Amazonas, sobrinha do vice-governador faz valer a lei da selva na sala de aula

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Na faculdade de jornalismo da Universidade Federal do Amazonas, numa classe do primeiro ano, o professor Gilson Monteiro estava dando uma aula quando foi falar de política. Comentou que a CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que foi encerrada na Câmara dos Deputados em 2004, estava prestes a indiciar o vice-governador Omar Aziz (PMN-AM) quando houve a intervenção de um senador influente no estado: Arthur Virgílio (PSDB-AM). O pedido também teve o apoio da então deputada Celcita Pinheiro, mais tarde denunciada por envolvimento com a máfia dos Sanguessugas.
O professor informou aos alunos que Virgílio pedira para tirar o nome de Aziz da lista de recomendações para indiciamento.
Monteiro não disse absolutamente nenhuma mentira, como se pode ver nesta notícia publicada na época pela Agência Câmara. Ou nesta ata de 8.jun.2004, quando a deputada Maria do Rosário apresentou um requerimento visando "apurar a responsabilidade penal do Sr. Omar Aziz, Vice-Governador do Estado do Amazonas, pela obstrução, dos trabalhos desta Comissão Parlamentar de Inquérito, na oportunidade da Audiência Pública realizada na cidade de Manaus, em 24 de maio de 2004". Ou nesta ata de 7.jul.2004, quando Virgílio efetivamente solicitou a exclusão do nome de Aziz.
Como se pode ver pelos documentos, o professor Monteiro não estava mentindo. Aziz seria incluído no relatório final da CPI, embora eu não saiba sob que acusações, mas teve seu nome retirado por iniciativa do senador Arthur Virgílio. Monteiro só não contava com o elemento surpresa.
Uma aluna se levanta, indignada. Segundo a Folha, era Samara Abdel Aziz, 17 anos. Omar Aziz, o vice-governador, é seu tio. Ela sai da sala para fazer um telefonema. Mais tarde, ela escreveria no Orkut: "respeito é bom e mantém os dentes no lugar". Certamente ficou orgulhosa do que aconteceu depois.
Em meia hora, dois irmãos do vice-governador estavam na sala de aula. Um deles era o pai da aluna. Os dois derrubaram o professor, cobriram-no de socos e pontapés. Ao final, um deles, Amin Aziz, fez uma ameaça bastante grave. Nas palavras de Gilson Monteiro:
Pelo gesto de Amin Aziz, irmão do vice-governador do Estado do Amazonas, Omar Aziz, ao final da brutal agressão que sofri na frente dos meus alunos, no final da tarde ontem, estou marcado para morrer. Após me aplicar três socos e dois chutes, o cara apontou o dedo e simulou o gesto de puxar o gatilho de uma arma. Pela forma como me olhou, Aziz, teria descarregado completamente a arma em mim. Aliás, o ar era de imensa satisfação. Isso em pleno auditório Rio Negro, do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). É o fim do mundo não se poder, em uma aula, citar um exemplo de fato que foi noticiado nacionalmente, como ilustração da interferência política no jornalismo. Mais absurdo ainda é um sujeito invadir uma universidade pública federal e agredir um professor em pleno exercício da sua atividade profissional. Certamente o indivíduo acredita na impunidade total por ser irmão do vice-governador do Estado. Só espero que a Polícia Militar (do Governador) garanta minha integridade física e dos meus filhos. Caso sofra algum atentado daqui para a frente não tenho dúvidas de que, se não foi a mando, foi um ato do meu agressor, irmão do vice-governador do Estado.
Na terça, o vice-governador deu uma entrevista coletiva. Disse que não se responsabilizava pela pisada de bola dos irmãos, mas também prometeu processar o professor por ter afirmado que ele teve seu nome retirado do relatório da CPI por influência política.
Amin Aziz, que apontou um revólver de dedos para a cabeça do professor, pede desculpas pela exaltação, mas continua culpando o professor por ter falado em corda na frente da sobrinha de um enforcado.
"Eu discordo da atitude de um professor de formar uma opinião dentro de uma universidade. Ele é pago para ensinar. Tenho a certeza de que foi proposital. Eu não acredito que um professor não saiba quem são os alunos. Ele usou de má-fé", disse ele à Folha.
No ano passado, houve outra celeuma envolvendo o mesmo político, o mesmo assunto e outros personagens truculentos. No caso, militantes que ameaçaram estudantes por perguntar se Aziz havia sido indiciado pela CPI da Pedofilia.
E você, o que acha do assunto?
Eu, pessoalmente, acho que um professor tem que ter o direito de falar o que quiser, se for pertinente e não for mentira. Numa faculdade de jornalismo, deixar de discutir assuntos políticos relevantes na vida do estado é um tiro no pé. Entendo a irritação pessoal da menina, porque afinal se trata do tio dela. Mas isso não é jeito de começar a entrar no jornalismo. Bola murcha pra você, Samara. Tem outros jeitos bem menos selvagens de enfrentar uma questão incômoda.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Precisamos de humanidade?

Do que precisamos?
A pergunta cretina e complexa pode ser defendida em botecos miseráveis nos grotões da Baixada Fluminense ou na grande palestra, paga com dinheiro público, de um formidável pensador em voga, ou de graça, por um trôpego desgraçado com voz broqueada. Independente do grau de complexidade ou imbecilidade que daremos, a resposta pode ser dividida “n” vezes ao quadrado.
Do que precisamos?
Se eu fosse banqueiro, a resposta inevitável seria: controle.
O homem, aos olhos dos donos do poder, precisa da liberdade difundida por países ditos “democratas”. Países assim não existem de fato, mas que liberdade há, no mundo, de fato? Liberdade e democracia são ilusões apresentadas para que o sistema escravocrata funcione melhor, como uma “matrix” inversa, funcionando enquanto estamos acordados. Os donos do poder precisam que acreditemos nas conquistas apresentadas e nas ameaças inventadas. Se não tivéssemos medo do terrorismo(?), se não tivéssemos medo de Deus(?), se não tivéssemos medo da queda capitalista (ou a socialista desumana), se não tivéssemos medo do nosso próximo... O mundo seria ditado por Eles?
Do que precisamos?
Se eu fosse político, a resposta inevitável seria: ignorância.
O homem, aos olhos dos políticos contemporâneos, é um perigo real, uma bomba que precisa se perder no abismo da ignorância. Dá para imaginar um povo exigindo, dos seus governantes, melhores condições de trabalho, de lazer, de saúde, de educação, de segurança? Dá para imaginar um povo vivendo sempre inconformado com o Governo, sempre a exigir reformas, direções, rumos? Quantos dos deputados, senadores, vereadores, que hoje estão no poder, estariam gozando de tal mandato com um povo culto e saudável? Quantos destes políticos estão a serviço dos Donos do Poder, controlando o povo com as concessões públicas de TV dadas a eles mesmos? Quantos controlam (corrompem ou compram) os jornais, rádios, portais que servem a uma determinada elite?
Do que precisamos?
Estou com esta pergunta na cabeça depois de assistir a Zeitgeist, dois “supostos” documentários sobre o caos do mundo ser controlado pelos donos do poder de forma matemática. Confesso que, apesar da mensagem tendenciosa e utópica na solução, sinto-me inclinado a dizer que muito do que vi vem ao encontro do que penso há tempos. Tenho quase certeza de que estamos no meio de um grande circo onde leões, palhaços e platéia são, na verdade, a raça humana. Contemplamos a nós mesmos e, ainda assim, nos destruímos sob aplausos. É conferir e atestar (ou contestar).

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Hoje eu estou "postado" no excelente blogue Palimpnóia. Gostaria de dizer que estar entre a trupe que o escreve é emocionante, mas vocês precisam dar um pulo lá para entenderem a grande honra que é ter um texto seu publicado por eles.
Visitem-no e, como diz o nosso capitão Pirata, que seu olhos sejam atendidos!


sábado, 2 de maio de 2009


De gripe suína eu entendo tanto quanto entendo de avião: NADA! Contudo, as piadas do excelente blogue Kibe Loco deixam a pulga atrás da minha orelha, porque eu também não acredito no estardalhaço que estão fazendo em torno de uma gripe que matou quantos ao redor do planeta? 300 pessoas? Gente, qualquer gripe pobre, dessas que pegamos todos os dias em qualquer lugar de qualquer cidade mata nesta proporção. Aliás, a Dengue, aqui do Rio de Janeiro, fez muito mais vítimas só ano passado. Então, dignos repórteres e especialistas de plantão: parem de encher o meu saco! Assim como já disse o Felipe, do blogue Primum scribere deinde, philosophari, eu também acho que tem merda vindo por aí... Enfim.

sábado, 25 de abril de 2009

Há luz?

Está na revista Veja (8 de abril de 2009), pág. 61: “Foi tão divertido! O lugar é tão relaxante, tão calmo e bonito.” A frase em questão foi vomitada pela mais recente Miss Universo, a venezuelana Dayana Mendoza, e refere-se à prisão americana em Guantánamo.

            Até onde pode chegar a “brutalidade intelectual” das pessoas é um enigma, contudo, desde que existente no mais remoto cu-do-mundo, ninguém se importa, mas quando uma aberração assim é lançada do limbo da mediocridade direto para os holofotes perversos (e igualmente medíocres) da mídia, a coisa muda drasticamente de figura. Muda porque invade os nossos lares e faz-nos pensar (ou não): este será o legado da futura geração (meus filhos!)?

            A Miss Universo, ou seja lá o que isso queira dizer, não me interessa, mas preocupa-me os imensos exemplos de cabeças de camarão que andam por aí ganhando muito dinheiro sem profissão alguma, sem um talento que possa justificar tamanha exposição e influenciando milhares de jovens “barbies” sem qualquer ponto de referência. Profissão: famoso.

            Nós, adultos há algum tempo, com nossas ideologias, partidos políticos e crenças, crescemos com coisas palpáveis e inerentes à inteligência, tanto na música quanto na política, havia uma estrela consistente: Artur da Távola, Chico Buarque, Renato Russo, Darcy Ribeiro, Brizola, M. Gabriela, Veríssimo, Fausto Wolff, Barbosa Lima Sobrinho, Zuenir, Roberto D’Ávila, Alberto Dines, Fritz Utzeri, etc. Podemos discordar do partido, dos artistas, do show busines, mas podemos dizer que falta(va) cérebro nestas pessoas? E hoje, o que há?

            Você já foi bagunceiro na escola? Eu era extremamente bagunceiro, mas isso ultrapassava os limites do respeito ao próximo, ao educador ou à instituição? Pois é. Isto não é problema social, problemas sócio-econômicos, escravização, mídia golpista, humilhação, neste país, sempre existiram, no entanto, degradação generalizada e ausência de referências é a primeira vez.

            Há luz no fim da merda? Não a vejo. Mas, por favor, contradigam-me! Ou reflitam sobre o Haiti ser aqui.

            

sábado, 18 de abril de 2009

Educação de sucata: objetivo do Eduardo

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O projeto de Lei nº 2/2009, do prefeito Eduardo Paes, que repassa para ONGs a responsabilidade de gerir os recursos, equipamentos, prédios e pessoal da administração pública, já está na Câmara de Vereadores para ser votado. Para o Sepe e demais entidades do funcionalismo municipal a aprovação do projeto é a privatização pura e simples do serviço público municipal, que poderá piorar a já grave situação da educação pública na cidade do Rio de Janeiro.
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Entenda melhor o que significa o projeto:
1) O secretário chefe da Casa Civil, Pedro Paulo Carvalho, afirmou em entrevista à Rádio CBN, no dia 07/4, que o governo não sabe o que vai acontecer com os servidores que trabalham nos setores da administração municipal que serão repassados para a gestão das Organizações Sociais. Também não explicou como serão escolhidas as organizações, dizendo apenas que elas terão que prestar contas trimestrais, através de relatório de avaliação e metas a cumprir.
2) O projeto vem ao encontro da política pedagógica que a secretária de Educação, Cláudia Costin, vem implementado na rede municipal e que se baseia no programa já utilizado pelo governo do estado de São Paulo: criação de gratificações a partir da produtividade e dos resultados das escolas. A rede estadual já conhece bem tal programa, já que o governo Garotinho, desde o final do seu primeiro ano de mandato introduziu sob a forma do Programa Nova Escola e que até hoje gera controvérsias e rejeição na categoria.
3) O projeto de Eduardo Paes só vem confirma o descaso com a valorização do ensino público municipal e para com a autonomia pedagógica das escolas. Ao invés de reajustar os salários (muitas rede de municípios com arrecadações menores que a do Rio tem piso superior ao da rede municipal) quer promover a entrega das escolas públicas para organizações do setor privado.
4) As avaliações dos alunos promovidas este ano pela SME comprovam o compromisso da atual gestão para com entidades educacionais do setor privado, como a Fundação Ayrton Senna e a Fundação Roberto Marinho. As provas, elaboradas a toque de caixa por tais entidades – sem que a SME revelasse o valor de tais convênios - continham erros grosseiros de conteúdo, que foram denunciados pela categoria e pelo Sepe na Imprensa. Que melhoria da qualidade do ensino é esta, senhora secretária?
5) A autonomia pedagógica é um dos pilares para a garantia da escola pública com bases democráticas e que assegure o repasse do conhecimento para os alunos, possibilitando que estes possam ingressar como atores do seu próprio destino na sociedade contemporânea.
6) O sistema de bônus, idealizado pela SME ataca um dos pilares básicos do plano de carreira da educação municipal proposto pelo Sepe e pela categoria e até hoje não implementado: a progressão por tempo de serviço e de formação. Na rede estadual do Rio, o Programa Nova Escola, que também tomava por base a gratificação a partir da avaliação individual das escolas, promoveu a quebra da paridade entre profissionais da ativa e, também para os profissionais aposentados. Os ativos, tem gratificações diferenciadas (e milhares ainda estão de fora das gratificações). Os aposentados, também ficaram de fora e recebem menos que os profissionais que recebem o Nova Escola.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Professor Halem




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"Condenado ao verso

como um fiscal da lida

impeço que a vida passe

como se pudesse não ser percebida."

Elisa Lucinda, em Poeminha dos olhos

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O poeta Geraldo Carneiro, a respeito de Elisa Lucinda, escreveu que ela é uma "espécie de Adélia Prado com sexo, drogas e rock'n'roll".

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De fato, entre as duas escritoras há pontos de contato, ainda que uma delas crie seus versos na sua pacata casa em Divinópolis, e a outra o faça, na maioria das vezes, no Rio de Janeiro. Adélia Prado, ao falar das comadres que se visitam e das brincadeiras e encontros nos quintais, quer que esse cotidiano, aparentemente simples, mostre-se ao leitor de outro modo que só se torna visível graças à iluminação da poesia. Elisa Lucinda* às vezes faz o mesmo, mas agora dentro do ritmo agitado de uma metrópole superpovoada. Sinal dessa proximidade pode ser encontrado no poema Entre Vista (ou aquilo que ainda não me perguntaram), em que encontramos este verso:

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"- que não gosto de ler Adélia Prado porque alguém em mim fica doido para copiá-la e eu, por isso, imediatamente o desprezo".

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Num outro poema (Termos da nova dramática), Lucinda pede: "Parem de falar mal da rotina" e defende os "óbvios de estimação" para arrematar:

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"O enredo

a gente sempre todo dia tece

o destino aí, acontece

o bem e o mal

tudo depende de mim

sujeito determinado da oração principal"

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E o que se tece no dia a dia dessa poeta? No poema Tinha uma rima no meio da moqueca, ao falar de seus vários "eus", ela escreve que "mistura as cuecas do filho/ às ' Flores do Mal ' de Baudelaire." Em Cortando Cebola, ela assim se vê:

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"Eu que era artista sem dinheiro, aquela

E o talento esburrando como leite

esquecido exagerado de fervido

Eu era o amigo de meu próprio peito

que estava quase abandonado a causa

Minha alma picadinha junto ao coentro

esquartejava meu anjo de guarda

como quem desossa uma galinha

sozinha, chorando sobre a solidão das vasilhas

tão melhor do que a minha"

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Essa poesia "despojada", sem pose, é saudável, numa época em que ou se tem publicado versos talhados com marreta, sem nenhuma cadência e ritmo, ou cheios de "estilismo" e vanguardice, incompreensíveis, chatos ou simplesmente pueris, que afastam e entediam os leitores.

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* Os poemas citados nesta postagem estão nos livros O semelhante e Euteamo e suas estreias, ambos publicados pela Editora Record.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quatro anos da maior Chacina do Rio

Relembre o caso.

Por: Raphael Bittencourt e Dione Barbosa

Jornal ComCausa - Cultura de Direitos

No dia 30 de março de 2005, noite de quarta-feira, policiais decapitaram duas pessoas e atiraram a cabeça de uma delas para dentro do 15º Batalhão da Polícia Militar em Duque de Caxias. As cenas foram registradas pelo sistema de segurança de uma escola ao lado do Batalhão.


A ação seria uma resposta ao comando da polícia pela “operação Navalha na Carne”, que colocou sob detenção mais de uma centena de policiais e levou vários outros a prisão por desvio de conduta.

Na noite seguinte, 31 de março, policiais iniciaram uma seqüência de mortes em Nova Iguaçu e terminaram em Queimados. O resultado foi 29 mortos, sendo, oito crianças.

Foi a maior chacina do Rio, chocou o Brasil e ganhou o noticiário internacional.

Na tarde de 31 de março de 2005, segundo investigações, por volta das 04 horas, os policiais Marcos Siqueira Costa, José Augusto Moreira Felipe, Carlos Jorge Carvalho, Júlio César Amaral de Paula passaram horas bebendo no bar Aza Branca, na Rua Dom Valmor, no centro de Nova Iguaçu. Na frente do bar um gol prata estava parado com as portas abertas. Junto com eles estava Fabiano Gonçalves Lopes, que teria saído do local pouco depois das 20 horas, quando o grupo entrou no carro e seguiu até o acesso da Via Dutra – sentido São Paulo - no bairro Esplanada.

Rafael da Silva Couto e o seu amigo William Pereira dos Santos foram as primeiras vítimas. Os rapazes foram assassinados quando voltavam de bicicleta do trabalho para casa, às 20h35 no acesso para o bairro da Posse.

Os assassinos seguiram pela Rua Gonçalves Dias e entraram na Avenida São Paulo, onde mataram mais duas pessoas por volta de 20h40: Luiz Carlos da Silva; e José Carlos de Oliveira, que passava pelo local no momento em que os tiros foram disparados.

Retornaram à via Dutra, cruzaram o viaduto da Posse e, pouco antes das 20h50, assassinaram Alessandro Vieira.

Entraram em uma rua transversal que dá acesso à Rua Gama onde, na altura da Escola de Samba Flor do Iguaçu - no bar Caíque - por volta das 21h balearam dez pessoas, matando nove. No local foi alvejada a comerciante Elizabeth Soares Oliveira; o adolescente e deficiente auditivo Felipe Carlos Soares de Oliveira; Bruno da Silva Souza; o biscateiro Jonas de Lima Silva; o funcionário público Robson Albino; Manoel Domingos Lima Pereira; Jaílton Vieira - que era vizinho ao bar e tinha ido pagar uma dívida de R$ 2,00; o segurança José Augusto Pereira da Silva e o senhor Maurício - cunhado de Caíque, dono do bar; Douglas Brasil de Paula, estudante, que trabalhava em uma padaria da localidade para ajudar a família; e Kênia Modesto Dias esposa de Caíque. Douglas e Kênia chegaram a ser socorridos, mas morreram no hospital.

Perto das 21h15, os assassinos passaram pelo centro comercial do bairro Cerâmica e na Rua Geni Saraiva, mataram mais duas pessoas: Leonardo da Silva Moreira, que havia ido encontrar-se com a namorada no portão de casa, e o padeiro César de Souza Penha de 30 anos.

Voltaram para a Via Dutra e seguiram até o município de Queimados.

As 21h15, na Rua Vereador Marinho Hermetério Oliveira, em frente à Mania Lava Jato, foram mortos o dono do estabelecimento Luís Jorge Barbosa Rodrigues; Wagner Oliveira da Silva; Márcio Joaquim Martins e o estudante e ladrilheiro Fábio Vasconcelos.

Eram quase 21h30m, quando os criminosos seguiram para o Campo da Banha, onde atacaram cinco pessoas que estavam num bar: os estudantes Marcelo Júlio Gomes do Nascimento e Marcus Vinícius Cipriano Andrade; o segurança Francisco José da Silva Neto; o padeiro Marco Aurélio Alves, e João da Costa Magalhães, que estava sentado na porta de casa.

Tudo indica que a maioria das vítimas foi escolhida aleatoriamente. Em alguns pontos, os assassinos simplesmente passaram atirando.

As vítimas receberam

96 tiros - algumas foram baleadas 13 vezes.

Muitas receberam tiros na nuca e no rosto para se certificarem de que morreriam.

Em maio de 2005, o Ministério Público denunciou onze envolvidos. Entretanto, em fevereiro de 2006, a juíza da 4ª Vara Criminal de Nova Iguaçu - Elizabeth Louro - admitiu parcialmente a denúncia e pronunciou apenas cinco. Segundo a justiça, somente contra estes foram encontrados indícios suficientes para levá-los ao Tribunal de Júri. Outros quatro foram inocentados e dois foram acusados apenas pelo crime de formação de quadrilha. O cabo Ivonei de Souza, entrou com recurso contra a decisão, e o cabo Gilmar Simão - que negociava a ‘delação premiada’ - foi assassinado em outubro de 2006, quando ia prestar depoimento na 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar.

Em agosto de 2005 o soldado PM Carlos Jorge foi julgado e condenado a 543 anos de prisão.

No final de novembro de 2006, o cabo Siqueira, outro acusado, levou oito facadas na barriga e no peito, dentro da própria cela, no Batalhão Especial Prisional. Marcos ia depor no dia seguinte e, assim como Gilmar, estava negociando a “delação premiada”. José Felipe e Carlos Carvalho são suspeitos de serem os autores da tentativa de assassinato.

Em dezembro de 2007, José Augusto Moreira Felipe foi condenado a 542 anos de prisão em regime fechado. Já no dia 12 de março de 2008, Fabiano Gonçalves Lopes foi absolvido das acusações de homicídio e condenado a sete anos de prisão por formação de quadrilha. O júri acatou a tese da defesa, que alegou falta de provas. O próprio Ministério Público retirou a acusação de homicídio e manteve apenas a de formação de quadrilha.

Outros acusados, Júlio César Amaral de Paula e Marcos Siqueira Costa, foram pronunciados, mas ainda não há data para serem levados a júri popular.

Todos os julgados foram expulsos da Polícia Militar.

“A violência não acaba no ato do assassinato”

Ao analisar todos os casos desta e de outras chacinas, Adriano Dias, da ComCausa, chega à conclusão de que a violência não acaba no ato do assassinato. “As conseqüências da perda estendem-se para muito além do episódio em si. Por conta disso é necessário criar programas para as vítimas dessa e de outras violências” - e completa - “A manifestação por justiça é importante, mas a atenção amorosa, a acolhida é muito importante para ajudar a superar o trauma.”


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OBS.: Meus caros senhores, agora, a Loba resolveu dar um tempo, deixando-nos sem a sua escrita (que é o mesmo que dizer que ficaremos sem o pulsar do seu coração). Outro protesto apresento!